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Santo Daime ou Yoga?

O uso da ayahuasca e a prática do Yoga são duas tradições ancestrais, duas vias para o conhecimento e o encontro com o Ser. São dois caminhos para a libertação e ainda, se quisermos, dois meios para entender a vida e a Consciência como algo que existe, existiu e existirá no aqui e agora.

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O uso da ayahuasca e a prática do Yoga são duas tradições ancestrais, duas vias para o conhecimento e o encontro com o Ser. São dois caminhos para a libertação e ainda, se quisermos, dois meios para entender a vida e a Consciência como algo que existe, sempre existiu e sempre existirá no aqui e agora.

Quando escolhemos um caminho espiritual vamos reencontrar o que já está dentro de nós, vamos reconhecer a nossa verdadeira natureza e descobrir que afinal estamos com muita pressa para quem tem o infinito pela frente.

Existem algumas semelhanças ou práticas equiparáveis entre o uso da ayahuasca, nomeadamente através da participação em trabalhos do Santo Daime, com a prática regular do Yoga, que eu gostaria de salientar. Assim, em ambas as doutrinas existe um mestre que passa o conhecimento aos estudantes, praticantes.

Esse conhecimento é passado através da presença corpórea do mestre no caso do Yoga e poderá ser passado nos trabalhos do Santo Daime directamente pelo mestre Irineu (por exemplo, ou por outros ligados à doutrina) na presença desencarnada do mesmo.

Pode ainda no Santo Daime o conhecimento ser passado sem que a pessoa reconheça o mestre que a ensina, isto é, sem que o consiga identificar, ou pode ainda acontecer o reconhecimento de algo que a pessoa já sabia e se vai recordando aos poucos. Neste sentido, podemos dizer que a nível da forma como o conhecimento é passado ou ensinado existe uma semelhança.

No que se refere ao uso da voz, esta é muito importante, quer para vocalizar mantras no Yoga, quer para rezar e cantar os hinos num trabalho de Daime. A música e a voz são essenciais, na minha opinião, nos dois caminhos.

A musicalidade do universo manifestada através dos instrumentos e da voz é uma das manifestações mais poderosas e belas a que podemos assistir e da qual podemos participar enquanto seres humanos.

Os sentimentos trazidos, as intenções contidas e as invocações do divino que os hinos e os mantras encerram são também, na minha opinião, equiparáveis. Ambos assentam numa repetição e ambos nos levam para um estado de plenitude.

As técnicas de purificação usadas no Yoga poderão ter um efeito semelhante às purificações ou purgas que acontecem num trabalho de Daime. As plantas que formam a bebida sagrada, o néctar dos deuses ou vinha da alma, chamada ayahuasca nalgumas culturas, provocam um efeito purgativo e regulador do sistema digestivo, respiratório, circulatório, etc., tendo assim influência positiva em termos físicos a todos os níveis.

Qualquer pessoa saudável pode tomar Daime, assim como qualquer pessoa saudável pode praticar Yoga. Existe uma dieta preferencialmente vegetariana associada à prática do Yoga e quem toma Daime regularmente também deve seguir uma dieta saudável porque as plantas provocam uma limpeza do organismo se assim não for.

O organismo passa, então, a funcionar melhor, o corpo físico é sujeito a alterações, melhorias e o corpo subtil também. Assim, os sentidos ficam mais apurados e a energia flui de forma mais consciente em ambas as práticas. Atingimos estados de consciência onde estamos mais “acordados”, mais despertos e onde começamos a desenvolver capacidades “esquecidas” como a telepatia, por exemplo.

Os ásanas praticados por um yogi ou yogini são o trabalho do corpo físico e subtil em forma de posturas físicas que implicam o uso de uma respiração consciente. Nos trabalhos de Daime há movimento do corpo físico (por exemplo através da dança repetida de certos passos) e a estabilização do corpo físico (por exemplo através da posição sentada), que podem ser tão exigentes como uma prática de ásanas, ressalvando obviamente as devidas diferenças.

