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Santo Daime ou Yoga?

O uso da ayahuasca e a prática do Yoga são duas tradições ancestrais, duas vias para o conhecimento e o encontro com o Ser. São dois caminhos para a libertação e ainda, se quisermos, dois meios para entender a vida e a Consciência como algo que existe, existiu e existirá no aqui e agora.

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O uso da ayahuasca e a prática do Yoga são duas tradições ancestrais, duas vias para o conhecimento e o encontro com o Ser. São dois caminhos para a libertação e ainda, se quisermos, dois meios para entender a vida e a Consciência como algo que existe, sempre existiu e sempre existirá no aqui e agora.

Quando escolhemos um caminho espiritual vamos reencontrar o que já está dentro de nós, vamos reconhecer a nossa verdadeira natureza e descobrir que afinal estamos com muita pressa para quem tem o infinito pela frente.

Existem algumas semelhanças ou práticas equiparáveis entre o uso da ayahuasca, nomeadamente através da participação em trabalhos do Santo Daime, com a prática regular do Yoga, que eu gostaria de salientar. Assim, em ambas as doutrinas existe um mestre que passa o conhecimento aos estudantes, praticantes.

Esse conhecimento é passado através da presença corpórea do mestre no caso do Yoga e poderá ser passado nos trabalhos do Santo Daime directamente pelo mestre Irineu (por exemplo, ou por outros ligados à doutrina) na presença desencarnada do mesmo.

Pode ainda no Santo Daime o conhecimento ser passado sem que a pessoa reconheça o mestre que a ensina, isto é, sem que o consiga identificar, ou pode ainda acontecer o reconhecimento de algo que a pessoa já sabia e se vai recordando aos poucos. Neste sentido, podemos dizer que a nível da forma como o conhecimento é passado ou ensinado existe uma semelhança.

No que se refere ao uso da voz, esta é muito importante, quer para vocalizar mantras no Yoga, quer para rezar e cantar os hinos num trabalho de Daime. A música e a voz são essenciais, na minha opinião, nos dois caminhos.

A musicalidade do universo manifestada através dos instrumentos e da voz é uma das manifestações mais poderosas e belas a que podemos assistir e da qual podemos participar enquanto seres humanos.

Os sentimentos trazidos, as intenções contidas e as invocações do divino que os hinos e os mantras encerram são também, na minha opinião, equiparáveis. Ambos assentam numa repetição e ambos nos levam para um estado de plenitude.

As técnicas de purificação usadas no Yoga poderão ter um efeito semelhante às purificações ou purgas que acontecem num trabalho de Daime. As plantas que formam a bebida sagrada, o néctar dos deuses ou vinha da alma, chamada ayahuasca nalgumas culturas, provocam um efeito purgativo e regulador do sistema digestivo, respiratório, circulatório, etc., tendo assim influência positiva em termos físicos a todos os níveis.

Qualquer pessoa saudável pode tomar Daime, assim como qualquer pessoa saudável pode praticar Yoga. Existe uma dieta preferencialmente vegetariana associada à prática do Yoga e quem toma Daime regularmente também deve seguir uma dieta saudável porque as plantas provocam uma limpeza do organismo se assim não for.

O organismo passa, então, a funcionar melhor, o corpo físico é sujeito a alterações, melhorias e o corpo subtil também. Assim, os sentidos ficam mais apurados e a energia flui de forma mais consciente em ambas as práticas. Atingimos estados de consciência onde estamos mais “acordados”, mais despertos e onde começamos a desenvolver capacidades “esquecidas” como a telepatia, por exemplo.

Os ásanas praticados por um yogi ou yogini são o trabalho do corpo físico e subtil em forma de posturas físicas que implicam o uso de uma respiração consciente. Nos trabalhos de Daime há movimento do corpo físico (por exemplo através da dança repetida de certos passos) e a estabilização do corpo físico (por exemplo através da posição sentada), que podem ser tão exigentes como uma prática de ásanas, ressalvando obviamente as devidas diferenças.

Existe ainda uma necessidade imperativa de manter uma respiração consciente, principalmente a nível abdominal, durante todo o trabalho de Daime. Para conseguir manter um estado de calma e tranquilidade é necessário usar a “respiração abdominal” de forma lenta, prolongada e descontraída

A abstracção sensorial pode-se equiparar à fase do trabalho de Daime em que a pessoa se deita (se isso acontecer, porque não é obrigatório que assim seja) e onde está completamente relaxada num estado entre o sono profundo e a meditação.

A meditação é praticada de forma mais acentuada nos chamados trabalhos de “concentração” onde é privilegiado o silêncio e o foco no interior de cada um. Aí é dado um tema para meditar que pode variar conforme o trabalho e a pessoa que o “conduz”.

Assim como tomar Daime pode não ser apenas uma experiência, também a prática de Yoga pode ser mais do que uma experiência. A prática continuada da não identificação com as modificações da consciência obtidas através dos dois “sistemas” permite-nos chegar no “estado de Yoga”.

A prática fora do trabalho de Daime, assim como a prática fora da sala de Yoga é essencial. O que eu faço fora desses períodos é que vai determinar o meu estado. A minha atitude perante mim e perante os outros é que condiciona o meu estado.

Desta maneira, posso sair da ignorância e conhecer-me, posso encontrar-me comigo, com o Ser que sou. Há uma música do Santo Daime que diz: “Eu sou, eu sou, eu sou e deve ser”. Os hinários no Daime são como os textos sagrados que se estudam no Yoga: trazem belos ensinamentos que precisam de um estudo refinado e constante.

A construção de valores, o conhecimento sobre a reencarnação, o facto de nos apercebermos de algumas leis universais, o desenvolvimento e apuramento da intuição, a fusão com o Divino que está fora e dentro de nós, mostra-nos como vivemos ligados a tudo e como de tudo fazemos parte.

Entendemos, então a grande brincadeira cósmica. Vemos a realidade como ela é ou, pelo menos, uma parte da realidade como ela é. O reconhecimento de que todos somos um, tudo é a unidade e de que somos unos com tudo o que existe, é a revelação suprema. Assim sendo, qual é a diferença?

Este processo de conhecimento pode ser, por vezes, difícil. Com o Yoga o processo é aparentemente mais lento do que com o Santo Daime porque numa só experiência com o Santo Daime podemos ver, sentir e pode-nos ser ensinado (não quer dizer que se aprenda!) o equivalente, por hipótese, a dez anos de prática de Yoga!?

A questão é que a interiorização dos conhecimentos com o Santo Daime, pelo menos a nível consciente, é muito mais lenta depois de passada a experiência, enquanto que no Yoga a experiência vai sendo construída passo a passo (geralmente) levando-nos numa certa direcção com mais calma e, desta forma, confirmando as nossas escolhas.

No Santo Daime salta-se para estados profundos de conhecimento e lucidez muito rapidamente e é-nos disponibilizada informação perante a qual, por vezes, não há tempo de memorização para posterior lembrança consciente, mas que é de compreensão imediata. Muitas vezes as experiências só são compreendidas mais tarde, por vezes meses depois.

No fundo é tão difícil (ou tão fácil) decidir tomar Santo Daime como decidir praticar regularmente Yoga. Há partes custosas em ambos os processos. Existe uma doutrina que suporta ambos. Existe fanatismo no Daime, assim como no Yoga. Há visões extremistas em todos os sistemas, culturas, religiões, tradições, filosofias, estilos de vida – onde há pessoas, há equívocos.

