Ética, Pratique

Repensando o Ashtanga Vinyasa Yoga

Este artigo vem propor a ampliação de horizontes no Ashtanga Vinyasa Yoga, questionando a ausência de meditação - essencial para se atingir profundidade no Yoga - e do estudo dos sutras e outras escrituras, a fim de trazer consistência e amadurecimento para as práticas

Escrito por Rodrigo Carvalho · 12 mins de leitura >

Este artigo vem propor a ampliação de horizontes no Ashtanga Vinyasa Yoga, questionando a ausência de meditação, essencial para se atingir profundidade no Yoga, bem como do estudo dos sūtras e outras escrituras, a fim de trazer consistência e amadurecimento para as práticas.

Quando comecei a praticar o método ensinado por Pattabhi Jois, minha mente se encheu de questionamentos relacionados ao que eu ouvia e lia sobre o tema e o que via realmente á minha volta.

Começando pela inspiração para o nome do método, o Ashtanga Yoga de Patañjali e considerando a devoção ao estudo dos sutras que observamos em Iyengar, A.G. Mohan, T.K.V. Desikachar e outros relacionados à linhagem de Krishnamacharya.

Era de se esperar que o Yoga clássico, ou pelo menos o Yogasūtra, fosse o alicerce filosófico, a pedra fundamental onde se erigisse a construção do ensino e da prática do Ashtanga Vinyasa Yoga.

Nas publicações a respeito do método é comum ver-se a exposição de conceitos do Yogasūtra, quer dizer, em tese menciona-se algo sobre os angas, em teoria até fala-se dos valores do Yoga, mas observando o modus operandi das aulas de Ashtanga, pode-se perceber que, na prática, a coisa não funciona bem assim.

Há um distanciamento muito grande entre os ensinamentos do sábio Patañjali e o que se vê nas salas. A começar pela didática habitual que parece não deixar espaços nem dar importância para os conhecimentos da tradição do Yoga, dando uma ênfase excessiva a detalhes e tecnicismos dos asanas, contagens de respiração e ajustes.

Exclui-se a meditação sob a alegação de se manter a ‘pureza’ e a ‘fidelidade’ ao método. A falta de tempo não é desculpa, pois pode-se aumentar um pouco a duração da aula ou diminuir as repetições de posturas como navasana, urdhvadhanurasana, e até mesmo suprimir, se necessário, variações de algum asana como paschimottanasana, por exemplo.

A repetição (abhyāsa) é importante, mas não é necessário que seja aplicada em demasia numa mesma prática, pois o próprio sutra 1:14 adverte que a estabilidade (dṛḍhabhūmi, ‘solo firme’) surge quando há dedicação e desempenho correto por um ‘longo tempo’ (dīrghakala).

Quanto à ‘pureza’ do método, sabe-se que o Yoga sempre se adaptou às necessidades humanas. É nessa adaptabilidade que reside sua força e também de onde resulta sua longevidade, amplitude e eficiência.

Se o Yoga não se transformasse, estaríamos até hoje fazendo as práticas do yoga pré-clássico: mantra, meditação, controle respiratório e rituais. Além do mais, falando-se em tradição, nada é tão antigo e tradicional em Yoga como meditação, a não ser, é claro, os conhecimentos vêdicos.

Mas é evidente que estes surgiram através das revelações de origem meditativa dos sábios e ṛṣis.

Uma reflexão: É difícil acreditar que as pessoas – provavelmente apresentadas ao método através da badalação da mídia – no fim de um dia estressante – distantes de si mesmas ainda imersas no torvelinho das obrigações do dia a dia – consigam chegar á aula e ‘desligar-se’ disso tudo desempenhando uma prática adequada de Yoga, sem ter a experiência e a percepção adquiridas com a prática da meditação e da vivência dos yamas e niyamas.

Como esperar uma atitude de dhāraṇā, tapas, svādhyāya  e Īśvaraprānidhāna na prática de pessoas que ignoram estes conceitos e ainda por cima chegam à aula atordoadas pelo ritmo louco de suas rotinas, depois de enfrentarem o tráfego das cidades e vão direto praticar sem um relaxamento, reflexão ou meditação inicial que os prepare mentalmente para o Yoga?

