Começando, Pratique

Como aplicar pratyahara no mundo de hoje?

Num mundo onde as pessoas vão ao cinema para assistir Jogos Mortais, o temos sucesso de sitcoms como C.S.I, enfim, sucesso de músicas com letras onde os temas principais são morte, suicídio, brigas, revoltas e traições; grandes redes de junk food, ar junk, junk television e relacionamentos junk ... como praticar o pratyahara?

Escrito por Ana Paula Malagueta Gondim · 5 mins de leitura >

Num mundo onde as pessoas vão ao cinema para assistir Jogos Mortais, o temos sucesso de sitcoms como CSI, enfim, sucesso de músicas com letras onde os temas principais são morte, suicídio, brigas, revoltas e traições; grandes redes de junk food, ar junk, junk television e relacionamentos junk… como praticar o pratyahara?

Como ter controle do que colocamos para dentro? Não somente os alimentos não, mas as impressões e sensações que vem dos sentidos e dos relacionamentos com as pessoas que influenciam diretamente na nossa alma.

Principalmente para quem mora em grandes metrópoles como São Paulo, deveriam se dedicar nesta prática, dentro e principalmente fora da sala, que é bem mais difícil e necessitar de tapas, mas muito tapas. Temos que formalizar um compromisso de evitar todas as coisas ruins, todas as coisas junks e selecionar somente as coisas boas para serem absorvidas.

Alimentação

Vamos começar pelo mais óbvio, a nossa alimentação. Se tivermos como base que tudo que tem vida é composto de prana, então, fica claro que temos que nos alimentar de prana. Isso descarta junk food, alimento com agrotóxicos, qualquer tipo de carne, pois além de ser uma violência a outro ser vivo, traz nela as impressões da morte e todos os hormônios liberados pelo animal antes de morrer; e inclue alimentos que tragam vida, energia para nosso corpo-mente, como nas palavras de Gandhi:

Não temos vergonha de sacrificar uma multidão de outras vidas para alimentar nosso corpo perecível e tentar prolongar sua existência por mais uns poucos momentos e, em consequência, matamo-nos em corpo e alma. Ao tentar curar uma doença, damos origem a cem novas; ao tentar desfrutar dos prazeres sensoriais, acabamos perdendo até nossa capacidade de desfrute.

Alimento sem prana é um alimento morto. Você não quer engolir um alimento desse tipo, quer?

Ou seja, devemos comer quando estamos realmente com fome, para não viver para comer, e sim, comer para viver. Não temos que comer para apenas ficarmos matando a vontade do desejo dos sentidos, pois será um roda sem fim. Aqui começa a primeira etapa do pratyahara, na alimentação. Um trabalho legal a ser feito é conhecer o seu dosha, para que assim, sua alimentação siga o que é mais aconselhável para o seu dosha. Podemos incluir também aqui, fazer um jejum. Para aqueles que nunca fizeram e pensam em fazer, falem com seu professor para que ele indique como deve ser feito e possa acompanhar todo o processo. O jejum ajuda no processo de pratyahara e principalmente de liberação das toxinas que ficam no corpo e dão um descanso para os órgãos, além de ser uma ótima prática de tapas e purificação das emoções e mente. Mas faça tudo com acompanhamento e não seja radical. Faça tudo com consciência e fale com quem já o fez antes.

Dos sentidos

As impressões sensorias assim como o alimento físico, é o alimento da nossa mente. Então, podemos conluir que se fizermos uma reeducação sensorial, iremos tornar nosso espírito mais forte e não aceitaremos mais incontroladamente tudo que os meios de comunicação nos jogam diariamente.
Quando vamos ao cinema assistir a um filme de terror ficamos com o emocional, podemos dizer que ‘abalado’, pulsando no ritmo do que foi mostrado. E no nosso subconciente ficam as impressões daquilo que te impressionou durante o filme, sabe quando você leva um susto durante o filme? Aquilo fica registrado. E a mente não consegue distinguir se foi uma situação real ou não. Você então alimenta a mente, as emoções e o corpo com o terror. Num nível psicológico, isso quer dizer que introgetamos e ampliamos a qualidade rajásica da mente, pela emoção agitada, e isso leva a tamas ou ao esgotamento mental e as tristezas profundas como a depressão.

Isso acontece também com as mensagens da publicidade, das novelas, dos seriados, das conversas que tem, e das palavras que você permite entrar em sua mente. Como podemos ver hoje num mundo da música. Nunca vi um período de tantas letras depressivas, raivosas; que te deixam down, com vontade de sair gritando, chorar ou sair correndo porta a fora. Nada mais horrível que essa onda emo.

Temos que nadar contra a maré. Temos que nos alimentar no sentido reverso. Eu fiz um teste. Cortei durantes alguns meses a televisão, o cinema, as músicas com letras negativas ou raivosas e alimentei minha mente apenas com coisas boas. Alimentei minha mente com meditações, com mantras, com músicas alegres e com letras de elevação, assim como busquei olhar mais para o céu, mais para a natureza, olhas profundamente para o mar.

E depois de uns meses, quebrei esse jejum sensorial que me impus e voltei a alimentar minha mente com todo aquele lixo novamente. Levei um susto! Me senti no meio do mar raivoso. Senti a influência nas emoções que ficaram mais instáveis, assim como a minha mente. Comecei a ter pesadelos, a ficar com mais medo, mais assustada e extremamente ansiosa. Foi aí que pude constatar que tudo isso estava sendo um reflexo no meu corpo-mente e também num nível espiritual de tudo que eu estava ingerindo, literalmente.