Existe ainda uma necessidade imperativa de manter uma respiração consciente, principalmente a nível abdominal, durante todo o trabalho de Daime. Para conseguir manter um estado de calma e tranquilidade é necessário usar a “respiração abdominal” de forma lenta, prolongada e descontraída

A abstracção sensorial pode-se equiparar à fase do trabalho de Daime em que a pessoa se deita (se isso acontecer, porque não é obrigatório que assim seja) e onde está completamente relaxada num estado entre o sono profundo e a meditação.

A meditação é praticada de forma mais acentuada nos chamados trabalhos de “concentração” onde é privilegiado o silêncio e o foco no interior de cada um. Aí é dado um tema para meditar que pode variar conforme o trabalho e a pessoa que o “conduz”.

Assim como tomar Daime pode não ser apenas uma experiência, também a prática de Yoga pode ser mais do que uma experiência. A prática continuada da não identificação com as modificações da consciência obtidas através dos dois “sistemas” permite-nos chegar no “estado de Yoga”.

A prática fora do trabalho de Daime, assim como a prática fora da sala de Yoga é essencial. O que eu faço fora desses períodos é que vai determinar o meu estado. A minha atitude perante mim e perante os outros é que condiciona o meu estado.

Desta maneira, posso sair da ignorância e conhecer-me, posso encontrar-me comigo, com o Ser que sou. Há uma música do Santo Daime que diz: “Eu sou, eu sou, eu sou e deve ser”. Os hinários no Daime são como os textos sagrados que se estudam no Yoga: trazem belos ensinamentos que precisam de um estudo refinado e constante.

A construção de valores, o conhecimento sobre a reencarnação, o facto de nos apercebermos de algumas leis universais, o desenvolvimento e apuramento da intuição, a fusão com o Divino que está fora e dentro de nós, mostra-nos como vivemos ligados a tudo e como de tudo fazemos parte.

Entendemos, então a grande brincadeira cósmica. Vemos a realidade como ela é ou, pelo menos, uma parte da realidade como ela é. O reconhecimento de que todos somos um, tudo é a unidade e de que somos unos com tudo o que existe, é a revelação suprema. Assim sendo, qual é a diferença?

Este processo de conhecimento pode ser, por vezes, difícil. Com o Yoga o processo é aparentemente mais lento do que com o Santo Daime porque numa só experiência com o Santo Daime podemos ver, sentir e pode-nos ser ensinado (não quer dizer que se aprenda!) o equivalente, por hipótese, a dez anos de prática de Yoga!?

A questão é que a interiorização dos conhecimentos com o Santo Daime, pelo menos a nível consciente, é muito mais lenta depois de passada a experiência, enquanto que no Yoga a experiência vai sendo construída passo a passo (geralmente) levando-nos numa certa direcção com mais calma e, desta forma, confirmando as nossas escolhas.

No Santo Daime salta-se para estados profundos de conhecimento e lucidez muito rapidamente e é-nos disponibilizada informação perante a qual, por vezes, não há tempo de memorização para posterior lembrança consciente, mas que é de compreensão imediata. Muitas vezes as experiências só são compreendidas mais tarde, por vezes meses depois.

No fundo é tão difícil (ou tão fácil) decidir tomar Santo Daime como decidir praticar regularmente Yoga. Há partes custosas em ambos os processos. Existe uma doutrina que suporta ambos. Existe fanatismo no Daime, assim como no Yoga. Há visões extremistas em todos os sistemas, culturas, religiões, tradições, filosofias, estilos de vida – onde há pessoas, há equívocos.

Existem seres divinos, forças, energias poderosas que são invocados em ambos os caminhos. Poderá haver personificação, através de imagens, figuras ou altares, de entidades como Ganesa ou Siva no Yoga. Assim como no Daime há símbolos que representam entidades às quais se presta homenagem, reverência, às quais nos entregamos na fé, sem medo.

Então, os resultados não dependem do caminho escolhido, mas sim da pessoa que o está a traçar, até um certo ponto – depois de se lançar a flecha já não será assim… De qualquer forma, importa referir que a principal diferença quando comparamos o Yoga com o Daime, é o uso de um elemento externo que expande a consciência, a bebida, que eu prefiro chamar enteogénea (“a Divindade em nós) em vez de alucinogénea.

