Meditação, Pratique

Meditação bhrāmarī, a vibração interior

O objetivo da meditação é obter a aniquilação dos saṁskāras, as crenças e condicionamentos que nos paralisam. A mente é a ferramenta. Procure conhecer esses saṁskāras. Tome consciência deles. Não tente controlar ou limitar a mente: fique amigo dela. Se você aceitar tudo o que vier dela e conseguir manter-se separado desses conteúdos, irá vencer a subjetividade e encontrar a paz.

Escrito por Pedro Kupfer · 3 mins de leitura >

Sente numa posição confortável, com as costas eretas. Inspire profundamente e repita o mantra Oṁ, três vezes. Espinha ereta. Cabeça na vertical. Mãos em jñānamudrā, sobre os joelhos, com as palmas voltadas para baixo. Relaxe os ombros. Mantenha a boca e os olhos fechados, sem forçar.

Tome consciência do corpo todo. Observe-se na posição em que você está sentado. Permaneça consciente da posição. Consciência no āsana e no efeito que ele tem no seu corpo: firmeza, quietude e estabilidade. Faça uma rotação da atenção por cada uma das partes do corpo: cabeça, pescoço, ombros, braços, mãos, tronco, costas, tórax, abdômen, pernas e pés.

Localize tensões que possa haver em alguma articulação, músculo ou parte do corpo. Ajuste a posição de maneira que você não precise mais se mexer. As costas eretas, mas sem rigidez. Fique totalmente confortável. Consciência total no corpo. Verifique se o corpo está realmente confortável e livre de tensões. Consciência total no corpo físico denso: músculos, ligamentos, ossos, órgãos, sangue, pele. Visualize o seu corpo.

Tome consciência das experiências físicas do seu corpo: densidade, conforto ou ausência dele, calor ou frio, e outras sensações que possam alterar o estado de atentividade ou afetar o corpo. Permaneça absolutamente estável: faça kayasthairyam. Cultive a firmeza na posição sentada. Completa quietude do corpo. Completa estabilidade. O corpo está absolutamente imóvel, como uma rocha (1/2 minuto em silêncio).

Uma vez que se é consciente da quietude e o equilíbrio do corpo físico, a respiração fica totalmente calma. Ao despertar a consciência do espaço interior, percebemos melhor a energia vital. Para alcançar a experiência do prāṇa, podemos empregar a capacidade de visualização. O simples fato de tomar consciência do corpo faz com que aumente o fluxo do prāṇa (a vitalidade) nele pois, onde for a mente, a vitalidade segue atrás. Quando o prāṇa muda, a experiência do corpo muda e a mente também muda, ficando mais estável e calma (1 minuto em silêncio).

Faça várias respirações completas em ujjayī prāṇāyāma. Respire como se o ar estivesse fluindo através da garganta, produzindo um som sussurrante na glote, baixo e contínuo, mas sem forçar. Mantenha o foco na respiração (1 minuto em silêncio).

Faça ujjayī: respiração sutil e profunda, com uma vibração que apenas você percebe. Durante o ujjayī pode ouvir-se o som do mantra da respiração: ao inalar, o mantra so e ao exalar, o mantra ham, percebidos como uma vibração na nāḍī central (1 minuto em silêncio).

Coloque a consciência na respiração. Vá além do puramente físico e sinta o ritmo do prāṇa no corpo. Perceba o ritmo da respiração: ela acontece sem que você precise exercer algum tipo de controle. A consciência acompanha sem esforço esse ritmo: está sempre presente. Apenas faça isso. Agora feche os ouvidos com os polegares, com firmeza mas sem excesso de pressão, e preste atenção ao que você ouve no espaço interior do crânio (5 minutos em silêncio).

Diz a Haṭhayoga Pradīpikā: “Fechando-se os ouvidos com os polegares ouve-se o som do espaço no interior do coração, cuja aparência assume sete formas: o som de um rio, de um sino, de uma caixa de cobre, de uma roda de carruagem, o coaxar de uma rã, o som da chuva ou da palavra em um lugar fechado. Após haver ultrapassado este som, que possui diferentes características, vai dissolver-se no Brahmán não manifestado, o Som supremo.”

“Quando se repete o esforço para ouvir este som, ele acaba por superar todos os sons exteriores. No início da prática, ouve-se um som de grande volume e diversificado, não homogêneo. Em seguida, à medida que se progride na prática, ouve-se um som cada vez mais sutil. Mesmo quando se ouvem sons poderosos, como os da multidão e os do timbal, deve-se procurar ater-se apenas ao som mais sutil”.

O objetivo da meditação é obter a aniquilação dos saṁskāras, as crenças e condicionamentos que nos paralisam. A mente é a ferramenta. Procure conhecer esses saṁskāras. Tome consciência deles. Não tente controlar ou limitar a mente: fique amigo dela. Se você aceitar tudo o que vier dela e conseguir manter-se separado desses conteúdos, irá vencer a subjetividade e encontrar a paz (1 minuto em silêncio).

Observe como surgem os pensamentos. Mantenha a atenção focalizada na mente e veja como ela é diferente da Consciência, do Ser Pleno que é você. Perceba a natureza dos pensamentos que afloram à consciência: agradáveis ou não. Observe-se (1 minuto em silêncio).

Neste momento, externalize a mente. Encerre esta prática e permita que aos poucos o seu pensamento flua através dos sentidos e as experiências sensoriais. Tome consciência das experiências da mente, do corpo e do ambiente. Externalize a mente. Externalize os sentidos. Ao poucos, mova o corpo. Quando estiver pronto, sem pressa, abra os olhos. A prática de bhrāmarī se encerra aqui.

Oṁ śāntiḥ, śāntiḥ, śāntiḥ.


Extraído do livro Yoga Prático.

Sankalpa: a resolução interior

Pedro Kupfer em Meditação, Pratique
  ·   1 mins de leitura

Como ser feliz?

Pedro Kupfer em Pratique, Yoga na Vida
  ·   7 mins de leitura