Pelo Ayurveda, há três estágios para desenvolver a cura mental:
1) Abrandar tamas e desenvolver rajas – saindo da inércia mental para os karmas produzidos pela vontade própria.
2) Acalmar rajas e desenvolver sattva – indo dos karmas produzidos pela própria pessoa para o karma yoga.
3) Aperfeiçoar sattva – indo do Karma Yoga para a meditação.

Nossos relacionamentos

Chegamos a última parte do prathyahara, o que não tira a importância dela. A forma como nos relacionamos com as pessoas. Incluindo as forma com agimos com elas, através dos karmas (ações), da palavra, etc. E não somente isso. Mas que tipo de relacionamentos temos, com que tipo de pessoas.

Os relacionamentos nutrem a nossa alma, ou pelo menos, é isso que deveriam fazer. Então, aqui não devemos nos alimentar de relacionamentos neuróticos, obsessivos, dependentes, fúteis e sem amor.

Como os relacionamentos batem direto no anahata chakra, devemos estar rodeados de pessoas que busquem o mesmo que você. Nada daquela história de que os opostos se atraem, os opostos na verdade se distrem. Para um relacionamento duradouro e saudável os semelhantes tem que estar na nossa vida. Para que haja harmonia, paz, amor, respeito e companherismo.

Mas vou estender um pouco mais esse jejum de relacionamento. Pois fica muito fácil estar rodeado de pessoas na mesma sintonia que apenas facilitem nossa evolução espiritual. Temos que regar o jardim de todos os relacionamentos, pois vivemos em uma comunidade.

Então, temos que buscar a harmonia com todos os seres, desde os do nosso círculo de convivência até aquele que nunca entraria no nosso meio. Temos que conseguir conviver com todos, ter compaixão para com todos e amor. Muito amor. Pois o amor nutre, especialmente o anahata chakra. E este nosso coração espiritual nutre a nossa alma.

Segundo o Ayurveda, nas palavras de David Frawley, só a nossa consciência exterior é que se localiza no cérebro, não a nossa consciência da fonte, que repousa no coração. Chitta é a psique, ou nossa mente mais profunda, e esta, é geralmente associada ao coração. E esta rege o prana eterno da alma por meio do qual temos força para viver em todos os níveis e a consciência conserva essa força vital, vinda do prana, ela está profundamente ligada com o prana. Por isso, é tão importante a purificação de chitta.

Portando com o coração repleto de amor incondicional, a alma fortalecida pelo jejum de todos os tipos de alimento e chitta purificada pelos pranayamas, podemos viver em paz com o mundo ao nosso redor, sem sermos uma marionete ou alguém que vive pela modismo. Sem alimentar mais e mais vrittis. E sim buscando a purificação do corpo físico, da mente e das emoções e do espírito.

Prática bem práticas!

Há muito que pode ser feito para praticar o pratyahara. Podemos fazer muito mais do que apenas meditar. Meditar é ótimo. Mas temos que ser capaz de fazer pratyahara fora do nosso casulo. Para transformar essas impressões negativos, podemos cultivar as positivas.

1) Através da prática da meditação, onde alimentamos a mente com um único alimento.
2) Estar mais em contato com a natureza. Seja no campo, na praia. Para quem mora na cidade e não tem disponibilidade e tempo para isso, cultivar um pequeno jardim na sua casa. E dedicar um tempo a ele.
3) Frequentar lugares sagrados e satsangs, práticas de Yoga.
4) Praticar antar mouna.
5) Praticar yoni mudra.
6) Se alimentar de alimentos que não sejam industrializados, e não contenham carne.
7) Praticar boas ações. Faça Karma Yoga. Faça trabalho voluntário.
8) Leia um livro inspirador, enriquecedor!
9) Faça drishtis.
10) Sorria!

Om shanti!

No amor da Amma.

Desiderata

Desiderata

Ana Paula Malagueta Gondim em Pratique, Yoga na Vida
  ·   20 segundos de leitura

2 respostas para “Como aplicar pratyahara no mundo de hoje?”

  1. Sei que minha mensagem está fora de contexto, mas gostaria de saber o e-mail para tirar dúvidas sobre cursos, mais especificamente sobre o curso de formação em parceria com Renato Turla. Aguardo. Grata. Marie.

  2. Aninha,

    Adorei seu texto. Tenho buscado leituras sobre Pratyahara. É um tema tão importante e tão pouco abordado e discutido nos livros. Pelo menos não tanto quanto eu gostaria.

    Tenho, pessoalmente, que a pratica do Pratyahara poderia mudar em muito a violencia e não só da guerra, no sentido literal da palavra, mas a violencia da palavra, da ganancia, de olhares raivosos, dos desequilibrios, da identificação tão só com o material, sobrepondo o amor e a compaixão com o próximo, enfim, todos os desequilibrios.
    Pratyahara hoje está no meu dia a dia, fazendo com que eu administre minhas escolhas, às vezes encaradas por algumas pessoas como uma bobagem, ou então bitolação. Bitolação é fazer desta vida um ato nulo. Obrigada por seu texto. Obrigada ao Pedro e à Ângela pelo espaço. Um forte abraço. Patricia Sampaio.

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