No entanto, ambos privilegiam e fazem florescer o Amor eterno que existe dentro de cada um de nós por todas as coisas. Assim sendo, confio em ambos os caminhos como possíveis e válidos. Concedo-me o direito de venerar os seres do Yoga como venero os do Daime, concedo-me o direito de usar as duas ferramentas enquanto me servirem na construção do meu caminho como ser humano encarnado aqui na Terra.

Concluindo, concedo-me o direito de poder praticar ambos acreditando que se complementam formando uma unidade. Que o som primordial Om possa ser ouvido por toda a Eternidade por aqueles que buscam o Amor e a sabedoria. Namaste. Amén.

Viva o Yoga! Viva o Santo Daime! Salve os Mestres!

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Sara é professora de Yoga em Portugal.

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Comentário do editor deste website, postado a pedido de alguns amigos e colegas.

Entro neste debate um pouco tardiamente, por conta de compromissos de trabalho que não me deixaram muito tempo disponível nas últimas semanas.

Algumas pessoas têm me perguntado o porquê deste texto ter sido publicado neste website, em algumas ocasiões de maneira agressiva. Isto é natural, já que o tema desperta controvérsias e, em alguns círculos de puristas, também bastante rejeição.

Na visão dessas pessoas, este tipo de texto deveria ser excluído ou rejeitado, dado seu estilo “mistureba”, como coloca um leitor. Alguns motivos me levaram a isso, dentre os quais destaco os seguintes:

1) O texto é conciliador em relação a dois caminhos de realização pessoal que às vezes são vistos como antagônicos ou incompatíveis, e isso já é valioso em si mesmo.

2) A maneira em que o texto é elaborado, naturalmente estimula o debate civilizado de ideias em relação a esses caminhos e seus pontos de chegada, sejam estes diferentes ou iguais, dependendo da interpretação de cada um.

3) Noutro nível, pessoalmente, estava curioso para testar o nível de tolerância dos praticantes de Yoga que visitam este site. Noutras palavras, queria ver o que aconteceria se o praticante tido como “sério”, entrando no yoga.pro.br buscando informações ou recursos sobre autoconhecimento ou técnicas de Yoga, se deparasse com um texto desta natureza.

Ao longo dos últimos dias, o debate foi mudando de foco e, ao invés de se centrar, como teria sido possível, na questão da validade dos caminhos espirituais e suas ferramentas (id est, o autoconhecimento para o Yoga e o vegetal para as diversas denominações que fazem uso do chá), foi polarizando em direção ao assunto Yoga vs droga. Pareceu-me ver uma tendência do tipo “nós contra eles”.

Visão dos leitores sobre o chá.

Da leitura que fui fazendo ao longo dos últimos dias sobre as opiniões que os leitores têm em relação ao chá, creio que essas visões podem ser divididas em três grupos:

1) O vegetal como droga, como evasão dos próprios problemas.

2) O vegetal como fonte de experiências religiosas.

3) O vegetal como meio de conhecimento sobre si mesmo.

1) Como o depoimento pessoal da Manu indica (17/09), o yagé ou ayahuasca não pode ser simpesmente classificado como uma droga, e jogado na mesma vala comum do crack, a cocaína, a maconha, o álcool ou as anfetaminas. Digo isso, considerando a trajetória histórica e os diversos contextos nos quais o vegetal é consumido. Você não compra o chá no morro, onde a polícia e a lei não chegam. Você não ouve de tiroteios por causa do chá, nem disputas entre vendedores, pois não há vendedores nem traficantes.

Não vamos entrar no mérito da discussão sobre se Yoga é compatível com drogas como crack ou cocaína. O fato é que o vegetal, usado em seu devido contexto, não pode ser julgado ou tratado como uma droga incapacitante. Seria o mesmo que equiparar o vinho da missa à cachaça do boteco. Ou seria como achar que Yoga é ginástica.

2) Na hipótese do vegetal ser considerado uma fonte de experiências religiosas, e suas instituições serem consideradas como o que de fato são, religiões, a pessoa que opõe a prática do Yoga à ingestão do vegetal está se colocando contra a possibilidade de que pessoas dessa religião pratiquem ou estudem Yoga, o que vai frontalmente contra a secularização do Yoga que todos defendemos. “Yoga não é religião. Yoga pode ser praticado por pessoas de todas as religões”, dizemos.

