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Como lidar com a raiva?

A raiva em si não é nem boa nem ruim. Ela precisa ser reconhecida e aceita. E precisa ser processada. O fato de eu ter raiva não me torna especial. Todo o mundo tem raiva

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A raiva em si não é nem boa nem ruim. Ela precisa ser reconhecida e aceita. E precisa ser processada. O fato de eu ter raiva não me torna especial. Todo o mundo tem raiva.

Porém, você não deve justificar suas ações sob o domínio da raiva vitimizando pessoas à sua volta. Eu posso aceitar a sua raiva, mas tenho o direito de não me tornar vítima dela. Não vitimizar os demais com a sua raiva implica dama, auto-controle.

Você pode falar para sua familia que dentro da sua casa, ninguém mais irá vitimizar os demais por causa da raiva. Você pode dizer ‘eu estou com raiva, vou falar com você depois’. Ou, os outros poderão dizer ‘você esté com raiva, vou falar depois contigo’.

Você deve dar para às suas crianças e cónjuge o poder de lhe apontar quando você está se deixando dominar pela raiva. Este é o ponto em que o lar torna-se funcional, em que há comunicação honesta. O lar é a melhor academia emocional. A raiva está dentro de todos.

Quando você está dominado pela raiva, poderia dizer então ‘eu estou com raiva, vou falar com você depois’. É importante ensinar para as crianças que a raiva não é essencialmente ruim, mas que tampouco é essencialmente má. É como a dor de cabeça. Você quer se livrar dela, mas ela não é nem boa nem ruim em si mesma.

Todos deveríamos compreender que é normal termos raiva. Não é nada anormal se isso acontece conosco. Sejamos honestos. Se é normal ter raiva, também é totalmente equivocado vitimizar os demais por conta da raiva que estamos sentindo.

Controle da raiva significa não tentar fugir dela, mas procurar gerenciá-la da melhor maneira possível. Ocorrências de raiva são normais. Manipulá-la requer muita presença de espírito. Existem varias formas de fazer isso.

Uma delas é escrever o que está acontecendo na hora em que essa emoção estiver se manifestando. Escrever é melhor que digitar. Escreva e depois destrua o papel. Não o guarde. Não é um documento do qual você irá se orgulhar. Escreva a sua raiva.

Assim, se você se dirigir à sua raiva, e escrever sobre ela e para ela, ela estará sendo processada, digerida e neutralizada. Assim, ela perde o poder sobre você. Se for preciso, fale com alguém que possa escutar você. Ou torne-se seu próprio terapeuta e escreva. Isso irá lhe ajudar.

O primeiro processo é dama, controle sobre si mesmo. O segundo processo, escrever, é shama, cultivar a paciência. Não fique se perguntando onde a raiva irá parar. Apenas escreva. Essa é a maneira de lidar com esta emoção: inteligentemente, compassivamente. Seja cuidadoso consigo próprio. Seja compassivo consigo próprio. Seja compreensivo quando a raiva começar a se manifestar.

Texto anotado e traduzido por Pedro Kupfer a partir de uma palestra de Swamiji proferida no Ashram de Rishikesh, em abril de 2007.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

6 respostas para “Como lidar com a raiva?”

  1. Eu senti muita raiva já, coisas que fogem ao meu controle, aquela sensação de calor por dentro , os batimentos cardíacos aceleram e até a fala e a respiração embargam. enfim, a raiva como acabei de escrever, náo é um sintoma emocional apenas, ela também é física… As células, o sangue, tudo passa a ter uma transformação no organismo. eu li alguns artigos e livros sobre acupuntura, e e’muito interessante. Sobre o euqilíbrio das energias opostas YING YANG, equilibrando os pólos positivos e negativos que todos temos, para assim equilibrar as emoÇões e os chakras ( pontos energéticos do corpo). Com isso a acupuntura atua diretamente nesses pontos , através de agulhas.
    mas enfim, esse texto me esclareceu muito no ponto em que eu devo aceitar a minha raiva.. e tbm como posso diminuir sua intensidade até a cura dela. obrigada, namaste

  2. AINDA ACHO QUE PRA RAIVA O VACINA ANTI RABICA É A MELHOR OPÇÃO.

  3. Grande texto! Simples e percuciente! Também muito bom, sobre o mesmo tema é “Aprendendo a Lidar com a Raiva”, de Thich Nhat Hanh (Editora Sextante, 2003), cheio de exercícios e técnicas muito fáceis: a praticidade de um livro de receitas!

  4. Esse texto do Swamiji, é muito bom, porém, existe um componente que não foi abordado mas considero de extrema importância quando se trata da raiva.
    Como bem descrito por Alexander Lowen, a raiva é uma emoção que \\\’esquenta\\\’. Literalmente esquenta, o corpo, os ânimos, enfim…logo, é necessário fazer alguma coisa com isso, fazer alguma coisa com o corpo.
    Eu mesmo sou prova disso, a raiva é a minha emoção \\\’viciada\\\’, é para ela que sempre corro quando acontece algo…e eu me irrito muito durante o dia! Mas a raiva é uma emoção que impulsiona também, se bem direcionada, como elucidou o Swamiji.
    Minha raiva, combinada com a minha agressividade, (que não tem nada haver com violência!) me permitem fazer coisas valorosas em minha vida. Consigo em ir em busca daquilo que o medo (que paralisa, esfria) não está me deixando fazer…
    Voltando ao mundo do Yoga, eu fico perplexo como há um bom mocismo por grande parte dos professores, dos yogis…acho maléfico essa máscara de zen (pastel!) perante à vida e, claro, à sociedade.
    Mas, felizmente, eu conheci esse sítio e o Pedro, que é um exemplo de combatividade dentro do Dharma.
    Grande abraço.

  5. O que muito me deixa satisfeito com o Yoga é que sua prática – quando correta – nos mostra que não devemos negar nossa humanidade (condição humana).

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