Como fazê-las compreender que não devem buscar no Ashtanga somente saúde, um corpo esculpido ou a capacidade de fazer posturas difíceis sem lhes deixar claro que esses são meros resultados naturais de uma busca muito maior de conhecimento (vidyā), liberdade (mokṣa) e plenitude (ānanda)? Será que o Aṣṭāṅga Vinyasa Yoga e nós professores estamos cumprindo o papel de encaminharmos os praticantes em sua própria senda de auto-descoberta?

Um olhar atento pode verificar que há uma certa frivolidade no meio, pouco investimento pessoal em estudo das escrituras e auto-estudo (svādhyāya), além de um excesso de preocupação com a forma. Isso tudo demonstra que dentro da prática e ensino desta modalidade, não se utilizam todos os angas do caminho óctuplo.

O objetivo deste artigo não é fazer uma crítica estéril, mas propor a busca de novos horizontes, porém baseados em antigos pilares do Yoga: conhecimento e meditação.

Apesar de nunca ter professado a metodologia convencional, respeito todos os professores que a utilizam, por quem, aliás, tenho gratidão, pois eles me deram valiosos ensinamentos.

Não tenho a pretensão de revolucionar uma didática já difundida com sucesso, mas trazer sugestões e propostas, pois certamente não sou o único que pensa assim. Deixo a sugestão de Paulo de Tarso que diz para ‘Examinar tudo e reter o que for bom’.

O método é muito procurado por modismo, por pessoas que querem emagrecer e geralmente é visto como uma ‘malhação’ indiana.

Os professores ficam sem o direito de reclamar disso enquanto perpetuarem esses padrões de ensino e essa atitude de passividade e resistência á mudanças (que já não são apenas necessárias, são urgentes!).

Muitos praticantes de Yoga têm preconceito em relação ao Ashtanga Vinyasa, o que é compreensível diante da inconsistência conceitual e prática com que pretende representar o verdadeiro Aṣṭāṅga Yoga.

A realidade é que se defrontarmos o Ashtanga Vinyasa com o Yoga dos sutras e de seus comentários principais (bhashyas), encontraremos inúmeras incoerências. É necessário muita imaginação para encontrar rastros do Yoga clássico na prática moderna de Haṭha Yoga ensinada por Pattabhi Jois.

ashtanga

Apesar disso, não precisamos desistir do método, pois este ainda pode vir a ser um autêntico caminho de Yoga. Mas para isso acontecer, ele deve realmente basear-se no sistema proposto por Patañjali, pois deste o Ashtanga Vinyasa só utilizou o nome. Fora isso, a semelhança entre os dois é como a da água e a do azeite.

Pattabhi Jois sempre diz: ‘Pratique e tudo acontecerá’, mas para que aconteça, não é necessário apenas que a pessoa saiba como praticar de forma adequada, mas fundamental que haja discernimento (viveka).

Uma conquista impossível sem uma consciência construída no estudo, reflexão e vivência dos shastras para orientar o processo da prática. Segundo Patañjali, não se consegue a capacidade de discernir (vivekakhyatiḥ) sem meditação.

A verdade é que essa frase de Pattabhi Jois, é uma excelente desculpa para quem quer eliminar o estudo do Yoga ou evitar questionamentos dos alunos.

Técnicas do Ashtanga Vinyasa Yoga

Segue agora, uma interpretação livre das técnicas utilizadas na prática de Ashtanga Vinyasa, onde acrescentei dharana por crer que esta técnica deve permear todas as outras, servindo como base para sua execução adequada.

Dhāraṇā, o sexto anga, é a introdução no processo da meditação, o estágio inicial do que Patanjali chamou de antaranga (membros internos, chamados conjuntamente de samyama). Quando realmente concentrados, estamos também consequentemente em pratyāhāra e iniciando o caminho para o samādhi, que pode vir a ocorrer.

Dhāraṇā

Segundo a Kshurika Upaniṣad, dhāraṇā (concentração) é a adaga (kshurika) que desfaz, que corta o nó da ignorância (avidyā granthi). Quando estamos dispersos não participamos do que fazemos, perdendo a capacidade de observar a nós mesmos e às coisas, pessoas e situações à nossa volta com exatidão, captando assim apenas parcelas da realidade, dentro e fora. É como um profundo estado de alienação.

Pramāṇa, a percepção real das coisas, é o resultado de nossa concentração e esta, por sua vez, o aprofundamento da atenção. O poeta William Blake disse: ‘Quando as portas da percepção estiverem abertas, tudo parecerá ao homem tal qual é, infinito. Pois o homem se enfermou a tal ponto que não consegue enxergar senão através das fendas estreitas de sua caverna’.