3) Este último tema, o do vegetal como meio de conhecimento, é o que menos apareceu no debate. Logo abaixo coloco, nesse sentido, a interessante contribuição de três pessoas amigas, que transitam com fluidez entre as duas tradições.

O vegetal como meio de conhecimento.

Eis três depoimentos pessoais que recebi de amigos que praticam e ensinam Yoga, paralelamente às suas atividades na UDV, União do Vegetal. Estes depoimentos estão alinhados com esse espírito da validade dos caminhos espirituais e suas respectivas ferramentas.

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Certamente, de antemão, posso dizer que o Yoga e o chá (especialmente dentro da UDV que é o único lugar que conheço), têm como meta a mesma coisa: o autoexame, o autoconhecimento e a autotransformação, por uma consciência mais clara, pela limpeza do coração e pela cientificação ou purificação. Jamile Ansolin, Porto Alegre.

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Li o texto agora. Achei bem legal. Nosso ritual é diferente [do ritual do Santo Daime], ficamos sentados durante 4 horas, estudando assuntos, e fazendo um autoexame. É claro que para cada um o processo é diferente, assim como acontece no Yoga.

Mas achei o texto válido, realmente a experiência com o vegetal pode ser mais rápida para algumas pessoas, e se a pessoa estiver bem consciente e focalizada guarda na memória os insights e coloca em prática no dia a dia. Nem sempre é fácil, pois às vezes são mudanças em comportamentos bem arraigados. Mas, querendo, dá para fazer.

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Olha, achei o texto legal… Somos da União do Vegetal, então o nosso ritual é diferente. Mas acho que ela expôs de forma clara e tranquila. Quanto à defender, creio que o melhor caminho é defender que cada um pode ter a sua opinião. Se estiver no Sanatana Dharma, está em casa.

No nosso caso, o próprio nome da religião é União… 🙂 Mas claro, que quem mostra a cabeça está sujeito a ouvir (ler) coisas não tão agradáveis… sabes bem como é.
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Da leitura destes três depoimentos percebemos que aquela aparente polêmica sobre autoconhecimento e experiências (ou Yoga x Daime), perde um pouco o sentido, pois, aquilo que os yogis consideramos ser o pramana, o meio de conhecimento sobre o Ser, é exatamente o mesmo que os colegas acima consideram em relação ao vegetal.

Noutras palavras, o meio de conhecimento, o pramana para atma, na perspectiva dos membros da UDV, é o vegetal. E, se os membros desse grupo afirmam isso, com que direito outras pessoas (que não conhecem a doutrina, nem participaram das suas práticas) julgam o contrário?

Meu mestre, Swami Dayananda, disse em várias ocasiões que qualquer pramana, qualquer meio de conhecimento que revele quem somos, e ensine que já somos plenitude, liberta e é válido. A própria tradição védica, que foi invocada aqui por alguns leitores, é largamente tolerante, como afirma o próprio Rig Veda:

“Ó homem que procuras a verdade!
Abre os braços e permite que ela
venha até ti desde todas as direções.
A verdade é uma. Os sábios irão
ensiná-la de distintas maneiras”.

Autoconhecimento vs experiências.

Dentro do próprio âmbito do Yoga existe, de fato, uma velha polêmica sobre autoconhecimento vs experiências. Uma visita à seção de comentários de outros posts deste website pode comprovar isso facilmente. Não há unanimidade em relação ao que significa fazer Yoga, nem em relação à meta deste.

Algumas pessoas acham que o Yoga seja uma malhação exótica ou uma ”metodologia prática”, enquanto que outras sabem que Yoga é autoconhecimento. Algumas pessoas pensam que o samadhi seja uma experiência e se dedicam a essa busca, enquanto que outras percebem a fragilidade dessa maneira de pensar e agir.