Existem seres divinos, forças, energias poderosas que são invocados em ambos os caminhos. Poderá haver personificação, através de imagens, figuras ou altares, de entidades como Ganesa ou Siva no Yoga. Assim como no Daime há símbolos que representam entidades às quais se presta homenagem, reverência, às quais nos entregamos na fé, sem medo.

Então, os resultados não dependem do caminho escolhido, mas sim da pessoa que o está a traçar, até um certo ponto – depois de se lançar a flecha já não será assim… De qualquer forma, importa referir que a principal diferença quando comparamos o Yoga com o Daime, é o uso de um elemento externo que expande a consciência, a bebida, que eu prefiro chamar enteogénea (“a Divindade em nós) em vez de alucinogénea.

No entanto, ambos privilegiam e fazem florescer o Amor eterno que existe dentro de cada um de nós por todas as coisas. Assim sendo, confio em ambos os caminhos como possíveis e válidos. Concedo-me o direito de venerar os seres do Yoga como venero os do Daime, concedo-me o direito de usar as duas ferramentas enquanto me servirem na construção do meu caminho como ser humano encarnado aqui na Terra.

Concluindo, concedo-me o direito de poder praticar ambos acreditando que se complementam formando uma unidade. Que o som primordial Om possa ser ouvido por toda a Eternidade por aqueles que buscam o Amor e a sabedoria. Namaste. Amén.

Viva o Yoga! Viva o Santo Daime! Salve os Mestres!

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Sara é professora de Yoga em Portugal.

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Comentário do editor deste website, postado a pedido de alguns amigos e colegas.

Entro neste debate um pouco tardiamente, por conta de compromissos de trabalho que não me deixaram muito tempo disponível nas últimas semanas.

Algumas pessoas têm me perguntado o porquê deste texto ter sido publicado neste website, em algumas ocasiões de maneira agressiva. Isto é natural, já que o tema desperta controvérsias e, em alguns círculos de puristas, também bastante rejeição.

Na visão dessas pessoas, este tipo de texto deveria ser excluído ou rejeitado, dado seu estilo “mistureba”, como coloca um leitor. Alguns motivos me levaram a isso, dentre os quais destaco os seguintes:

1) O texto é conciliador em relação a dois caminhos de realização pessoal que às vezes são vistos como antagônicos ou incompatíveis, e isso já é valioso em si mesmo.

2) A maneira em que o texto é elaborado, naturalmente estimula o debate civilizado de ideias em relação a esses caminhos e seus pontos de chegada, sejam estes diferentes ou iguais, dependendo da interpretação de cada um.

3) Noutro nível, pessoalmente, estava curioso para testar o nível de tolerância dos praticantes de Yoga que visitam este site. Noutras palavras, queria ver o que aconteceria se o praticante tido como “sério”, entrando no yoga.pro.br buscando informações ou recursos sobre autoconhecimento ou técnicas de Yoga, se deparasse com um texto desta natureza.

Ao longo dos últimos dias, o debate foi mudando de foco e, ao invés de se centrar, como teria sido possível, na questão da validade dos caminhos espirituais e suas ferramentas (id est, o autoconhecimento para o Yoga e o vegetal para as diversas denominações que fazem uso do chá), foi polarizando em direção ao assunto Yoga vs droga. Pareceu-me ver uma tendência do tipo “nós contra eles”.

Visão dos leitores sobre o chá.

Da leitura que fui fazendo ao longo dos últimos dias sobre as opiniões que os leitores têm em relação ao chá, creio que essas visões podem ser divididas em três grupos:

1) O vegetal como droga, como evasão dos próprios problemas.

2) O vegetal como fonte de experiências religiosas.

3) O vegetal como meio de conhecimento sobre si mesmo.

1) Como o depoimento pessoal da Manu indica (17/09), o yagé ou ayahuasca não pode ser simpesmente classificado como uma droga, e jogado na mesma vala comum do crack, a cocaína, a maconha, o álcool ou as anfetaminas. Digo isso, considerando a trajetória histórica e os diversos contextos nos quais o vegetal é consumido. Você não compra o chá no morro, onde a polícia e a lei não chegam. Você não ouve de tiroteios por causa do chá, nem disputas entre vendedores, pois não há vendedores nem traficantes.

Não vamos entrar no mérito da discussão sobre se Yoga é compatível com drogas como crack ou cocaína. O fato é que o vegetal, usado em seu devido contexto, não pode ser julgado ou tratado como uma droga incapacitante. Seria o mesmo que equiparar o vinho da missa à cachaça do boteco. Ou seria como achar que Yoga é ginástica.

2) Na hipótese do vegetal ser considerado uma fonte de experiências religiosas, e suas instituições serem consideradas como o que de fato são, religiões, a pessoa que opõe a prática do Yoga à ingestão do vegetal está se colocando contra a possibilidade de que pessoas dessa religião pratiquem ou estudem Yoga, o que vai frontalmente contra a secularização do Yoga que todos defendemos. “Yoga não é religião. Yoga pode ser praticado por pessoas de todas as religões”, dizemos.

3) Este último tema, o do vegetal como meio de conhecimento, é o que menos apareceu no debate. Logo abaixo coloco, nesse sentido, a interessante contribuição de três pessoas amigas, que transitam com fluidez entre as duas tradições.

O vegetal como meio de conhecimento.

Eis três depoimentos pessoais que recebi de amigos que praticam e ensinam Yoga, paralelamente às suas atividades na UDV, União do Vegetal. Estes depoimentos estão alinhados com esse espírito da validade dos caminhos espirituais e suas respectivas ferramentas.

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Certamente, de antemão, posso dizer que o Yoga e o chá (especialmente dentro da UDV que é o único lugar que conheço), têm como meta a mesma coisa: o autoexame, o autoconhecimento e a autotransformação, por uma consciência mais clara, pela limpeza do coração e pela cientificação ou purificação. Jamile Ansolin, Porto Alegre.

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Li o texto agora. Achei bem legal. Nosso ritual é diferente [do ritual do Santo Daime], ficamos sentados durante 4 horas, estudando assuntos, e fazendo um autoexame. É claro que para cada um o processo é diferente, assim como acontece no Yoga.

Mas achei o texto válido, realmente a experiência com o vegetal pode ser mais rápida para algumas pessoas, e se a pessoa estiver bem consciente e focalizada guarda na memória os insights e coloca em prática no dia a dia. Nem sempre é fácil, pois às vezes são mudanças em comportamentos bem arraigados. Mas, querendo, dá para fazer.

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Olha, achei o texto legal… Somos da União do Vegetal, então o nosso ritual é diferente. Mas acho que ela expôs de forma clara e tranquila. Quanto à defender, creio que o melhor caminho é defender que cada um pode ter a sua opinião. Se estiver no Sanatana Dharma, está em casa.

No nosso caso, o próprio nome da religião é União… 🙂 Mas claro, que quem mostra a cabeça está sujeito a ouvir (ler) coisas não tão agradáveis… sabes bem como é.
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Da leitura destes três depoimentos percebemos que aquela aparente polêmica sobre autoconhecimento e experiências (ou Yoga x Daime), perde um pouco o sentido, pois, aquilo que os yogis consideramos ser o pramana, o meio de conhecimento sobre o Ser, é exatamente o mesmo que os colegas acima consideram em relação ao vegetal.