Vivenciamos quase o tempo todo esse estado ‘enfermo’ de alienação, ficando impedidos de ver a realidade. ‘A vida como um domo de vidro multicolorido mancha a branca radiância da eternidade’ (Shelley).

Qual o filho pródigo da parábola, ficamos ‘perdidos’, muito distantes da ‘casa paterna’ (desidentificados com nossa própria natureza – svarupa). Inebriados pela loucura mundana, entorpecidos pelo hedonismo e pela dispersão, acabamos por nos perder de nós mesmos (‘vṛtti sarupyam itaratra‘. Yogasūtra, 1:4).

Como no mito da caverna de Platão, essa percepção parcial da realidade só nos possibilita ter uma visão indireta, na qual só enxergamos as projeções de sombras vindas do mundo exterior nas paredes da (nossa) caverna, mas nunca os seres e objetos como realmente são.

Ou como disse o apóstolo Paulo de Tarso: ‘pois agora vemos como por um espelho, em parte. (…) Mas então veremos face a face’. Quando tivermos a capacidade de nos manter constantemente concentrados, atentos ao desenvolvimento, ao fluir de nossas existências, ‘veremos’ e vivenciaremos então, somente aquilo que é real (tada drashtuh svarupe avasthanam, Yogasūtra, 1:3).

Āsana

Num estilo de Yoga que demonstra tanto envolvimento com ajustes, alinhamentos, alongamentos, tônus muscular, padrões posturais e com seqüências tão longas e variadas de posições, pode-se ter a ilusão de que o asana é um fim em si mesmo, ou que é o objetivo do Yoga.

Que a postura bem executada é aquela que se expressa numa forma perfeita, padronizada e bela em termos de plasticidade. Esse é um erro comum, mas é um grave engano, pois essa beleza plástica é apenas a parte periférica do asana, sua ‘casca’.

O mais importante acontece dentro, em níveis mais sutis e profundos, num vasto universo psicoenergético.

O grande acontecimento do asana consiste na percepção das sensações, sentimentos e emoções que ele provoca e nas reflexões que disto resultam: na observação dos fluxos de energia, sendo desobstruídos e direcionados de forma específica em cada postura; na expansão e contração da força pelo corpo e na relação existente entre todos esses fatores.

No entanto, a principal atuação dos asanas em nossa vida, está no trabalho de transformação que acontece através de um treinamento de nosso esforço e autocontrole, vontade e persistência, aceitação e paciência.

Para que haja eficiência, o praticante deve estar ciente de que os asanas são eficazes ferramentas para a busca de si mesmo, mas deve saber também que eles são caminhos e não a ‘chegada’.

Ele deve ter o mínimo de noção sobre o que é Yoga, quais são seus fundamentos, reais objetivos, enfim, no que consiste uma verdadeira prática e qual é a atitude ideal perante ela.

Vinyasa 

O vinyasa é uma técnica definida pela associação sincrônica entre movimento e respiração. Para executá-lo devemos guiar nossos movimentos pela respiração, aprendendo a expressá-los tendo esta como referencial.

Vejo-o como a arte de saber movimentar-se, pois ele facilita e ‘educa’ as conexões neurais denominadas sinapses, tornando ágil a transmissão da vontade para o sistema nervoso e sua transformação em ação.

Quando executado com a noção correta, o vinyasa torna-se uma regulação dos ritmos internos. O fluxo dos pensamentos é regulado pelo da respiração que, por sua vez, é afinada com os movimentos internos e externos do corpo.

O ritmo do coração (batimentos cardíacos, circulação), pulmão (movimentos de expansão e contração respiratória), os movimentos do fluxo de prāṇa (circulação dos vāyus), o ritmo da atividade mental e os movimentos externos do corpo devem se tornar unos, sintonizar-se no vinyasa.

Algo simples e óbvio: o ritmo dos movimentos corporais imprime uma resposta imediata na velocidade da aceleração cardíaca e na respiração. Essa, por sua vez, influenciará a mente, ajudando a definir o ‘ritmo’ e o teor dos vrtts.

Segundo a Haṭhayoga Pradīpikā e o Yoga Vasishtha existe uma relação intrínseca entre a circulação e as características do prana e os estados mentais (citta avastha).