Em todo caso, essa é uma discussão estéril, pois as pessoas que acreditam que o Yoga seja uma prática e que o samadhi seja uma experiência não irão questionar suas crenças, até mesmo se defrontadas com os fatos. Pela mesma conta, aqueles que rejeitam o uso do chá…

Se Yoga significa coisas diferentes para pessoas diferentes, o vegetal também significa coisas distintas para pessoas distintas.

Pessoalmente, nunca experimentei o vegetal nem tenho curiosidade por fazer isso no futuro. Depois de ler o artigo na Wikipédia sobre seus efeitos psicofísicos (que coloco abaixo, para apreciação do amigo leitor) fiquei um pouco preocupado com esses efeitos, pois não sabia que eram tão fortes.

Concordo plenamente, portanto, com o comentário do Felipe (19/09) no sentido de que seria desejável (imagino que aconteça de fato, mas não sei) a presença de um guia ou instrutor para selecionar as pessoas avaliando se, de fato elas estão preparadas para participar do ritual.

Não obstante, respeito plenamente as pessoas que, dotadas de bom-senso, fazem uso do vegetal, seja como meio de conhecimento, seja como religião, desse elemento oriundo da cultura nativa da América do Sul. Obrigado pela atenção e desculpem a extensão do comentário. Feliz primavera para todos! Namaste!

Pedro Kupfer.

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PS: Sobre os efeitos do chá, diz a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ayahuasca):

De fato, não há dependência física conhecida, ainda que a necessidade intrínseca do uso da planta em todos os ritos para se atingir estados alterados seja visto por alguns como manifestação de uma dependência psíquica bastante estimulada pelo contexto religioso e social.

Existe também um estudo, realizado com desenho duplo-cego controlado com placebo, que demonstrou que a ayahuasca, administrada de forma aguda para consumidores com larga experiência com a bebida, reduz sinais relacionados ao pânico, diminui a desesperança e não altera os sinais relacionados com a ansiedade.[3]

(…)

Não há dados científicos que indiquem riscos em relação à saúde física. Há, contudo, constantes relatos de vômitos e sudorese em alto percentual dos que a experimentam, o que sugere tentativas do corpo em expelir a substância. O uso contínuo, entretanto, parece favorecer uma tolerância química ao princípio ativo e conseqüente diminuição da intensidade dos sintomas.

Em alguns casos, a ingestão pode levar a sensação de medo e perda do controle, levando a reações de pânico. Na maior parte das vezes tais reações passam junto com o efeito da bebida, sem necessidade de atendimento médico, não existe o risco de desencadear nenhum tipo de quadro de síndrome de pânico.

O consumo da bebida pode também desencadear quadros psicóticos em pessoas predispostas a essas doenças, ou desencadear novas crises em indivíduos portadores de doenças psiquiátricas tais como transtorno bipolar e esquizofrenia.[8]

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Sara Rios em Conheça, Tantra
  ·   9 mins de leitura

46 respostas para “Santo Daime ou Yoga?”

  1. Concordo em pleno com tudo o que o Simão escreveu.
    Aliás prefiro pensar que tudo isto não passa de um tremendo equívoco.
    Depois de Yoga para cães, para donas de casa, dentro e fora de água…
    Agora só faltava aparecer o Yogadaime.
    Enfim…

  2. Complementando o que o Simão acertadamente disse:
    O conhecimento espiritual é bem alheio a qualquer gênero de “experiências”, principalmente porque reside na aquisição, espontânea ou voluntária, de uma nova maneira de ser geral e permanente que, por isto mesmo, não pode ser objeto de sensação ou experiência tanto quanto a personalidade mesma, considerada em conjunto, jamais o é. v. texto integral em: http://www.olavodecarvalho.org/textos/daime.htm