Noutras palavras, o meio de conhecimento, o pramana para atma, na perspectiva dos membros da UDV, é o vegetal. E, se os membros desse grupo afirmam isso, com que direito outras pessoas (que não conhecem a doutrina, nem participaram das suas práticas) julgam o contrário?

Meu mestre, Swami Dayananda, disse em várias ocasiões que qualquer pramana, qualquer meio de conhecimento que revele quem somos, e ensine que já somos plenitude, liberta e é válido. A própria tradição védica, que foi invocada aqui por alguns leitores, é largamente tolerante, como afirma o próprio Rig Veda:

“Ó homem que procuras a verdade!
Abre os braços e permite que ela
venha até ti desde todas as direções.
A verdade é uma. Os sábios irão
ensiná-la de distintas maneiras”.

Autoconhecimento vs experiências.

Dentro do próprio âmbito do Yoga existe, de fato, uma velha polêmica sobre autoconhecimento vs experiências. Uma visita à seção de comentários de outros posts deste website pode comprovar isso facilmente. Não há unanimidade em relação ao que significa fazer Yoga, nem em relação à meta deste.

Algumas pessoas acham que o Yoga seja uma malhação exótica ou uma ”metodologia prática”, enquanto que outras sabem que Yoga é autoconhecimento. Algumas pessoas pensam que o samadhi seja uma experiência e se dedicam a essa busca, enquanto que outras percebem a fragilidade dessa maneira de pensar e agir.

Em todo caso, essa é uma discussão estéril, pois as pessoas que acreditam que o Yoga seja uma prática e que o samadhi seja uma experiência não irão questionar suas crenças, até mesmo se defrontadas com os fatos. Pela mesma conta, aqueles que rejeitam o uso do chá…

Se Yoga significa coisas diferentes para pessoas diferentes, o vegetal também significa coisas distintas para pessoas distintas.

Pessoalmente, nunca experimentei o vegetal nem tenho curiosidade por fazer isso no futuro. Depois de ler o artigo na Wikipédia sobre seus efeitos psicofísicos (que coloco abaixo, para apreciação do amigo leitor) fiquei um pouco preocupado com esses efeitos, pois não sabia que eram tão fortes.

Concordo plenamente, portanto, com o comentário do Felipe (19/09) no sentido de que seria desejável (imagino que aconteça de fato, mas não sei) a presença de um guia ou instrutor para selecionar as pessoas avaliando se, de fato elas estão preparadas para participar do ritual.

Não obstante, respeito plenamente as pessoas que, dotadas de bom-senso, fazem uso do vegetal, seja como meio de conhecimento, seja como religião, desse elemento oriundo da cultura nativa da América do Sul. Obrigado pela atenção e desculpem a extensão do comentário. Feliz primavera para todos! Namaste!

Pedro Kupfer.

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PS: Sobre os efeitos do chá, diz a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ayahuasca):

De fato, não há dependência física conhecida, ainda que a necessidade intrínseca do uso da planta em todos os ritos para se atingir estados alterados seja visto por alguns como manifestação de uma dependência psíquica bastante estimulada pelo contexto religioso e social.

Existe também um estudo, realizado com desenho duplo-cego controlado com placebo, que demonstrou que a ayahuasca, administrada de forma aguda para consumidores com larga experiência com a bebida, reduz sinais relacionados ao pânico, diminui a desesperança e não altera os sinais relacionados com a ansiedade.[3]

(…)

Não há dados científicos que indiquem riscos em relação à saúde física. Há, contudo, constantes relatos de vômitos e sudorese em alto percentual dos que a experimentam, o que sugere tentativas do corpo em expelir a substância. O uso contínuo, entretanto, parece favorecer uma tolerância química ao princípio ativo e conseqüente diminuição da intensidade dos sintomas.

Em alguns casos, a ingestão pode levar a sensação de medo e perda do controle, levando a reações de pânico. Na maior parte das vezes tais reações passam junto com o efeito da bebida, sem necessidade de atendimento médico, não existe o risco de desencadear nenhum tipo de quadro de síndrome de pânico.

O consumo da bebida pode também desencadear quadros psicóticos em pessoas predispostas a essas doenças, ou desencadear novas crises em indivíduos portadores de doenças psiquiátricas tais como transtorno bipolar e esquizofrenia.[8]

Guru Pūrṇima, a Lua do Mestre

Pedro Kupfer em Conheça, Dharma Hindu
  ·   2 mins de leitura

46 respostas para “Santo Daime ou Yoga?”

  1. Apenas por se revisar suas próprias concepções a respeito de temas polêmicos como esse o yoga como purificação já está acontecendo,ainda mais se você é um praticante e reconhece e permite que suas certezas sejam enxergues pela luz de sua atenção sincera. quanto ao uso de substâncias naturais que aprofundam a exploração de diversas camadas de nosso ser,a questão está por demais emaranhada em concepções sobre o e pararelas ao tema,grande parte delas herdadas. O texto foi sobre o uso do daime específicamente mas enquanto escrevo meu comentário penso mais sobre essa dificuldade aparentemente insolúvel de nossa cultura em relação a ganja.Ai de mim se resolver dizer em alguns contextos que uma boa luz veio do uso que fiz desta planta do meu quintal.Nunca usei o daime mas acredito que como a ganja, no efeito se manifestem apreensões ,percepções,ponderações sinceras ,tomadas de consciência sobre a eventual aridez de nosso intelecto, ao mesmo tempo júbilo sobre nossa capacidade de sentir e entender.Aplicando as virtudes que o yoga convida a possuir como uma direção sincera a experiência ou aproveitando a expêriencia para desenvolve-las, se tem em mãos a possibilidade de se sintonizar mais de perto com o sagrado ,com um sentir mais puro e direto da vida que nos cerca e preenche,oque nos dá gradualmente maior localização em meio ao dharma. Quando uso a palavra experiência me refiro a um esforço da alma que pode e deve dar um fruto mais perene.E essas expêriencias podem ser de valor como um processo purificatório, e doadoras de direção , inspiração, culminando em um possível compromisso para oxalá se reconquistar o âmago do sujeito que vivenciou experiências psicodélicas e não psicodélicas. Com certeza o espírito receberá a todos , e haverá tempos melhores onde haja júbilo e interesse consciente nos diversos aspectos da vida humana,animal e vegetal e no valor de cada um deles,então será mais fácil enxergar a totalidade no centro de tudo. Quem sabe na satya yuga legalizam a cannabis no brasil!

  2. Namaste Yoga Pro.
    Parabenizo pela coragem e abertura em publicar e clarear um assunto ainda tão desconhecido no meio do yoga e do Brasil.
    Vale a pena citar que existe uma bebida vedica conhecida como SOMA, feita de ervas, onde os Sadhus e Rishis utilizavam-na para suas conexões divinas.

