Conheça, Vedānta

Anubhava

A palavra "anubhava” é traduzida como "experiência" por muitas pessoas que escrevem sobre Vedanta. A palavra em Inglês deixa muito a desejar, pois a palavra "anubhava” significa conhecimento direto em determinados contextos. A palavra "experiência" não transmite o mesmo sentido, porque qualquer experiência é inconclusiva em termos de conhecimento. Pode-se obter a certeza do conhecimento a partir da experiência, mas a experiência por si só não constitui o conhecimento.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī · 1 mins de leitura >

A palavra “anubhava” é traduzida como “experiência” por muitas pessoas que escrevem sobre Vedanta. A palavra em Inglês deixa muito a desejar, pois a palavra “anubhava” significa conhecimento direto em determinados contextos. A palavra “experiência” não transmite o mesmo sentido, porque qualquer experiência é inconclusiva em termos de conhecimento. Pode-se obter a certeza do conhecimento a partir da experiência, mas a experiência por si só não constitui o conhecimento.

A condição mental causada por uma percepção sensorial ou memória pode ser chamada experiência, mas não é preciso ter o conhecimento do que é experienciado. A dor emocional é uma de experiência, mas o conhecimento dela implica na sua origem também. Portanto, ela necessita de um determinado processo de raciocínio que leve ao entendimento.

Eu posso ver um objeto por fora sem saber o que é. Ver é sem dúvida uma experiência, mas conhecer é completamente diferente. Muitas vezes nos deparamos com a expressão atmanubhava na literatura do Vedanta; o significado desta expressão é direta: auto-conhecimento.

Atman é a consciência e sua presença nunca se perde em qualquer forma de experiência. Vendo, ouvindo, pensando, a presença da consciência nunca é perdida. A natureza de Atman é a consciência, o conteúdo de cada experiência. A consciência, o conteúdo da experiência é reconhecido como Brahman, o ilimitado, um fato que o shastra revela através de frases como tattvamasi, “Esse é você”.

Agora, a palavra composta, “atmanubhava” é traduzida como auto-experiência. Será que a tradução transmiti auto-conhecimento? Certamente que não. Muitos mestres também dizem que o Ser é para ser experienciado. Isso implica que o Ser não está dentro da compreensão da própria experiência, que tem que ser experimentada por alguns meios especiais.

Se o Ser é a consciência, o experimentador pode ser independente da consciência? O experimentador é, mas o Ser, enquanto Ser não é o experimentador. Da mesma forma, o objeto experimentado também é a consciência como é a experiência; no entanto, não é a consciência aparente também.

Esta consciência sempre presente, o Ser, é considerado como sendo apenas o experimentador, diferente do objeto da experiência. E esta dualidade é certamente uma sobreposição sobre o Ser, a consciência. O Vedanta nega essa superposição e faz com que se reconheça o Ser como livre desta dualidade. Este reconhecimento é autoconhecimento, atmanubhava ou atma-jñana.

Enquanto a palavra “experiência” falha em transmitir o significado de auto-conhecimento, isso desvia-se da busca do ganho de experiência do Ser. Quando é que esta experiência vem? Ela pode nunca vir porque a consciência está sempre presente, em e através de cada experiência. Om tat sat!


Traduzido por Humberto Meneghin: http://www.yogaemvoga.blogspot.com/.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī
Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.
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