  3. Caro Simão,
    diz que esse tipo de substâncias não traz “aquilo que tanto buscamos?. Mas será que todos buscamos o mesmo? Ou pelo menos, deveremos todos buscar da mesma forma?
    Só existe um caminho, que por acaso é aquele que escolheu? Eu não vejo neste texto um equívoco ou confusão entre yoga e psicadélicos, parece-me que a distinção entre os objectos está perfeitamente demarcada, apenas são observados, de forma particularmente perspicaz, alguns pontos comuns.
    Eu pratico yoga há 8 anos e, apesar da minha experiência com psicadélicos ser muito limitada, foi tremendamente profunda e reveladora, com um profundo impacto na minha existência. A experiência psicadélica não termina quando acaba o efeito da planta, ela persiste e integra-se no ser.
    Dizer que não formam uma unidade não me faz qualquer sentido. Eu sou uma unidade, o somatório das minhas experiências e práticas são uma unidade, tudo são células do mesmo organismo vivo, tudo é uma unidade.
    Este texto fala de dois caminhos, ambos válidos e não conflituantes. Repare Simão que a tradição Xamânica de uso de psicadélicos tem mais tempo do o Yoga e a Tradição Védica. E quanto ao facto de ser uma experiência, caro Simão, tudo é uma experiência enquanto habitamos estes corpos físicos.
    Acho que pelo facto de eu praticar Yoga há 50 anos, ou ter uma experiência com um psicadélico de 6 horas isso faz qualquer diferença? Pense no tempo cósmico, na eternidade da consciência, tudo é uma experiência, a nossa própria vida física é uma experiência.
    O nosso tempo aqui é um piscar de olhos. Penso que muitas vezes as críticas a aspectos que misturam várias tradições, vem de uma perspectiva algo fragmentada da experiência humana ou duma visão quase religiosa das tradições, como a Tradição Védica, que muitas vezes vejo a defender da mesma forma que as testemunhas de Jeová defendem a Bíblia.
    Neste plano físico, limitados como estamos pelo nosso corpo físico, não existem verdades absolutas. Existem caminhos, cada um poderá encontrar o seu sem fanatismo, inflexibilidade ou dogma. Mas apesar de tudo, nada é mais poderoso que um coração cheio de amor. Com ou sem Yoga, com ou sem psicadélicos, nada é mais importante do que o amor.
    Se estas experiências de suposta iluminação, tenham a fonte que tiverem, forem egocêntricas, competitivas ou pretensiosamente exclusivas, serão apenas mais um factor de competição e desarmonia.
    Não faz sentido adoptar a postura: “a minha prática é mais verdadeira do que a tua”, ” o meu caminho é real, o teu é ilusório”, “eu tenho a verdade”, este é o caminho que na leva à disputa e então, aquilo que deveriam ser caminhos de iluminação, são defendidos como se defendem clubes de futebol.
    Alguém com um ponto de vista honesto e integral, observando a história da humanidade, poderá sinceramente dizer que a Tradição Védica é mais verdadeira ou correcta do que a Tradição Xamânica? Ou o oposto?
    São apenas caminhos, deixados pelos nossos ancestrais, pelos que nos precederam… São muitos. Que cada um encontre o seu, o explore e que isso o leve a amara-se e a amar tudo o resto. Não há necessidade de os defender, estão bem além disso. E não há necessidade de nos levarmos muito a sério também?

    1. Caro Rock,
      Obrigado pelo seu comentário ao meu comentário. Em nenhuma altura, no comentário que fiz, disse que aquilo que eu faço ou o meu caminho é melhor que o dos outros, que a minha prática é mais verdadeira, etc.
      Em nenhuma altura disse que a Tradição Védica é mais verdadeira ou mais correcta que a tradição xamanica.O único que disse é que a visão do Yoga dentro da Tradição Védica é muito distinta do caminho através de substâncias.
      Obviamente que somos todos 1, obviamente que cada um faz o caminho que entende ser mais correcto para si, não é isso que está em questão, mas sim a semelhança ou não entre Yoga e Santo Daime.
      É disto que o texto trata.E em relação aos caminhos, eu não concordo obviamente que todos os caminhos vão dar no mesmo porque se pensarmos assim basta olharmos para vermos o que as pessoas têm feito em nome de religiões, seitas, etc.
      Se identificamos o problema do ser humano como sendo a ignorãncia, o único caminho é o conhecimento que afastará a ignorância que tenho acerca de mim mesmo.
      E o conhecimento não vem da experiência como já expliquei no comentário anterior. Termino reafirmando a minha posição: o Yoga (dentro da Tradição Védica) não tem nenhuma semelhança com o uso de Santo Daime ou outra substãncia.
      Namaste.

