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Introdução ao estudo das Upanishads

Upanishad é a parte final dos Vedas. O que se chama de Vedanta.Existem várias Upanishads em cada Veda. Dentro do estudo de Vedanta são dez as Upanishads mais estudadas

Escrito por Tales Nunes · 2 mins de leitura >

Significado da palavra

A palavra Upanishad indica dizer o tema e ao mesmo tempo o nome do texto. A etimologia é a seguinte:

upa – ‘aquilo que está mais perto de você’

ni – ‘claramente’, ‘definitivamente’.

shad – raiz sad ? ‘gastar’, ‘destruir’ e ‘conhecer’

Este texto vai ‘gastar’, ‘destruir’ (shad), aquilo que você não quer na sua vida, o sofrimento. Não vai destruir momentaneamente, mas de uma forma total, completa, absoluta. O sofrimento existe pelo não reconhecimento da real natureza do Ser, do que está mais próximo de você. Esse sofrimento é acabado através do conhecimento. Conhecimento do que você realmente é: pleno, completo. É o conhecimento ‘claro’ e ‘definitivo’ (ni) daquilo que está ‘mais perto de você’ (upa).

As Upanishads e os Vedas

Upanishad é a parte final dos Vedas, também conhecida como Vedanta. Existem várias Upanishads em cada Veda. É dito que existem 108 Upanishads. Já outras pessoas dizem que chega a existir 1008. Dentro do estudo de Vedanta são dez asUpanishads mais estudadas:

1. Isha,

2. Kena,

3. Katha,

4. Mundaka,

5. Mandukya,

6. Chandogya,

7. Brihadaranyaka,

8. Taittriya,

9. Maitri,

10. Prashna.

Essas dez são as mais importantes, o as tornam mais importantes são os comentários de Shankara e de outros mestres dessas Upanishads. Estudando essas dez, você pode estudar sozinho qualquer outra e compreender perfeitamente, pois a essência do ensinamento é o mesmo.

Sampradaya

Geralmente as Upanishads contém uma estória. Essas estórias são para que algo seja revelado. Elas revelam o Sampradaya. Como esse conhecimento vai ser passado, transmitido. Não se compreende totalmente sem Sampradaya. É o Sampradaya que sustenta o conhecimento. O conhecimento deve ser transmitido por um professor qualificado.

As histórias contam sempre o Sampradaya, a relação entre o professor e o aluno. As vezes ressalta o mestre, as vezes as qualificações do aluno. As vezes são diversos discípulos que perguntam, outras compõem-se de um diálogo entre apenas um aluno e o professor. Mas sempre é ressaltada a relação entre professor e aluno.

O tema das Upanishads

É nas Upanishads que está contido o conhecimento específico sobre o que é Brahman. Esse conhecimento é chamado de Brahmavidya. Antes das Upanishads, nos Vedas, existem meditações (upasanas) que têm como objetivos Antarkaranam shuddhi (purificações). Liberação dos vasanas que aprisionam a mente, para que o estudante tenha a clareza no estudo, para que o estudante adquira uma mente apreciativa. O objetivo das upasanas é que o estudante tenha uma mente pura, tranqüila.

Isso quer dizer que o estudo das Upanishads requer uma certa maturidade e preparação por parte do estudante. As próprias estorinhas contidas nas Upanishads nos mostram esse fato. Os discípulos que aparecem nessas estórias são altamente qualificados.

O tema das Upanishads é dizer: esse sujeito Atman, você mesmo, é Brahman. Esse você mesmo é livre de limitação, é a base de toda a criação e então é maior que a criação. É a causa inteligente e causa material da criação, é Brahman, e é você mesmo, a sua mente, os seus pensamentos, o seu corpo.

É um pramanam, um meio de conhecimento que revela a identidade entre Atma e Brahman. O conhecimento não evidencia Brahman, pois ele é sempre evidente. O que o conhecimento faz e eliminar o engano, a idéia de que você é limitado, ignorante.

Dentro dessa tradição, ouvir é um sadhana. Não se pode fazer mais do que se sabe. A prática principal aqui é ouvir e contemplar. Expor-se ao conhecimento, escutar o conhecimento.

O processo proposto por esse conhecimento consiste em três fases:

Sravanam – escutar
Mananam – refletir
Nididhyasanam – meditar

Não existe uma clareza em relação a você mesmo. Existe impureza na mente (ragas e dveshas). Existem confusões na mente. Uma delas: existe um conhecimento indireto e depois desse conhecimento indireto devemos tornar o conhecimento direto. O conhecimento deve ser completamente esclarecido, caso contrário vai sempre parecer que falta alguma coisa.

A confusão está em querer transformar a mente em algo absoluto. Qualquer experiência de felicidade tem a base em você mesmo, na sua natureza. Existem três fatores que podem despertam essa felicidade:

Vishayananda – felicidade adquirida através do contato com objetos. Ela não vem dos objetos, a fonte da felicidade é você mesmo.

Vidyananda – Através do conhecimento, quando se compreende algo, nasce dali uma felicidade.

Yogananda – Disciplina traz felicidade. Quando se completa algo, nasce uma felicidade dentro de si.

A fonte de qualquer felicidade é você mesmo. A Upanishad diz isso. Você precisa refletir e reconhecer isso. Auto-realização é esse reconhecimento.

Texto baseado em aula da Professora Gloria Arieira.

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