A mente infuencia o prana e este interfere na mente, assim como as correntes e as ondas do mar se infuenciam mutuamente e dependem uma da outra. Conclui-se então que a circulação do prana responde ao processo mental e respiratório. Movimento, sangue, respiração, prana e pensamentos são integrados no vinyasa.

O vinyasa deve se transformar num movimento natural do corpo, fluido, leve e harmônico. Deve ter uma característica de facilidade e leveza, servindo como uma espécie de descanso ou intervalo entre o esforço dos asanas.

‘A natureza nunca se cansa, pois repousa em movimento’, diziam os antigos. O vinyasa deve acontecer de forma naturalmente fácil, como é quando respiramos ou caminhamos.

Porém, isso só acontecerá depois de muita prática, e a atenção deve ser plena, pois sem a devida consciência nesse processo e através da repetição e da facilidade adquirida com esta, o vinyasa acaba por se tornar mecânico, como o ato de dirigir ou mastigar, atividades que fazemos geralmente sem atenção, no ‘piloto automático’.

E é exatamente essa atenção que é o diferencial entre naturalidade e automatismo. Só ela pode transformar a prática de Ashtanga em uma ‘meditação em movimento’, como pretendem muitos.

Embora seja necessário lembrar que esta não substitui a meditação tradicional que consiste em sentar-se de forma estável e concentrar-se, colocando-se na perspectiva de observador consciente (sakshi ou drashtuh).

A concentração profunda no fluxo respiratório e em cada movimento associado torna o vinyasa natural, um movimento vivenciado pelo corpo e também pela mente atenta.

No entanto, quando não há atenção suficiente, não há vivência, nem experiência e tão pouco aprendizado real. Então, o vinyasa se torna automático, um movimento inconsciente, um condicionamento, com certeza saudável, porém apenas mais um condicionamento.

Prāṇāyāma

É comum que o termo pranayama seja traduzido como exercício respiratório. Isso ocorre devido à mesma pobreza conceitual que classifica o asana como um exercício físico e yogi como aquele que os executa com beleza e facilidade.

Pranayama é ‘expansão consciente do prana’, um exercício de domínio da energia vital que torna mais eficiente sua absorção e distribuição. Deve ser realizado com conhecimento do que se faz, pois é o aspecto mais sutil da prática de Ashtanga e, ao mesmo tempo, o mais importante do ponto de vista fisiológico.

A respiração deve fazer a ‘ponte’, a ligação entre corpo e mente. É um grande engano crer que simplesmente dominando a técnica do ujjayi, no que tange ao seu som e sensações peculiares, estamos realizando pranayama.

Esta atividade acontece muito mais no plano da mente e requer uma sensibilidade para a percepção do prana no corpo, além de treinamento da vontade e controle mental para expandir essa energia para onde houver necessidade.

O ujjayī, sobretudo, é um prāṇāyāma maravilhoso para servir como ‘foco’ de concentração e meditação, aumentando a concentração na prática de asanas. Seu som assemelha-se ao de várias manifestações naturais: o som do vento, das ondas do mar, de um contínuo e leve crepitar de chamas e até mesmo o sibilar das serpentes, lembrando-nos o tempo todo a idéia da unidade de tudo e a origem comum de todas as coisas que formam a prakriti (natureza).

Bandhas e Dṛṣṭis

Com tantos condicionamentos e superficialidades na prática dos asanas, pranayamas e vinyasas, como podemos fazer o aluno entender a devida importância dos bandhas e drishtis?

Se o enfoque está todo no externo, plasticidade, imagem, no aparente, naquilo que pode ser visto, é difícil surgir interesse em uma técnica interna, que para o leigo pode parecer desnecessária e, ainda, de difícil execução.

A verdade é que a maioria dos praticantes não realiza os bandhas ou os fazem durante uma reduzida fração da prática, quando não os fazem errado. Não sei se é solução ficar ‘martelando’ comandos para fazer os bandhas o tempo todo. Sem um ensinamento que crie um interesse real, as pessoas o farão por poucos instantes, apenas como uma obrigação ‘chata’ cobrada pelo professor.

É necessário que se ensine um rudimento de anatomia e fisiologia sutil, que se explique como funciona o bandha num âmbito energético e a importância de sua execução correta e domínio, ajudando a economizar a energia e canalizá-la, tornando a prática mais ‘leve’, reduzindo o esforço físico, estruturando a coluna, facilitando os saltos e, principalmente, vitalizando as estruturas superiores pela elevação da energia.