    Pratico Yoga a 20 anos (1997), nunca bebi alcool e nunca usei nenhum tipo de droga em minha vida (maconha, cigarro,etc).
    A poucos anos atrás participei de uma cerimônia Peruana e minha percepção do mundo, da vida e da minha prática mudaram completamente.
    Muitos preconceitos e julgamentos caíram por terra.
    Sigo praticando muita meditação e Yoga e a medicina (ayuaskar) me ajudou a respeitar os diversos caminhos…

    Mais uma vez: parabéns pelo texto inicial e pelo brilhante texto complementar.
    Grande abraço.
    Hari Om Tat Sat
    Sandro Shankara

  3. Boa noite a todos.

    Sou praticante de yoga a 6 anos, e participo de rituais do santo daime a 8 anos.
    Achei muito interessante despertar este debate junto a um grupo de yoga, e dai constatar que as opiniões de cada pessoa continuam similares as opiniões de outros grupos ”espiritualistas”, uns em relação ao outro.
    Alguns com um olhar mais equilibrado, buscando pontos convergentes, promovendo a união, o auto conhecimento, o respeito, a aceitação; outros radicais, tendentes a um único caminho na busca da verdade.
    Muitos apesar de toda prática, de todo o esforço, se emaranham no julgamento do ser.
    Cada linha de auto conhecimento tem seus méritos, seja os yoguis, os budistas, os daimistas, os cristãos, evangélicos, umbandistas,…
    Durante a minha curta caminhada que tenho na busca do autoconhecimento, já me deparei com pessoas que acham que só existe uma forma de realizar o caminho, a verdade, a vida.
    Muitas destas pessoas pude constatar, falavam uma coisa, mas agiam de forma diferente.
    O grande mérito seja de qual caminho for, é buscar a caridade, a união, o respeito, a compreensão, assim estaremos chegando na verdade, na libertação.
    Jesus quando passou aqui na terra falou que na casa do meu pai existe várias moradas.
    E é interessante ressaltar, que estas moradas não são para dividir os yoguis dos budistas, os daimistas dos cristãos, os evangélicos dos umbandistas.
    Mas sim para que cada qual indivíduo vá para a sua morada de acordo com os seus méritos deixados aqui na terra, com seu conhecimento e elevação espiritual.
    Acredito que o grande mérito alcançado por cada uma das linhas de autoconhecimento, somente será válida quando a luz da libertação, se refletir ao seu redor, as pessoas e ao mundo.
    E isto só será possível quando começarmos entender o significado da palavra AMOR.

    Namaste .. a todos os seres viventes

  4. Bom vamos lá,

    Quem entende ou tem noção da constituição de nossos corpos, e da cultura védica e/ou de outras tradições espirituais, sabe que cada um tem sua constituição, e também sabe das formas-pensamento.

    O crescimento individual, para que o “SER” possa assumir, depende de trabalho individual e ao longo das encarnações.

    Para ser breve, na atual YUGA não há espaço para uso de “muletas”, pois estamos prestes a passar para a “Satya Yuga” onde reina o discernimento, portanto o uso de qualquer substância que não o alimento físico saudável, só irá iludir e atrapalhar a ASCENÇÃO .

    Esta estória de ayuahuasca e outras, sob o codnome de entógenas é andar para trás,.

    Aprendamos a controlar o soma, o psicosoma e o mentalsoma, utilizando-se do controle do prana, mentalizações e trabalho árduo, ai sim teremos um avanço real de sutilização.

    Namastê

    Paulo

    1. Pelas pessoas que vi, não há muita diferença entre os que tomam ayahuasca e os que praticam qualquer tipo de técnica . Nada disso consegue ao meu ver (que pode estar errado mas não penso que esteja) libertar o ser humano de sua vaidade e preconceitos, ao contrário inflam o senso de sua própria auto importância.

    2. Você esqueceu de falar em controlar a língua como no seu caso que vem para cá dando uma de sabichão, falando em soma pra lá soma pra cá. Dizendo o que é andar pra trás, estabelecendo o que é certo e o que é errado para os outros, impondo seu ponto de vista. Nada a ver. Mas numa coisa você está certo, pessoas como você sem discernimento só servem pra atrapalhar.

  5. Irmãos,

    apenas uma observação: muitos comentários partem para uma crítica em relação ao Yoga e o uso do ayhuaska, contudo, em nenhum momento do texto a autora propôs tal fusão. Na verdade, apenas traçou um paralelo entre a similitudes entre várias técnicas yógicas e a prática ritual do Santo Daime, tal como feito por vários autores em relação a outras manifestações culturais, como por exemplo Mircea Eliade em “Yoga: imortalidade e liberdade”, que traça esse paralelo entre as técnicas yógicas e o budismo, rituais muçulmanos, xamanismo, alquimia etc.

    Shanti Shanti

    1. Muito bem observado Raphael!Mas no título “Santo Daime – OU – yoga ” ela joga com a escolha de um ou outro, não? Ela diz tipo – são excludentes -….

    2. Muito bem observado Raphael! Mas no título “Santo Daime OU Uoga”, a autora joga com a escolha entre um e o outro, não? Ela diz tipo “são excludentes”…

  6. Não fugindo ao tema, quero deixar aqui a informação que actualmente os psicadelicos estão voltando a ser tema de estudo pela ciência. Após terem sido banidos e proibidos de serem estudados, finalmente as portas estão se abrindo de novo!
    Por que será que na Suiça estão testando com exito, psylocibina (cogumelos magicos) em doentes com cancer em estados terminais? Por que após a experiencia, o doente consegue vencer a ansiedade da morte que se aproxima? Por que estão usando MDMA em pessoas com stress pós-tráumatico com enorme exito?
    Não menosprezo de forma alguma a capacidade que o Yoga tem, de permitir a auto descoberta, dai estar iniciando a prática a de novo após alguns anos afastado dela. Mas como alguem ao ver um yogi sentado em lotus dizia: -Por que não toma um LSD, será mais rápido!!! Atenção: o que acabei de dizer não é para levar a sério, o uso de enteogéneos não deve ser feito de animo leve, é preciso preparação e muito sentido de responsabilidade.
    E isso é muito diferente de usar LSD para ir para festas dançar a noite toda. Não entendo é quem coloca o Yoga tão longe dos enteogeneos, quando na India antiga e segundo se acredita na sua preparação era usado o Amanita muscarius, outro cogumelo alucinogéneo!
    Isto acaba parecendo a história dos cegos em redor do elefante, todos o apalpam e tentam descrever o que ali está diante deles, um ao apalpar a tromba diz que é um aspirados, outro mexendo no rabo diz que é uma vassoura, outro ainda….

  7. Gosto de ler os textos do Olavo de Carvalho, mas não concordo com muitas coisas, principalmente no que diz respeito aos enteógenos. Acho que se ele não ficasse atirando para todos os lados, seria mais fácil que suas idéias realmente importantes fossem escutadas.

  8. É interessante ver tais comentários neste site. No Yoga Sutra (IV, 1) , do Patañjali, está escrito:
    “Os siddhis podem ser alcançados por nascimento, por ervas medicinais [auśadhi], por mantras, pelo Tapas ou por Samádhi.”

    Assim sendo, o uso de ervas medicinais com o intuito de ajudar a desenvolver habilidades (inclusive a de se auto-conhecer) esta prevista no Yoga.
    Do meu ponto de vista, a questão é que a prática regular (abhyasa) é a escolhida por Patañjali pois só ela da a consciência sobre o todos os processos.
    Ela também permite se enquadrar num fator fortemente Yogi, a auto-suficiência. Esta é a razão pelo qual o Yoga é visto como um Darshana.
    A sua capacidade de tornar seu praticante, auto-suficiente.

