Ética, Pratique

O bem e o mal

O mal não pode ser uma força. Se fosse, então teríamos dois opostos – uma força divina e uma força maligna, as quais teriam que ser resolvidas por um outro Todopoderoso diferente daquele que é a força divina. Teríamos, portanto, que criar uma outra força em que aquelas duas existissem.

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Swamiji, existe o mal no mundo? Se não há, como alguém presta contas pelas atrocidades cometidas tanto a nível individual quanto coletivo?

O mal não pode ser uma força. Se fosse, então teríamos dois opostos – uma força divina e uma força maligna, as quais teriam que ser resolvidas por um outro Todopoderoso diferente daquele que é a força divina. Teríamos, portanto, que criar uma outra força em que aquelas duas existissem.

Se analisarmos o mal, vamos compreender que ele está, afinal, dentro do próprio livre arbítrio. Não há outro mal. Por exemplo, não podemos dizer que uma pessoa seja má. O mal é apenas o mau uso do livre arbítrio de cada um.

O mau uso do livre-arbítrio só é possível porque a vontade é livre, o que significa que há escolha em nossas ações. Portanto, por trás de cada ação do mal, há um mau uso do livre arbítrio. Isso é algo que nós temos que aceitar.

Não há, então, uma força do maL oposta a Īśvara, o Senhor. Algumas pessoas, imaginam a força do mal como algo que vem sob uma influência e acham que deveríamos nos juntar a Īśvara e lutar contra o mal. Isto sugere que Īśvara é impotente diante desta força chamada mal. E se tudo o que existe é Īśvara, o Senhor, onde está o mal? O único mal é a ignorância.

O livre arbítrio em si não é o mal. Porque existe a ignorância do fato de que há apenas Īśvara. Quando o medo acontece, a ganância acontece e quando a ganância acontece, a força do mal também vai acontecer. O mal e o mau uso do livre-arbítrio existem porque não há compreensão do dharma, a ordem que é Īśvara.

Esta falta de entendimento pode acontecer em nível individual e coletivo. Se dez egos se juntam, tornam-se um ego – um ego coletivo. Então, há um mau uso coletivo da liberdade. Em todos os genocídios em grande escala, assassinatos em massa e extermínios colossais, acontece o mau uso coletivo da liberdade.

O karma de alguém também pode ser uma consideração aqui. Mas, uma vez que dizemos que há um mau uso do livre arbítrio, não podemos levar isso ao karma. Isso seria como dizer que é o karma de alguém ser assassinado e o assassino está ajudando a pessoa a cumprir seu karma. Ninguém comete um homicídio para cumprir o karma da outra pessoa.

Existe, definitivamente, no entanto, o mau uso coletivo do livre arbítrio porque há um ego coletivo, uma entidade coletiva. Há um ego comunidade, um ego religioso, um grupo de ego, um ego corporativo, da empresa – o que significa um enorme ego – e um ego nacional. O ego nacional de uma nação em particular pode abusar do seu livre arbítrio coletivo e destruir outra nação.

Da mesma forma, o ego religioso de uma determinada religião pode destruir outra religião. O ego cultural de uma cultura pode destruir uma outra cultura e um ego da comunidade pode destruir uma outra comunidade. O ego masculino pode destruir uma mulher e o ego feminino pode destruir um homem.

Qualquer movimento de massas é um ego coletivo. Você pode se identificar com todas as mulheres e os resultados de um ego coletivo feminino. Quando estudantes se unem, é outro exemplo de um ego coletivo. Um ego coletivo é visto também na busca do assassino de um policial. Toda a polícia desenvolve um ego, o ego coletivo, e persegue a pessoa que cometeu o assassinato.

Os deuses e os demônios, os Pandavas e os Kurus no Mahabhrata também representam o ego coletivo. Um ego coletivo pode ser favorável ao dharma ou não. Isto, então, é o que entendemos como sendo o bem e o mal, respectivamente.

Oṁ tat sat.


Tradução de Humberto Meneghin: www.yogaemvoga.blogspot.com.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

3 respostas para “O bem e o mal”

  1. o mal está dentro de cada um e sabemos que podemos sempre transformar isso para que façamos a melhor escolha e assim seguir sempre o bem.

  2. Segundo este entendimento, chega-se à conclusão de que o Diabo não existe. Que bom!

  3. Mais claro impossível! Esse artigo vai direto para minha pasta “Pérolas do Swamijí”! Gratidão!
    Harih Om!

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