Os dṛṣṭis se referem à exploração de novos ângulos e perspectivas de visão. No mundo moderno olhamos demais para fora, para o outro, preocupamo-nos em demasia com a nossa imagem e com a das pessoas. Os drishtis são uma forma de mudarmos o enfoque do olhar, restringindo-o ao campo espacial do asana.

Apesar de olharmos para o próprio corpo, no olhar do drishti não deve haver espaço para avaliação ou julgamento do que estamos vendo, é um olhar de concentração.

Nele aprende-se a não se interessar e não se distrair com o cenário à sua volta, decoração da sala, roupas e corpos de outras pessoas ou o seu próprio. É ekagrata, um foco criado pelo direcionamento da atenção visual.

Conclusão

Por fim, quero dizer que não devemos apenas incluir a meditação como uma das práticas do Ashtanga Vinyasa, mas adotar uma atitude meditativa, de compreensão e contemplação durante todo o processo. Vendo todos os aspectos da prática como ‘motivos’ de meditação.

Enxergando com maior profundidade a beleza de cada técnica e concebendo-as como oportunidades de compreender as metáforas da natureza implícitas em nós: o dṛṣṭi nos ensinando que é preciso ter uma visão reta nas situações da vida; os bandhas elevando a energia e demonstrando o caminho da ascensão da força (kuṇḍalinī); a constância ininterrupta do prāṇāyāma nos recordando a eternidade; a mudança, transitoriedade, fluidez e o impermanente simbolizado e vivenciado no vinyasa; a estabilidade, a permanência que nos remete ao ser representado na firmeza e imobilidade do āsana.

Tento ensinar aos alunos que saber fazer as séries de Ashtanga não é uma meta de realização. E crescimento no Yoga é vivenciar os yamas e niyamas e estar sempre atento, como uma testemunha desperta (sakshi).

Que não há melhor ‘ajuste’ do que adaptar nossos desejos às necessidades reais, desenvolvendo simplicidade e contentamento. E que o melhor ‘alinhamento’ é o dos pensamentos com a fala e as atitudes, trazendo convicção e veracidade para a vida, tornando o yogi transparente e íntegro.

Oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ. 


Rodrigo ministra cursos de Yoga e Ayurveda pelo Brasil. Se quiser fazer contato com o autor, escreva para [email protected]

॥ हरिः ॐ ॥ 

Ainda no questionamento da maneira o contexto em que Ashtanga Vinyasa Yoga foi transmitido por Pattabhi Jois, recomendamos as seguintes leituras: 1) o livro Practice and All is Coming, de Matthew Remski, e 2) este artigo , do mesmo autor.

Essas leituras podem ser imensamente dolorosas para os devotos da prática mas imensamente doloroso foi igualmente o abuso e os traumas que muitas mulheres sofreram nas mãos de Pattabhi Jois. Essas feridas, muitas vezes, fecham mas não curam.

Felizmente, o movimento #metoo chegou ao Yoga como uma força de cura. Tarde, mas chegou. Não é hora de ficar guardando mais nada. Chega de cinismo, cumplicidade e silêncio. Todas as condutas abusivas devem ser denunciadas.

E antes de que alguém diga que isto é uma fofoca ou uma teoria conspiratória dos “inimigos” do Ashtanga, segue aqui a desculpa pública às vítimas de Pattabhi que Sharath Jois publicou na sua conta no Instagram.

॥ हरिः ॐ ॥ 

Aqui, um artigo do Professor Hermógenes sobre o Ashtanga de Patañjali.

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243 respostas para “Repensando o Ashtanga Vinyasa Yoga”

  1. Cara Melissa,

    O Ashtanga Vinyasa Yoga não é uma prática milenar. Quem lhe disse isso está equivocado. A prática de asanas do Hatha-Yoga (do qual o Ashtanga Vinyasa é apenas uma abordagem), só começou a apresentar alguma organização, sistematização e sofisticação a partir do séc.V d.c. Antes disso, não há documentação que comprove algo consistente. Ashtanga Vinyasa tem algumas décadas.

