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O mito de Durgā

O mito da deusa Durga-Kali está narrado num shastra chamado Devimahatmyam. A Grande Deusa é criada pelos poderes de Brahmá, Vishnu e Shiva, junto com os devas, ou deuses menores. Ela encarna a totalidade dos poderes divinos, nossas virtudes e força interior, para combater e aniquilar o búfalo-demônio, Mahishasura, que representa o egoísmo e a ignorância.

Escrito por Pedro Kupfer · 3 mins de leitura >

O mito da deusa Durgā Kālī está narrado num shastra chamado Devimahatmyam. A Grande Deusa é criada pelos poderes de Brahmā, Viṣṇu e Śiva, junto com todos os demais devas, as forças da natureza.

Ela encarna a totalidade dos poderes divinos, nossas virtudes e força interior, para combater e aniquilar o búfalo-demônio, Mahīśasura, que representa o egoísmo e a ignorância. É por isso que Durgā Kālī é igualmente chamada Mahīśaśuramardiṇī, ou a Vencedora de Mahīśasura.

Durgā

O nascimento de Durgā

Após mais de 100 anos de guerra, os asuras (demônios) venceram os devas (deuses) e seu líder, o demônio Mahīśasura, vencendo o rei dos deuses, Indra, assume todos os poderes dele e dos demais devas: Agni, Indra, Varuṇa, Sūrya e Yama. Estes, desolados, vão até Vaikuṇṭha, a moradia do deus supremo, Viṣṇu, para pedir-lhe ajuda.

Ao ouvir as más notícias, Viṣṇu, feroz, invocou Śiva e Brahmā. Os três deuses concentram suas forças (śaktis) numa poderosa meditação, a partir da qual cria-se uma luz intensamente brilhante. Os devas igualmente dirigem seus poderes para essa luz, que cresce até assumir o tamanho de uma montanha flamígera, brilhando como mil sóis.

Aos poucos, o brilho da montanha de luz assume a forma de uma belíssima forma feminina, pura e radiante. Ela é Durgā, a grande deusa, que personifica a união de todos os poderes dos deuses e semi-deuses juntos.

Śiva entrega a seu tridente (triśūla), Viṣṇu seu disco (cakra) e Brahmā o japamālā e o licor da imortalidade (amṛta). Os semi-deuses presenteiam igualmente a Durgā suas armas e atributos: Varuṇa dá-lhe a concha, Agni sua lança, Indra o raio, Yama, o deus da morte, o seu bastão, Sūrya seus raios dourados, com os quais a pele da deusa brilha como o próprio Sol. A montanha Himavāt presenteia-lhe um leão mágico como montaria.

Brilhando com estes e outros atributos, envolta em luz divina, Devi ri, e seu riso faz os três mundos vibrarem. Sua voz preenche o espaço e seus passos fazem a terra tremer. As montanhas e os oceanos são sacudidos pelo seu riso e sua presença. “Jai Matājī!” (” Vitória para a Grande Mãe!”), gritam os deuses e semi-deuses.

Mahīśasura ouve na distância os estrondosos passos da deusa, que provocam terremotos, e pergunta-se o quê pode estar provocando tamanha comoção. “Eu sou o rei do Universo agora. Quem ousa interromper minha paz? Quem ousa fazer tal barulho em minha presença?”.

Voa então em direção à origem do ruído, que se torna cada vez mais ensurdecedor. E, repentinamente, ele a vê. A deusa brilha tanto que sua luz atravessa os três mundos. A terra curva-se sob seus pés e o brilho do seu olhar é tão intenso que ofusca a própria luz do Sol.

Ambos não precisam sequer trocar uma palavra. As tropas asúricas são chamadas e a batalha começa imediatamente. Milhares de elefantes de guerra, centenas de milhares de poderosos demônios e milhões de guerreiros armados até os dentes são invocados por Mahīśasura.

O exército, poderoso como o mar enraivecido, ataca a deusa, que simplesmente permanece sentada em seu círculo de fogo. As armas demoníacas não conseguem atingir a deusa.

O leão balança a juba, e ela sopra sua concha, produzindo um som aterrorizante e anunciando uma vitória que seria prontamente sua.

A cada exalação que ela faz, um novo exército se materializa, prestes para a batalha. As matrikās, as energias de todos os deuses, vêm igualmente em seu auxílio. Finalmente, ela invoca os poderes que os deuses tinham lhe outorgado para materializar Kālī, a devoradora do tempo, que é sua forma mais terrível

Durgā começa a lutar, matando todos os guerreiros que ousam colocar-se ao alcance de suas armas mortíferas. O campo de batalha torna-se prontamente um amontoado de cadáveres de guerrierros e elefantes, cabeças e membros decepados, armas partidas e rios de sangue.

Ao ver seu exército assim dizimado, Mahīśasura solta um grito de ira e assume sua forma de búfalo. Começa a galopar em direção à deusa, matando todos os guerreiros que seu alento de fogo alcança.

Aqueles que conseguem fugir da fúria do seu alento e de suas patas, são mortos pelos seus terríveis cornos, que cortam as montanhas de pedra. Seu mugido preenche o universo e faz a terra tremer.

Quando Devī percebe o ataque do búfalo-demônio, concentra novamente suas forças e começa assim uma luta entre eles que, de tão pavorosa, faz os deuses, que a tudo assistem desde o céu, fecharem os olhos.

Devī lança seu laço e prende o búfalo, que instantaneamente se transforma num imenso leão. A deusa corta a cabeça do leão, mas este se transforma em um elefante, que por sua vez é prontamente decapitado por ela.

Mahīśasura assume novamente sua forma de búfalo e é preso à terra pelo pé de Devī, que corta finalmente a sua cabeça, vencendo assim a batalha.

Quando o demônio morre, seu exército inteiro se esvai no ar. Então, deuses, devas, gandhārvas, apsāras e humanos vem apresentar seus respeitos e agradecimentos, fazendo uma pūjā para ela.

“Inclinamo-nos perante ti. És a boa fortuna dos virtuosos, a inteligência nos corações dos eruditos, a fé no coração dos bons, a modéstia no coração dos justos. Que possas sempre proteger o universo.”

॥ हरिः ॐ ॥

+ mitos aquiaqui

5 respostas para “O mito de Durgā”

  1. Muito bem contada a história, parabéns! Dá vontade de ler o texto em voz alta. Ou fazer um filme, tão rico em detalhes. Imaginei várias cenas lindas. Você conhece algum filme, animação com os deusas e deusas da mitologia hindu? Gratíssima!!!

    1. Toda a saga do livro A maldição do tigre ( Collen houck ). Explica muito bem.

  2. Lindo texto
    Jay Maha Durga!
    É impressionante as semelhanças entre os mitos
    Nosso inconsciente coletivo nos leva a acessar a todos
    No apocalipse, MARIA, vem combater os demônios, vestida de Luz, gravida, nas dores do parto. Com a lua embaixo dos pés.
    Enfrenta os dragões, sozinha…
    Com a cabeça enfeitada por 12 estrelas..
    O interessante é o feminino, a energia Shakti que se apresenta sempre em que eh necessário dar combate ao mal.

  3. Parabéns pelo texto. Finalmente pude conhecer o mito desta Deusa de uma forma mais detalhada. Que a força e coragem de Durga possa servir de inspiração pra nossas batalhas interiores. Namastê.

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