Em preto e branco: mãos entrelaçadas sobre o joelho

A Visão do Corpo no Hatha Yoga

Por Pedro Kupfer 24 de julho de 2005 3 minutos de leitura

O Hatha Yoga, ou ‘Yoga da Força’, é uma forma de Yoga pós-clássico (posterior ao Yoga Clássico do sábio Patañjali), que se desenvolveu sob influência do Vedānta, bem como das idéias do Nāthismo, escola de Kaula Tantra, cujo fundador é o lendário sábio Matsyendranātha. Nesse método, o foco das práticas passa a ser o corpo, usado como ponto de partida para a investigação das realidades mais sutis e profundas dessa peculiaridade chamada ser humano.

Os aspectos não visíveis do ser humano acima mencionados são o corpo sutil (pranamayakośa), os centros e canais de energia (chakras e nāḍīs), o potencial (kuṇḍalinī), os poderes psíquicos (siddhis), a reflexão sobre a verdadeira natureza do Ser (atma) e sua relação com o mundo (jagat).

Até o surgimento desse método de Yoga, que, aliás, é até hoje o mais conhecido e popular, a visão que se tinha sobre o corpo humano no mundo da espiritualidade indiana era desabonadora e negativa. O corpo era considerado apenas uma bolha de pele recheada de carne, ossos, secreções e impurezas, fonte do sofrimento, do apego e da dor.

O Hatha rejeitou essa visão desde o início, unificando a visão tântrica do corpo como templo da divindade, com a constatação vedântica de que tudo o que existe na criação é expressão do Ser, que é ao mesmo tempo criador e agente material da criação.

Assim, esse método busca conquistar um estado de perfeição corpórea chamada ‘corpo adamantino’ (vajradeha), ou ‘corpo divinal’ (devakaya), e combinar essa perfeição física com um aperfeiçoamento similar nas dimensões sutil, emocional, mental e psíquica, para a realização do supremo propósito de todas as formas de Yoga: a libertação da ignorância metafísica (avidyā), dos condicionamentos e do ciclo de mortes e renascimentos sucessivos (samsara).

Esse estado de liberdade é chamado moksha, em sânscrito. A Śivasaṁhitā, assim como as demais obras antigas de Hatha Yoga, trata sobre essa investigação.

O período em que o Hatha Yoga surgiu com toda a força coincide com um momento muito especial na evolução da espiritualidade hindu, no qual os adeptos do Tantra apresentaram a uma Índia pasmada e acomodada no ritualismo bramânico uma visão revolucionária e dinâmica do universo e do homem. Para os tântricos, o corpo não é mais causa de perdição, mas veículo para a transcendência e a realização da natureza divinal no homem.

O Kulārṇava Tantra (I:18) deixa isso bem claro:

‘Sem o corpo, como realizar o [supremo] objetivo humano? Portanto, depois de adquirir uma morada corpórea, o ser deve realizar ações meritórias (punya).’

E a Śiva Saṁhitā (II:1-5) reafirma a mesma idéia:

‘Neste corpo, o monte Meru [a coluna vertebral] está rodeado por sete ilhas: há rios, mares, campos e senhores dos campos. Há rishis e sábios, e nele estão todas as estrelas e planetas. Há peregrinações sagradas, templos e deidades nos templos. O sol e a lua, agentes da criação e da destruição, movem-se nele. O espaço, o ar, o fogo, a água e a terra também se encontram aqui. Todos os seres que existem no mundo estão igualmente no corpo. Rodeando o monte Meru, fazem suas tarefas. Aquele que sabe disto é um yogi. Não há dúvida sobre isto.’

Continue a leitura no yoga.pro.br: A Iluminação do Corpo: as Origens do Haṭha Yoga · Tantra + Vedānta = Haṭha Yoga? · Haṭhayoga Pradīpikā
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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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4 respostas

  1. Errei na escrita Wagner xavier

  2. Perdão pedro errei a figuração namaste Wagner Xavier

  3. Perdão terei a frase gratidão desculpe

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