    Reverencio as obras dos homens, suas ações, seus ensinamentos e devotamento ao dharma. Os títulos são apenas convenções humanas. Um nome pomposo não enobrece um homem indigno, assim como uma crítica ou ausência de títulos nada mudam na vida de alguém virtuoso. A propósito, a única coisa de que Pattabhi Jois é portador é da patente ou registro de sua marca registrada: Ashtanga Vinyasa Yoga. A tradição do Ashtanga começa em Patanjali e segue por onde quer que seja respeitada e praticada. Você é bem vinda ao nosso centro para conversar amigavelmente sobre Ashtanga Vinyasa Yoga ou Ashtanga Yoga de Patanjali.

  2. Cara Melissa,

    Desculpe pela demora em liberar seu artigo. Você postou ele 24 horas atrás, e eu não tenho disponibilidade para entrar na administraçao do http://www.yoga.pro.br todos os dias, pois dou aulas e viajo bastante.

    Nós não somos tendenciosos, como você insinua, mas nos reservamos o direito de não publicarmos comentários insultantes, informações falsas ou equivocadas, ataques pessoais aos autores, ou críticas não fundamentadas, como você leu na nossa página ao postar seu comentário. Seu comentário não é desfavorável, como você coloca. Seu comentário apenas expõe um ponto de vista diferente daquele do autor.

    Têm neste mesmo website vários artigos que falam sobre o Ashtanga Vinyasa Yoga e teremos muito prazer em publicar um texto seu, se quiser escrever, nos ensinando sobre a sua experiência com esse Yoga.

    A bem da verdade, o Ashtanga Vinyasa Yoga não é uma prática milenar, como você erroneamente coloca em seu comentário. Você comete a equivocação, como muitas pessoas fazem, de confundir o método de Yoga físico ensinado pelo senhor Jois, com o Ashtanga Yoga de Patañjali, conhecido como Yoga Clássico, que data de aproximadamente 2200 anos atrás.

    Esses dois sistemas, como Rodrigo corretamente coloca neste artigo, são totalmente diferentes. O de Patañjali é de fato o Yoga milenar, e o de Jois, apenas um seqüenciamento de posturas de Hatha Yoga que não aparece em nenhum dos textos tradicionais sobre o assunto e que de fato não deve ter mais do que um século de existência, no melhor dos casos.

    Agora, se você me permite, lhe darei minha impressão pessoal sobre o senhor Jois, a quem conheci no ano 2001. No meu breve convívio com esse “guru” em seu lar-escola de Mysore, fiquei com asco de uma cena que testemunhei em repetidas ocasiões: ele introduzia seus dedos no orifício anal das alunas, ao que parece, “para verificar a correta execução do mula bandha”. Quando não há aquiescência de ambas as partes para que um intercurso sexual aconteça, como neste caso, isso é chamado de abuso sexual em qualquer lugar do mundo. Isso não é feito por mestres.

    Não existe um teste para verificar o grau de iluminação dos seres humanos. No entanto, pessoas normais, dotadas de um mínimo de auto-controle e ética, não fazem tais coisas. Iluminados, muito menos. Pessoalmente, não acredito que essa pessoa seja um mestre, mas uma alma que ainda tem um longo caminho pela frente antes do samadhi.

    Antes de reverenciar cegamente alguém com o entusiasmo que você mostra, certifique-se de que se trate de fato um mestre de verdade, para não correr o risco de cair no fundamentalismo vazio, ou para evitar se tornar mais uma vítima de abuso sexual.

    Saudações.

  3. Vocês não vão publicar minha mensagem? O que que é isso? Só mensagens favoráveis? Não sabia que vocês eram tão tendenciosos. Estou chocada com o http://www.yoga.pro.br colocar esse artigo e ainda por cima não publicar comentários desfavoráveis. Quantos mais vocês não publicaram? Assim fica tudo muito bonito não é? O autor aproveita para esculhambar um trabalho sério de Yoga, vocês colocam isso no site e quando a gente critica ninguém dá atenção.

  4. Namaste. Yoga não é exercício físico. Foi oque Ashtanga Yoga se tornou. Incrível que tenha sido criado na India e não nos Eua. Esse tipo de abordagem do Yoga é comum lá. Superficial como tudo o que fazem. Talvez por isso seja tão popular por lá. Um yoga-fitness perfeito para nos manter em forma. Mas com a cabeça vazia de consciencia. Parabéns ao autor por trazer a luz às entranhas do Ashtanga. Om Shanti!

  5. Namastê. Meu nome é Melissa e moro também em Bh. Gostaria de saber qual é o endereço de onde o Rodrigo dá aulas, pois não vou passar nem na porta.