  4. Não poderia deixar de comentar este texto pois parece-me que se está a cometer um tremendo equívoco ao confundir-se o Yoga com substâncias alucinogéneas. A Tradição Védica, na qual o Yoga está inserido, diz-nos muito claramente que o conhecimento de si-mesmo nunca virá através de uma experiência.
    Por muito espectacular, grandiosa, iluminadora, reveladora que a experiência seja, esta nunca trará o conhecimento de quem eu sou, simplesmente porque eu sou aquele que está por trás da experiência, sou a testemunha consciente e portanto não posso ser objecto de experiência. Não posso ver o Ser, sentir o Ser, escutá-Lo, etc, porque eu já sou esse Ser.
    Uma experiência é sempre limitada no tempo e no espaço e o que quero conhecer é este Eu, ilimitado, pleno, sempre existente. Uma experiência não me pode mostrar quem eu sou porque a experiência é limitada em si e o limitado não pode revelar o ilimitado.
    Está-se a confundir Yoga com práticas de técnicas numa sala com incenso e música oriental e aí, realmente, as técnicas também são limitadas e apenas produzem estados de consciência (mais lúcidos poderemos dizer). Há a ideia de que praticando as técnicas (inclusive a meditação) vamos atingir um estado de suprema consciência, o tal do samádhi e aí “iluminamos-nos”.
    A Tradição Védica é muito clara nisto: técnicas e experiências não trazem o conhecimento do Eu. Técnicas e experiências são apenas isso, técnicas e experiências, começam, têm uma duração e acabam. Podem ser agradáveis, menos agradáveis, bonitas ou feias, podemos ver luzes ou não ver luzes mas não passam de momentos fugazes.
    O conhecimento, dentro da Tradição do Yoga, é sempre passado por um mestre (vivo) que tem um profundo conhecimento das escrituras que contêm o ensinamento, conhece a metodologia de ensino e está firmemente estabelecido no Eu, é um jivanmukta, liberto em vida.
    Sendo assim penso que Yoga e Santo Daime não se complementam, não formam unidade nenhuma e confundir uma coisa com a outra é não entender qual a proposta e modo de funcionamento do Yoga dentro da Tradição Védica.
    Termino dizendo que não tenho nada contra a ingestão deste tipo de substâncias (cada um faz o que lhe apetece), elas apenas não trazem aquilo que tanto buscamos, o conhecimento na nossa natureza real.

  5. Obrigada, Sara,
    pela elucidativa comparação entre o processo de autoconhecimento através do Daime e do Yoga.
    Eu mesma nunca experimentei a ayahuasca, mas tenho amigos que tiveram experiências muito enriquecedoras ao participarem das cerimônias do Santo Daime.
    Seu artigo, recorrendo aos paralelos entre os efeitos dos rituais do Daime e as práticas do Yoga, me ajudou a entender melhor o que eles tentam me mostrar.
    Abraço,
    Luciana.

  6. Gostei imenso deste comentário, bastante equilibrado e lúcido. Recomendo a leitura do brilhante autor e explorador norte-americano Terence Mckenna, para compeender o papel das plantas de poder nas sociedades xamânicas e urbanas e no desenvolvimento espiritual, em especial a obra “Pão dos Deuses”.

  7. O Yoga codificado por Patanjali, Raja Yoga, traz em si, o soma, bebida sagrada consagrada e cultuada por homens de alto nível espiritual, que incita o sentido de visão da realidade, a meta do Yoga, de acordo com sutras da época que registram o ritual da bebida sagrada concomitante com a codificação da época, indícios esses que demonstram historicamente a presença da bebida sagrada como meio para se atingir a pré-iluminação, sendo esta um meio, um caminho, uma ferramenta catalizadora para o elevação da capacidade do homem se auto-conhecer, se alinhando ao que o Yoga sempre nos pressupôs a toda humanidade,

  8. Recomendo fortemente a leitura do texto «Idéias Vegetais», do filósofo Olavo de Carvalho.

    1. Tentei achar o texto Idéias vegetais e não encontrei.
      Onde posso achá-lo?
      Paz.

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