  9. Esse texto é uma grande oportunidade para eterna busca do conhecimento. Conheci o Yoga em 2000 na cidade de Brasília e me reencontrei com essa filosofia milenar que estava adormecida em meu espírito descobrindo o milagre da mente alerta.
    No ano seguinte conheci o Santo Daime e iniciei um árduo caminho de autoconhecimento e cura. Atualmente, como psicóloga e terapeuta holística continuo buscando esse mesmos caminhos e aberta a novas descobertas, pela integração total, guiada pelo meu coração o ponto de conexão com o Universa. Essa centelha integra corpo, mente e espírito delineando a originalidade do meu Ser.
    Acredito ser essa a melhor contribuição de cada partícula divina, viver em consciência a sua própria essência. Entendo a riqueza dos debates quando baseados também em experiências, pois o aprendizado torna-se mais proveitoso quando é integral, teoria, prática e troca de experiências.
    Com essas duas profundas filosofias aprendo a me integrar e me libertar da ignorância e da cegueira e principalmente a tornar-me consciente de que sou mais uma partícula universal buscando retornar ao todo Cósmico.
    Assim compreendo que a fragmentação do externo reflete a fragmentação interior. Procuremos todos nos entregarmos ao Universo para verdadeiramente nos integrarmos e podermos assim afirmar conscientemente que somos todos UM!
    A NOSSA FORÇA É A UNIÃO DE TUDO!

  10. Parabéns a Professora Sara pelo texto e por abrir essa discussão entre as práticas espirituais. E bom ressaltar a todos nós o que já sabemos, mas teimamos em esquecer durante nossa longa jornada espiritual que é o JULGAMENTO.
    O que é bom pra mim não necessariamente é bom para o outro e assim construímos nosso caminho. O Santo Daime (ayuhuasca) é um sacramento, um veículo, uma força da natureza, um perfeito equilíbrio entre o masculino (cipó Jagube) e o feminino (flor Chacrona) perfeita comunhão com o Pai e a Mãe.
    Enquanto muitos julgam o Santo Daime como alucinógeno, pois Eu digo ele é um desalucinogeno, e quando dizem que é uma lavagem cerebral, pois Eu digo, é realmente uma lavagem cerebral mesmo, onde temos a oportunidade de fazermos uma boa limpeza, uma higienização na nossa mente e em nosso coração, protegidos pelas forças da natureza, pelo nosso Mestre e por todos os seres divinos que realmente estão mas preocupados na nossa evolução e do planeta Terra do que está discutindo questões criadas pelos homem.
    Gostei muito do texto da professora pois em nenhum momento ela faz uma competição entre as práticas espirituais e sim um perfeito casamento do Santo Daime e Ioga na busca ao encontro com o divino.
    Meus irmãos vos digo o tempo agora é de união de usarmos nossa inteligência espiritual em benefício de nós mesmo e de todos os seres que se encontram adormecidos, positivando a transmutação do nosso planeta onde nele habita: os Iogues, os Daimistas, os Católicos, Os Umbandistas, Evangélicos, Espíritas, os Ateus etc… O tempo agora é de UNIÃO.
    PAZ, LUZ E HARMONIA A TODOS. SEMPRE…

  11. Tenho pouca experiência com o Yoga, venho praticando desde o início de 2009. Também desconheço a Religião ligada ao Chá.
    Mas confesso que fiquei muito decepcionado ao ver este tipo de assunto sendo tratado e/ou discutido aqui.
    Acho que o Yoga ensina a busca da lucidez, a higiene física e mental; logo algo que no organismo produza efeitos “diferentes” na mente, não deveria ser motivo para discussões neste conceituado local.
    Namaste!
    =====
    Caro Rivaldo,

    Você ficaria surpreso, e ainda muito mais decepcionado se soubesse da quantidade de autodenominados “yogis” e “professores” que usam drogas como maconha, álcool e outras piores.

    Creio que o fato de termos decidido ventilar aqui este assunto, à luz de uma discussão aberta, não precisa ser interpretado como um erro do veículo que possibilita o debate.
    Ele aponta para uma vontade de convidar à reflexão e esclarecer as coisas, ouvindo os diversos pontos de vista sobre o assunto, já que este é uma realidade que vemos acontecendo frequentemente.

    Na hipótese de algumas pessoas considerar que possa haver algo de errado na combinação dessas possibilidades, não seria conveniente debater sobre isso?

    Se temos algo para discutir dentro do ambiente do Yoga, se há controvérsias sobre algum assunto, devemos nos omitir e fazer de conta que a questão não existe ou sair à luz do dia para conversar francamente?

    Namaste!

    Pedro Kupfer.

    1. Prezado Pedro Kupfer,
      Gostaria inicialmente de agradecer a sua atenção e dizer que tem toda a razão ao estimular a discussão do assunto.
      Por outro lado, pode passar a impressão de que o tema veiculado tem o aval do meio de comunicação, que não foi o caso.
      Pois em geral fazemos julgamentos inconscientes e rápidos.
      Namaste!
      Rivaldo.
      Cuiabá Mato Grosso.

  12. Esse lance é complicado, criam a idéia de que ao vomitar, e ao ter uma diarréia está se purificando… estranho, me parece o organismo rejeitando algo estranho e potencialmente prejudicial, pra não dizer violento ao forçar \\\’visões\\\’.
    Sabe-se que quando próximo à qualquer Mestre Iluminado acaba-se por estar na presença de alguém que, por si próprio, purifica: agora imagine: Arjuna junto à Krishna, vai perguntar e começa a vomitar e defecar…
    Um mosteiro, o abade e os discípulos com um balde pra vômito? Jesus apontando pra escolher seus discípulos, e quando aponta o dedo, um a um começa a vomitar e defecar?
    Respeito quem faz essa experiência, afinal é um tipo de busca, mas continuo pensando que um LSD é mais eficiente, e menos enbaraçoso: sem vômitos ou diarréias.
    Tentar aproximar yoga de Daime, não há conexão. É um tipo de droga, nada mais, e o fato de ser natural não muda isso, se é natural, porque não pratica e obtenha o mesmo efeito sem o chá?

  13. Ao me ver o assunto é polêmico, mas nao concordo com o texto em tentar comparar o Yoga com o daime, entendo toda parte ritualistica do daime, é muito interessante suas miraçoes no aspecto em que se tornamos observador de nossa propria consciencia, com certeza é uma forte arma para alcançarmos estados mais amplos da consciência, mas nao é para todos!
    Respeito muito, ja participei de encontros, e percebo que essa pratica teria que ser trancada a sete chaves e preparar muito bem uma pessoa antes de usa-la. o yoga em suas vertentes existentes, um praticante regular nao possue nem 30% dos riscos que um usuario de daime tem com seu espirito, corpo e principalmente mente, sendo bem humilde, com essa estatistica.
    A hiperconsciencia deve ser estimulada somente com nossa biologia, é muito mais interessante sabermos estimular nossa capsula que viajamos nessa encarnaçao. do que usando objetos externos para tal.

  14. Fui convidada a beber o vegetal (ayahuasca). A pessoa que me fez o convite pronunciou a seguinte frase: “o vegetal te dá em segundos o que os yogis passam a vida inteira buscando”.

    Não é bem assim. Com o vegetal tem-se experiências significativas que podem trazer compreensões do univero, dentre outras coisas, mas quem disse que os yogis estão em busca de experiências?
    O Yoga, fecundado pela visão do Vedanta, forma um pacote completo, que se basta por si mesmo. Não precisa de mais nada. O Yoga te dá o que o vegetal pode te oferecer e muito mais!
    Namaste!

