Pratique, Yoga na Vida

Coragem

Comumente, negamos os próprios problemas e suportamos a dor. Nós não queremos enfrentar os problemas porque isso é muito desagradável. Como crianças, nós também negamos os nossos problemas. Esta negação é uma espécie de fuga de algo que é desagradável e é o caminho que nós geralmente tomamos para gerir os problemas.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī · 2 mins de leitura >

Swamiji, o senhor disse que as pessoas precisam de coragem para enfrentar seus problemas e lidar com suas mentes. Poderia falar sobre como podemos adquirir essa coragem?

A coragem de que falei foi com referência à dor sentida por causa de nossos problemas. Comumente, negamos os próprios problemas e suportamos a dor. Não queremos enfrentar os problemas porque isso é muito desagradável. Como crianças, nós também negamos os nossos problemas. Esta negação é uma espécie de fuga de algo que é desagradável e é o caminho que geralmente tomamos para gerir os problemas. E é por isso que os divertimentos se tornam tão importantes para nós.

Nesta sociedade, os divertimentos não são apenas muitos importantes, mas eles são muitos e variados. O entretenimento e os esportes são nada mais do que diversões. Se você analisar o compromisso de uma pessoa normal, não é realmente um compromisso o de trabalhar com o que está acontecendo agora, mas é um compromisso de entretenimento e lazer. E, a fim de ter entretenimento e lazer, é claro, você tem que ganhar dinheiro.

Portanto, ganhar dinheiro torna-se uma prioridade secundária, o que naturalmente deveria ser, mas o trabalho também se torna secundário, e a recreação e o entretenimento se tornam o objetivo principal. Isto ocorre porque a recreação e o entretenimento são utilizados como uma das principais rotas de fuga e isso sempre foi assim.

A recreação pode ser clássica ou não-clássica. A recreação clássica significa que você tem que ficar com você e se você pode aprender como fazer isso, talvez, então, você possa desfrutar as crianças, a família, a amizade, os livros, o pensamento, a meditação e assim por diante. Há uma variedade de coisas para você se entreter e que são úteis também.

Para desfrutar de todas estas formas de lazer, você precisa ser capaz de estar com você inteiramente e você precisa ser capaz de se divertir, caso contrário, você terá vontade de experimentar algo estranho, diferente, emocionante ou bizarro para se absorver. Esta é a razão por que a música se torna cada vez mais alta – para abafar a mente, porque há muito ruído internamente.

É preciso uma certa cultura e um bom aprofundamento para estar com você mesmo. Quando isso não for possível, o lazer se torna muito importante. O divertimento nas férias é um assunto relevante. Se nós apenas olharmos para a psicologia das pessoas, torna-se muito óbvio como elas se comprometem a diversas formas de divertimento.

Se você tem uma casa à beira-mar, um barco e talvez uma casa móvel, então você fez isso! Depois, há a pesca, a caça, o esqui, o automobilismo, o futebol americano, o beisebol; os esportes também são uma espécie de divertimento. Há toda uma economia construída em torno dessas atividades.

Há também uma grande quantidade de dinheiro envolvida na música – há muitos centros de entretenimento, teatros, cinemas, discotecas e assim por diante.É uma indústria enorme. Estas inúmeras formas de divertimento, juntamente com a viagem de férias podem consumir mais da metade de toda a economia e tudo isso por causa de um compromisso.

O lazer, o divertimento, não é uma coisa comum, é um compromisso. Você trabalha a semana inteira e depois, no fim de semana, você não quer ficar em casa. Você quer sair porque para ficar em casa significa que você tem que estar com você mesmo. Portanto, você tem que sair. Qualquer forma clássica de recreação, tais como a literatura ou a música pode prosperar em uma cultura onde as pessoas podem estar em casa. Só assim é que se tem o lazer interno para ouvir música clássica e ler. Esta ausência de lazer interno é predominante em todo o mundo.

Não fugir significa enfrentar a nós mesmos, o que não estamos acostumados a fazer. Ao enfrentarmo-nos significa que nós temos que ter a paciência, por mais dolorosa que por vezes seja, para olhar para nós mesmos e ver o que está acontecendo e o que aconteceu. Com muita freqüência, o que nós vemos é muito desagradável.

Portanto, é preciso coragem no sentido de um certo empenho e boa vontade para enfrentar esse desconforto, o que não é um grande problema, uma vez que eu estou disposto a mudar. A vontade de mudar é o que exige coragem. Om tat sat!


Satsang com Swami Dayananda Saraswati realizado no Arsha Vidya Gurukulam. Traduzido por Humberto Meneghin: http://www.yogaemvoga.blogspot.com/.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī
Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.
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Swāmi Dayānanda Saraswatī em Mantra, Pratique
  ·   2 mins de leitura

2 respostas para “Coragem”

  1. Agradecido pelo texto!

    Nosso cotidiano sempre trás desafios, e constantemente nos vemos em cheque quanto as nossas decisões. E quantas vezes nos deixamos abandonar aos prazeres, ou como se falou, às diversões. O quanto nos permitimos escapar de um sentido mais profundo de nossa existencia..

    Cada um tem suas dificuldades, mas com textos como esse sentimos um frescor para tentarmos caminhar melhor.

  2. ADOREI O COMENTARIO,REALMENTE E MULTO DIFICIL A VONTADE PELA NOSSA MUDANCA INTERIOR VISTO QUE ABDICAR DOS PRAZERES EXTERIORES E MAIS RAPIDO E FACIL DO QUE A PROCURA PELA NOSSA MELHORIA INTERIOR.MAS A PARTIR DO MOMENTO QUE DESCOBRIMOS ESTA PRATICA,E A MUDANCA DE NOSSO COMPORTAMENTO SE TORNA VISIVEL O PRAZER PELO NOSSO MUNDO INTERIOR SE TORNA UMA AVENTURA FANTASTICA.PARABENIZO O AUTOR POR ESTA MENSAGEM MARAVILHOSA E ESPERO LER QUANTAS OUTRAS.

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