Pratique, Yoga na Vida

Vida de Yoga na maternidade

Alguns anos atrás me disseram que os filhos, para as mulheres ocidentais, eram como os gurus para os hindus, isto é, traziam ensinamentos e sabedoria através da experiência da díade mãe-bebê e também da relação mãe, bebê e sociedade. Melhor dizendo, na presença ínfima de mestres espirituais no ocidente, a criança plena por nascença exerceria tal papel.

Escrito por Joana Netz · 1 mins de leitura >

Alguns anos atrás me disseram que os filhos, para as mulheres ocidentais, eram como os gurus para os hindus, isto é, traziam ensinamentos e sabedoria através da experiência da díade mãe-bebê e também da relação mãe, bebê e sociedade. Melhor dizendo, na presença ínfima de mestres espirituais no ocidente, a criança plena por nascença exerceria tal papel.

Acontece na maternidade, muitas vezes, uma reestruturação do nosso ego. O recém nascido, em sua natureza, banhado em Moksha (estado de liberdade), nos faz repensar no que fazíamos até o momento em nossa vida e como, de maneira mais consciente e harmônica podemos nos relacionar com o mundo e com nós mesmas a partir de sua vinda. O bebê nos toca com sua pureza e ao mesmo tempo com sua profundidade. Grande parte dos nossos desejos e vontades, dos apegos e aversões passam a ficar em segundo plano ou modificam-se diante da nova etapa da vida vivida.

O ego de nossos filhos vai sendo estruturado, e continuamente o aprendizado acontece: intensifica-se na mãe, a auto-observação, os questionamentos e reflexões sobre a vida e si mesmo, podendo a mesma, conseqüentemente, vir a modificar alguns vasanas (tendências e pré-disposições), pensamentos e ações em prol a criação do bebê.

Por experiência própria digo que quando nasce nosso bebê floresce a capacidade de entrarmos em contato com o oceano de amor que há em nós e também de colocarmos em prática os Yamas e Nyamas (condutas éticas em relação aos outros e a nós mesmo), como por exemplo: Santosa, o contentamento, Daya, a compaixão, Tapah, a disciplina, e Paridhana, a entrega.

Sinto que no momento em que o neném nasce, as mães têm a oportunidade de tornarem-se mais íntegras, no sentido de poderem entrar em contato com sua força interna, e com seu Dharma, seu propósito de vida, agindo com maior consciência com o coração, realizando muito mais com presença.

Toda mulher que é mãe tem a possibilidade de enxergar a maternidade como um caminho de crescimento e aprendizado espiritual. A entrega a esse caminho é opcional, claro. Há mulheres que dentro do turbilhão de tornar-se mãe, não possuem o apoio necessário para poderem se aprofundar nessa experiência: ou têm que sair de casa para trabalhar, ou simplesmente as tarefas rotineiras as exaurem, as deixando sem energia para até mesmo olharem para seus filhotes exclusivamente por algumas horas do dia. Há ainda mães que optam por deixarem seus filhos aos cuidados de terceiros para poderem “seguir” com sua vida “normal”.

A maternidade é uma fase da vida imensamente bela, intensa e trabalhosa. Cada um possui o livre-arbítrio para decidir qual o tipo de criação e cuidados dará a seus filhos. Seja qual for o caminho escolhido, que tenhamos sabedoria para olharmos nossos bebês e crianças com o olhar de aprendizes que permitem que esses “mestres” nos auxiliem a encontrarmos o caminho do coração, da presença, da libertação.

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9 respostas para “Vida de Yoga na maternidade”

  1. Joana, amei o seu texto! Sou mãe de uma neném de 7 meses, aos 42 anos e praticante de yoga a 7 anos. Você traduziu muito bem tudo o que estou vivendo nos últimos meses, é realmente assim. Obrigada, é muito bom constatar de que é real o sentimento e torcer para que outras mãezinhas também consigam, no turbilhão que é cuidar desses serzinhos tão frágeis e dependentes, descobrir e compreender a profunda transformação que pode acontecer. É realmente fantástico. Abraços!! Angelita

  2. Respeitável, Joana.
    No fim de julho, enviei seu texto para minha fisioterapeuta que estava grávida pela segunda vez. Durante as sessões, ela sempre puxava conversa e eu acabava me distraindo.
    Enquanto isso, ela enfiava o cotovelo no meu tendão inflamado. Na primeira sessão, escorreram lágrimas de tanta dor. Hoje não sinto mais nada. Nas nossas conversas, entretanto, percebi que ela achava a gravidez muito sacrificante e se queixava bastante.
    Quando repassei seu texto para ela, simplesmente adorou. Disse que se identificara com tudo que você havia escrito após ter tido sua primeira filha; notei que seus olhos brilharam de alegria.
    Na noite de ontem, entretanto, ela veio a falecer de uma embolia pulmonar, decorrente de uma cezariana. Sua filha, felizmente, nasceu bem, com 4 quilos. Ela era jovem, bonita, atenciosa, dedicada e carinhosa.
    As lágrimas que escorreram hoje, enquanto dirijia de volta do trabalho, foram de outro tipo de dor. Além do bebê, ela deixou seu marido e uma filha de quatro anos. Estou chocado.

  3. Texto lindo!!! É assim que eu sinto e conduza a minha vida com meu filho. Namastê!

  4. Jo, vendo vc e a nossa “pequena mestra” é impossível não perceber a verdade das suas palavras… toda a sua dedicação, todo o seu amor por aquela criaturinha perfeita e adorável é a melhor expressão da palavra AMOR.

    Vcs são uma família linda, e isso se reflete naquele sorriso inigualável do qual já falamos inúmeras vezes…

    Um beijo grande e já cheio de saudades…

  5. Jo querida,
    quando um bebê nasce, nasce também uma mãe. são eles que nos ensinam o que é ser mãe e isso é o mais belo nessa relação. plenitude é poder gerar vida e poder alimentar nossos filhos com nosso leite, nossos exemplos, nossas palavras e nosso amor. gratidão! bj bj bj

  6. Que lindo é o amor, suas palavras foram tão claras Jô, que, com certeza ainda vai inspirar muitas mães!
    Grata!

  7. Basta ver vocês e conseguimos perceber como é profundo e verdadeiro todo esse sentimento!

  8. Muito interessante este texto… sem Yoga, talvez eu fosse agora uma mãe desesperada. Graças ao que tenho aprendido e sentido depois que a yoga entrou na minha vida, me sinto cada vez mais cheia de esperança.
    Quem me vê falando pode imaginar que tenho algum filho com alguma doença, mas não! Meus filhos são lindos, perfeitos, extremamente saudáveis e inteligentes. Eu tenho muita sorte quanto a isso!
    Mas meu filho mais velho é uma criança que odeia a vida, e ele me diz isso diariamente..sempre….e logo eu que amo a vida, a natureza, os animais!!!! Já procurei respostas em tudo, ainda não encontrei…mas não vou desistir não!
    Acredito que tenho muito a aprender com ele e sou grata por ter uma família maravilhosa. Li na última “Yoga”, Pedro Kupfer falar sobre a aceitação pacífica dos resultados independente deles coincidirem ou não com nossas expectativas ou desejos.
    É isso que estou aprendendo diariamente…minha vida tem sido uma prática constante de Yoga… Gostaria que me indicassem alguma literatura que pudesse me ajudar nessa caminhada…
    Um grande abraço!!! Ale

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