  15. O texto está muito interessante, parabéns para a autora pela coragem, já que certamente é um assunto que desperta polêmica. Após ler os comentários tive vontade de escrever… Há mais ou menos um mês fui convidada para um roda de danças chamada Juremar.
    Eu, que sou animada para as coisas novas e que gosto das danças circulares, fui me inscrever feliz da vida. Gosto também do folclore indígena, das nossas raízes, da gente dessa terra. Soube então que faríamos uso de ayuhuasca, o que de certa forma, num primeiro momento, me amedrontou.
    Não fui procurando yoga, iluminação ou qualquer coisa do tipo. Confesso que faço questão de manter uma abertura no meu coração, mesmo que o yoga e a tradição védica me ocupem quase todo o espaço.
    Mas nessa ocasião eu estava até que tranquila e curiosa, aceitando que aquilo me apareceu em hora oportuna, momento de mudanças, de reflexão. Enfim, tomei o chá e como ex-adolescente rebelde posso dizer que aquilo não tem nada a ver com droga, nada.
    O ritual é sério, as pessoas que coordenam, seja do Daime, da Barquinha ou desses rituais menores, são preparadas. Quem acha que aquilo dá um baratinho qualquer não imagina o que realmente acontece.
    Uma coisa não ameaça a outra. Yoga é yoga e ayuhuasca é ayuhuasca (daime ou seja lá que outro nome tenha). Não existe um só caminho, inclusive dentro do yoga como um todo. E acho que já estamos fartos de brigar pelo autêntico, o mais antigo ou o tradicional.
    Mas assim como reconheco o efeito de um bom panchakarma, reconheci esse chá como uma inacreditável (e é mesmo impressionante) purificação. Mesmo quem estuda sabe que de vez em quando a mente não está tão afiadinha como de costume.
    Que o que a gente come, o que a gente vê e como a gente se relaciona modifica nossos estados mentais. Que os yogues fazem uma série de purificações e que o ayurveda faz uso de plantas e ervas para efeitos terapêuticos e medicinais.
    Ayuhuasca é sabedoria milenar da tradição e da gente dessa terra e deve ser respeitado. É coisa de “cura”, se quisermos assim falar, como a tradição védica, o yoga e o ayurveda.
    E tudo bem que as experiências não sejam o objetivo, mas que aprendemos com elas (se quisermos) ah, isso é inegável, ou então para quê viver?
    Enfim, esse mundo é muito vasto. Acho que temos espaço para todas as tradições… ta aí uma das coisas lindas do Brasil…
    Abraço!
    Namastê!
    Manu.

  16. São duas ciências milenares que combinadas abreviam (ou atenuam) o sofrimento da encarnação.
    Vivam os Mestres destas forças que nos trazem os remédios! Parabéns pelo texto, Sara!

  17. Parabéns ao yoga.pro.br pela iniciativa e coragem de publicar este polêmico texto.
    Que a arte do debate seja perpetuada, que os pontos de vista diferentes enriqueçam nossos estudos.
    Estes posts de comentários ensinaram tanto quanto o texto!
    Obrigada.

  18. Olá Sara,
    Parabéns pelo belo e corajoso texto. Mas acho importante ressaltar algo. Acredito que vários são os caminhos para o autoconhecimento.
    No entanto, é difícil pensar em autoconhecimento sem lucidez ou clareza mental. O uso de substâncias naturais ou sintéticas com o objetivo de induzir ou apressar a caminhada para a libertação pode ser danosa não apenas ao corpo físico.
    Muitos, se não a maioria dos que buscam a libertação dos condicionamentos estão fragilizados e presos nos seus padrões mentais doentios e sem a sua melhor capacidade de discernir sobre si e sobre o uso de tais substâncias.
    Podem, inclusive, se sentir seduzidos pela promessa de libertação ou “cura” , ou ainda com o uso de chás ou ervas exacerbar seus padrões mentais e piorar o quadro emocional e mental.
    Isto serve também para as religiões ou rituais ou filosofias que usam outros indutores, que não necessariamente substâncias químicas, mas música, dança, “passes”, “relaxamentos” que mexem com as emoções e permitem interpretações equivocadas da realidade.
    São caminhos violentos e não compatíveis com a yoga que tem uma proposta inversa a tudo o que anteriormente falei. QUE POSSAMOS BUSCAR O DISCERNIMENTO E A LIBERTAÇÃO COM A AJUDA DO YOGA.
    UM ABRAÇO.

  19. Acho que esse diálogo se divide em dois grupos: os que beberam o daime e os que não beberam. Acredito que a ilusão está no observador seja no daime, yoga ou fazendo um bolo.
    Podemos chegar a iluminação com essas três coisas ou nos iludirmos com elas. Não existe experiêcia é interna ou externa.
    “O que está dentro é como o que esta fora e o que está em cima é como o que está em baixo” Já diria Hermes Trimegistros.
    A diferença entre ilusão e não ilusão é tão sutil que nenhuma diferença filosófica, técnica ou metodológica pode abracar.
    Eu escolho o Yoga, mas respeito o profunamente o Yagé, pois já o bebi. No fundo apenas no nosso íntimo mais profundo e recolhido encontra-se o fim que está para além de qualquer meio.
    Como chegar até lá, cabe a cada um trilhar o seu caminho.

  20. Reduzir o uso ritual da Ayahuasca ao simples uso de uma droga, me perdoem, mas denota uma grande falta de conhecimento sobre o assunto, e ate um pouco de preconceito. Sobre a dependecia quimica ou psiquica provocada pela Ayahuasca, isso eu nunca vi.
    Existe sim o fanatismo, o uso da religiao como muleta, assim como tambem ja vi isso entre praticantes de Yoga e demais seguidores de diversas doutrinas religiosas, independente de se usar ou nao Ayahuasca.
    Há milenios a humanidade vem buscando conhecimento atraves de estados alterados de consciencia, e essa tradicao se faz presente no Yoga tambem. Seja uma serie de Bhastrika, um Surya Namaskar bem feito – com todas as retencoes e contracoes! (desculpem a grafia incorreta), ou um copo de Ayahuasca, os circuitos cerebrais ativados sao os mesmos, os neurotrasmissores envolvidos sao os mesmos, logo, nao vejo sentido em chamar esse ou aquele caminho de ilusao.
    Nao, a ilusao nao esta ai. A ilusao esta no apego ao meu ver. Apego a sistemas, doutrinas e ideias pre-concebidas. Parabens a autora por abordar um tema tao polemico.
    Muita paz a todos.

  21. Me entristece ver pessoas julgando sem conhecer. Assim como não há como falar do Yoga sem praticar e estudar, não tem como falar do Daime sem experimentar e compreender. Qualquer coisa fora disso é puro preconceito.

  22. Olá Sara,
    Seu texto dialoga harmoniosamente com as duas práticas, sou da UDV, comungamos, de uma bebida SAGRADA.
    Sabemos que o ritual é um momento especial e muito sério, assim como a prática do Yoga, a prática do bem. também estou no caminho sagrado do yoga.
    Ffico feliz quando encontro textos assim, claros.
    Namastê!
    Isadora Lidia.