    Como ele tem coragem de se referir assim á uma prática milenar. Não tem respeito ?

    Oque ele quer, auto-promoção? Procure a revista contigo, caras, quem.
    Não esqueçam é Shri Krishna Pattabhi Jois. Como ele pode falar assim de um guru vivo. Do portador da tradição do Ashtanga Yoga.

    Lamentável esse texto, lamentável a atitude de colocá-lo na internet. A propósito quando ele diz no texto Paulo de Tarso está se referindo á São Paulo? Esse moço não respeita ninguém mesmo não é ?

  6. Gostaria muito que esse texto fosse encaminhado ao Rodrigo Carvalho, autor do texto “Repensando o Ashtanga Vinyasa Yoga”. Bom, minha primeira aula de Ashtanga fiz com o Rodrigo, tempos depois tive a sorte de poder praticar com Cristiane, sua esposa. Atualmente (e infelizmente) meus horários não me permitem estar com eles, mas sempre tenho a preocupação de levar tais ponderações para minhas práticas de Ashtanga. Mesmo quando os professores com os quais pratico insistem nas minúcias do alinhamento físico (que também são importantes), busco sempre por em prática o muito que em pouco tempo pude aprender nas aulas da Cristiane. Bom, sobre o texto, eu o recebi por e-mail, e gostaria de saber se há outros artigos. O texto é muito bem escrito – sobre todos os aspectos. A linguagem é clara, didática, sem perder com isso a propriedade sobre o assunto discutido – que é no mínimo complexo. E o assunto é de extrema pertinência. Parabéns aos dois – por tudo o que fazem em nome do yoga e da melhoria de tudo que está à nossa volta! Om Shantih!

  7. Caro Rodrigo, Namastê! PARABÉNS! Sou professor de Yoga em Petrópolis/RJ e há alguns meses atrás introduzi meditação em todas as minhas aulas (o que fazia esporadicamente), justamente por considerar que as aulas estavam técnicas demais. Me frustrava perceber que os alunos iam para suas casas sem saber que estavam entrando em contato com um caminho espiritual, ignorando o poder transformador do Yoga. Seu artigo veio de encontro às mudanças em minhas aulas e em mim mesmo, como praticante e instrutor. Obrigado e parabéns pela profundidade e riqueza de seu artigo. Om shantih!

  8. Por favor enviem essa mensagem a quem escreveu a carta-bomba sobre o Ashtanga. Até que enfim, cheguei de viagem e tive a grata surpresa de ler isso.Nunca tinha lido nada sério a respeito de Ashtanga.
    Pratiquei durante quase três anos até ter o desprazer de ir a Mysore. Pattabhi Jois é um homem boçal. Eu me desiludi completamente com essa modalidade de Yoga, com as pessoas que o praticam, com as coisas que aprendi a respeito. As matérias que li no começo me iludiram, me fizeram acreditar numa “aventura de Yoga”, num Yoga que transforma profundamente. Só o que nos dizem é “pratique e tudo acontecerá”. Como um passe de mágica. O que aconteceu comigo foram lesões e desilusões. Fiquei muito decepcionado quando fui a fonte do Ashtanga Yoga. Minha viagem a Índia só se salvou pois descobri o Yoga Mandiram do filho de Krishnamacharya, TKV Desikachar, e assim compreendi que o Yoga não era aquilo. Gosto de praticar uma prática mais forte. Talvez se tivesse lido antes esse artigo, teria encontrado uma saída e não teria largado o Ashtanga. Fico muito satisfeito de que existam pessoas que ousam sair do comum . Provavelmente, alguns praticantes não vão ler este texto, pois são alienados demais para freqüentar o http://www.yoga.pro.br, e aqueles que lerem ainda devem estar chocados demais para formar opinião e ainda devem estar juntando os caquinhos de suas conviccções bobas. Túlio Mauro.

  9. Parabéns pelo artigo. Desde que o li, ando pensando sobre o assunto. Não sei como encarar a prática a partir de agora. Tudo o que você escreveu me tocou, mas parece que agora tenho um novo problema, antes eu praticava o Yoga que adoro, sem ter que pensar. Agora já não consigo encara-lo da mesma forma. Também não quero parar de praticar. O que devo fazer?

  10. Rodrigo, obrigado pela sua necessária reflexão, e por nos trazer este questionamento tão importante. Namastê!

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