  23. Interessante, mas não penso exister qualquer diferença entre alucinógenos naturais ou sintéticos, nesse sentido, porque não Yoga e LSD? O xamanismo, e Mestre Irineu, são grupos que usam alucinógenos com fins religiosos, nenhuma tradição nisso.
    Coisa nova, o Soma é feito de uma formula especifica, assim como no Tantra existem algumas práticas semelhantes, no Tantra budista de Dakini ou Heruka, são utilizadas pílulas que alteram a consciencia, mas, na minha opnião, não há nada demais nisso, um LSD dá na mesma, nunca usei, mas alucinógeno é alucinógeno…
    Uma turminha dançando, e cantando, em torno de um rito pra usar um chá indígena, pensamos ser algo extraordinário para não aceitar o quão seria simples adminitir que qualquer droga direcinada pela atenção correta daria o mesmo efeito: ilusão.

    1. Anderson,
      Gostaria de dizer, com a máxima consideração que não concordo com a sua afirmação. Uma coisa é uma droga sintetizada nos anos 30, outra coisa é uma substância usada milenarmente. É como dizer que yoga ou aeróbica são a mesma coisa, exercício é exercío. Redutor, não lhe parece?
      Alucinogénio é alucinógeno? Não, cada uma das substâncias tem o seu principio activo, são radicalmente diferentes uns dos outros. saboia que a DMT, o princípio activo do daime, é naturalmente segregado pelo nosso cérebro? Que a substância é tão inócua como a água?
      No fundo parece que cada um quer defender o seu caminho, desvalorizando o outro.Esta foi o motivo pelo qual as religiões se tornaram sinónimo de guerra e dsicórdia e não de paz e compaixão. Porque todos julgam ter razão e querem impo-la ao outro. Isso parece-me tão desnecesário, um gasto enorme de energia, para nada…
      Estamos a falar de dois caminhos espirituais válidos. Poque não cada um seguir o seu, sem atacar o outro, reduzindo-o? isso só demonstra insegurança e preconceito. E acho este estudo comparativo interessante.
      Alguém já leu A Teoria de Tudo, de Ken Wilbur? Tudo pode ser comparado, não é ofensa nenhuma para ninguém, porque há verdade em tudo. E esta comparação parece-me bem pertinente. Parabéns á autora, náo é fácil pegar num tema tão polémico e expor-se assim.
      Bravo.

  24. Olá Sara!

    Hari Om!
    Concordo, quando você coloca que essas duas práticas (ou ferramentas) servem na busca do auto-conhecimento. Contudo, é importante ressaltarmos como você tão bem descreveu no final do texto, que o Daime utiliza de um elemento externo para isso.
    Acho um tanto delicado e perigoso esse tipo de abordagem, já que o Daime é uma droga e essa associação pode ser feita com qualquer outro tipo de droga. É importante lembrarmos que o Yoga é o cultivo de uma atitude.
    É algo muito simples, mas muitas vezes difícil de ser colocado em prática. Quando utilizamos um elemento externo para nos conectarmos com algo existe uma limitação, já que uma hora o efeito da droga acaba. É sabido que não há sentido buscarmos o ilimitado, a essência daquilo que nós já somos, dentro de uma experiência limitada, pois o resultado sempre será a limitação.
    Acho que esse tipo de abordagem é muito importante ser discutida, pois atualmente vemos uma grande tendência em associarmos o Yoga com aquilo que ele não é. Isso cria uma certa confusão. Daime e Yoga podem ser buscas semelhantes, mas por meios totalmente distintos.
    Curiosidade: Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções. Qualquer droga é potencialmente tóxica, o grau de intoxicação depende da intensidade de seu uso, sendo diretamente proporcional.
    Mesmo com drogas aceitas, toleradas ou até incentivadas pela sociedade é possível chegar ao abuso e dependência química. A pessoa que usa drogas acaba ficando dependente por um bom tempo, até que resolva tratar-se ou decidir abandonar as drogas. Daime ou Yoga? Para mim, Yoga!
    Om!

    1. Parabéns pelo texto!
      Respeito e tolerância pela necessária variedade de caminhos espirituais, compatível com a variedade de forças kármicas e momento evolutivo de cada ser, merecem ser comemorados.
      Alguns aqui falaram em “drogas”… Creio que devemos mais respeito ao que a Mãe Divina nos oferece como ferramenta de evolução. Plantas de Poder não são drogas, são dádivas!
      Quanto ao argumento de substâncias naturais ou sintéticas que alteram o estado de consciência: o que diríamos do estado de consciência de um faminto ao ingerir um prato de arroz com feijão?
      E o que dizer das centenas de substâncias liberadas em nosso organismo por nossos próprios pensamentos?
      Om.

  25. Achei muito legal o texto e as comparações mais acredito que para que os resultados aconteçam devemos escolher apenas uma pratica e segui-la com confiança, foco e determinação.
    Quando um individuo segue diferentes doutrinas nenhuma delas acontece de verdade! Seja qual for a sua escolha dedique-se a ela!
    Boas práticas 🙂
    Namaste!

  26. A questão levantada pelo texto, entre leitores, me faz lembrar da frase clássica da poesia pessoana:
    Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
    Cada um que seja sábio o suficiente para ter capacidade de medir a sua!
    Harih Om!

  27. Muito bom o texto, muito lucido!
    E ah, estão todos corretos nos comentários!

  28. Concordo em pleno com tudo o que o Simão escreveu.
    Aliás prefiro pensar que tudo isto não passa de um tremendo equívoco.
    Depois de Yoga para cães, para donas de casa, dentro e fora de água…
    Agora só faltava aparecer o Yogadaime.
    Enfim…

  29. Complementando o que o Simão acertadamente disse:
    O conhecimento espiritual é bem alheio a qualquer gênero de “experiências”, principalmente porque reside na aquisição, espontânea ou voluntária, de uma nova maneira de ser geral e permanente que, por isto mesmo, não pode ser objeto de sensação ou experiência tanto quanto a personalidade mesma, considerada em conjunto, jamais o é. v. texto integral em: http://www.olavodecarvalho.org/textos/daime.htm

  30. Caro Simão,
    diz que esse tipo de substâncias não traz “aquilo que tanto buscamos?. Mas será que todos buscamos o mesmo? Ou pelo menos, deveremos todos buscar da mesma forma?
    Só existe um caminho, que por acaso é aquele que escolheu? Eu não vejo neste texto um equívoco ou confusão entre yoga e psicadélicos, parece-me que a distinção entre os objectos está perfeitamente demarcada, apenas são observados, de forma particularmente perspicaz, alguns pontos comuns.
    Eu pratico yoga há 8 anos e, apesar da minha experiência com psicadélicos ser muito limitada, foi tremendamente profunda e reveladora, com um profundo impacto na minha existência. A experiência psicadélica não termina quando acaba o efeito da planta, ela persiste e integra-se no ser.
    Dizer que não formam uma unidade não me faz qualquer sentido. Eu sou uma unidade, o somatório das minhas experiências e práticas são uma unidade, tudo são células do mesmo organismo vivo, tudo é uma unidade.
    Este texto fala de dois caminhos, ambos válidos e não conflituantes. Repare Simão que a tradição Xamânica de uso de psicadélicos tem mais tempo do o Yoga e a Tradição Védica. E quanto ao facto de ser uma experiência, caro Simão, tudo é uma experiência enquanto habitamos estes corpos físicos.
    Acho que pelo facto de eu praticar Yoga há 50 anos, ou ter uma experiência com um psicadélico de 6 horas isso faz qualquer diferença? Pense no tempo cósmico, na eternidade da consciência, tudo é uma experiência, a nossa própria vida física é uma experiência.
    O nosso tempo aqui é um piscar de olhos. Penso que muitas vezes as críticas a aspectos que misturam várias tradições, vem de uma perspectiva algo fragmentada da experiência humana ou duma visão quase religiosa das tradições, como a Tradição Védica, que muitas vezes vejo a defender da mesma forma que as testemunhas de Jeová defendem a Bíblia.
    Neste plano físico, limitados como estamos pelo nosso corpo físico, não existem verdades absolutas. Existem caminhos, cada um poderá encontrar o seu sem fanatismo, inflexibilidade ou dogma. Mas apesar de tudo, nada é mais poderoso que um coração cheio de amor. Com ou sem Yoga, com ou sem psicadélicos, nada é mais importante do que o amor.
    Se estas experiências de suposta iluminação, tenham a fonte que tiverem, forem egocêntricas, competitivas ou pretensiosamente exclusivas, serão apenas mais um factor de competição e desarmonia.
    Não faz sentido adoptar a postura: “a minha prática é mais verdadeira do que a tua”, ” o meu caminho é real, o teu é ilusório”, “eu tenho a verdade”, este é o caminho que na leva à disputa e então, aquilo que deveriam ser caminhos de iluminação, são defendidos como se defendem clubes de futebol.
    Alguém com um ponto de vista honesto e integral, observando a história da humanidade, poderá sinceramente dizer que a Tradição Védica é mais verdadeira ou correcta do que a Tradição Xamânica? Ou o oposto?
    São apenas caminhos, deixados pelos nossos ancestrais, pelos que nos precederam… São muitos. Que cada um encontre o seu, o explore e que isso o leve a amara-se e a amar tudo o resto. Não há necessidade de os defender, estão bem além disso. E não há necessidade de nos levarmos muito a sério também?

    1. Caro Rock,
      Obrigado pelo seu comentário ao meu comentário. Em nenhuma altura, no comentário que fiz, disse que aquilo que eu faço ou o meu caminho é melhor que o dos outros, que a minha prática é mais verdadeira, etc.
      Em nenhuma altura disse que a Tradição Védica é mais verdadeira ou mais correcta que a tradição xamanica.O único que disse é que a visão do Yoga dentro da Tradição Védica é muito distinta do caminho através de substâncias.
      Obviamente que somos todos 1, obviamente que cada um faz o caminho que entende ser mais correcto para si, não é isso que está em questão, mas sim a semelhança ou não entre Yoga e Santo Daime.
      É disto que o texto trata.E em relação aos caminhos, eu não concordo obviamente que todos os caminhos vão dar no mesmo porque se pensarmos assim basta olharmos para vermos o que as pessoas têm feito em nome de religiões, seitas, etc.
      Se identificamos o problema do ser humano como sendo a ignorãncia, o único caminho é o conhecimento que afastará a ignorância que tenho acerca de mim mesmo.
      E o conhecimento não vem da experiência como já expliquei no comentário anterior. Termino reafirmando a minha posição: o Yoga (dentro da Tradição Védica) não tem nenhuma semelhança com o uso de Santo Daime ou outra substãncia.
      Namaste.

  31. Não poderia deixar de comentar este texto pois parece-me que se está a cometer um tremendo equívoco ao confundir-se o Yoga com substâncias alucinogéneas. A Tradição Védica, na qual o Yoga está inserido, diz-nos muito claramente que o conhecimento de si-mesmo nunca virá através de uma experiência.
    Por muito espectacular, grandiosa, iluminadora, reveladora que a experiência seja, esta nunca trará o conhecimento de quem eu sou, simplesmente porque eu sou aquele que está por trás da experiência, sou a testemunha consciente e portanto não posso ser objecto de experiência. Não posso ver o Ser, sentir o Ser, escutá-Lo, etc, porque eu já sou esse Ser.
    Uma experiência é sempre limitada no tempo e no espaço e o que quero conhecer é este Eu, ilimitado, pleno, sempre existente. Uma experiência não me pode mostrar quem eu sou porque a experiência é limitada em si e o limitado não pode revelar o ilimitado.
    Está-se a confundir Yoga com práticas de técnicas numa sala com incenso e música oriental e aí, realmente, as técnicas também são limitadas e apenas produzem estados de consciência (mais lúcidos poderemos dizer). Há a ideia de que praticando as técnicas (inclusive a meditação) vamos atingir um estado de suprema consciência, o tal do samádhi e aí “iluminamos-nos”.
    A Tradição Védica é muito clara nisto: técnicas e experiências não trazem o conhecimento do Eu. Técnicas e experiências são apenas isso, técnicas e experiências, começam, têm uma duração e acabam. Podem ser agradáveis, menos agradáveis, bonitas ou feias, podemos ver luzes ou não ver luzes mas não passam de momentos fugazes.
    O conhecimento, dentro da Tradição do Yoga, é sempre passado por um mestre (vivo) que tem um profundo conhecimento das escrituras que contêm o ensinamento, conhece a metodologia de ensino e está firmemente estabelecido no Eu, é um jivanmukta, liberto em vida.
    Sendo assim penso que Yoga e Santo Daime não se complementam, não formam unidade nenhuma e confundir uma coisa com a outra é não entender qual a proposta e modo de funcionamento do Yoga dentro da Tradição Védica.
    Termino dizendo que não tenho nada contra a ingestão deste tipo de substâncias (cada um faz o que lhe apetece), elas apenas não trazem aquilo que tanto buscamos, o conhecimento na nossa natureza real.

  32. Obrigada, Sara,
    pela elucidativa comparação entre o processo de autoconhecimento através do Daime e do Yoga.
    Eu mesma nunca experimentei a ayahuasca, mas tenho amigos que tiveram experiências muito enriquecedoras ao participarem das cerimônias do Santo Daime.
    Seu artigo, recorrendo aos paralelos entre os efeitos dos rituais do Daime e as práticas do Yoga, me ajudou a entender melhor o que eles tentam me mostrar.
    Abraço,
    Luciana.

  33. Gostei imenso deste comentário, bastante equilibrado e lúcido. Recomendo a leitura do brilhante autor e explorador norte-americano Terence Mckenna, para compeender o papel das plantas de poder nas sociedades xamânicas e urbanas e no desenvolvimento espiritual, em especial a obra “Pão dos Deuses”.

  34. O Yoga codificado por Patanjali, Raja Yoga, traz em si, o soma, bebida sagrada consagrada e cultuada por homens de alto nível espiritual, que incita o sentido de visão da realidade, a meta do Yoga, de acordo com sutras da época que registram o ritual da bebida sagrada concomitante com a codificação da época, indícios esses que demonstram historicamente a presença da bebida sagrada como meio para se atingir a pré-iluminação, sendo esta um meio, um caminho, uma ferramenta catalizadora para o elevação da capacidade do homem se auto-conhecer, se alinhando ao que o Yoga sempre nos pressupôs a toda humanidade,

  35. Recomendo fortemente a leitura do texto «Idéias Vegetais», do filósofo Olavo de Carvalho.

    1. Tentei achar o texto Idéias vegetais e não encontrei.
      Onde posso achá-lo?
      Paz.

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