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O Yoga dionisíaco da primavera

As cidades se transformaram em câmaras de neurotização, onde somos asfixiados por poluição sonora, visual, estética, 'energética', violência e negatividade de todas as formas

Escrito por Rodrigo Carvalho · 11 mins de leitura >

As cidades se transformaram em câmaras de neurotização, onde somos asfixiados por poluição sonora, visual, estética, ‘energética’, violência e negatividade de todas as formas.

Pisamos em um chão infecto, que não absorve, não bebe a água da chuva, nem se vivifica com os raios de sol.

Ao olhar para cima, conseguimos vislumbrar apenas recortes retos e geométricos do azul do céu, ‘enquadrados’ dentro de uma ‘floresta’ cinza de edifícios que inibem nossa noção de perspectiva e horizontalidade, fazendo-nos esquecer a grandeza do ‘mar azul do céu’ e da natureza.

A civilização de concreto e plástico não é para quem é afeito à liberdade, na cidade é difícil ‘encontra-la’ ou vê-la em alguma parte.

A noite não tem sereno e a luz artificial dos prédios ofusca os astros, dificulta o contato visual com as estrelas e a conexão com a grandeza do universo.

Os grilos e pássaros noturnos, o som do vento nas folhas (sons ainda guardados em nossa memória ancestral), foram substituídos pelos barulhos dos carros e da vida noctívaga, das festas e bares onde geralmente não se faz, não se conversa e não se aprende nada que se aproveite.

No entanto, sem tomar conhecimento do mau gosto e da tolice dos homens, a mãe natureza mandou a primavera, com todas as suas flores, com todos os seus nascimentos e renascimentos, com o retorno da luminosidade.

‘A força dionisíaca da renovação primaveril’ manifesta-se por todos os lados, por toda parte, por todas as ‘frestas’ e, inclusive, dentro de nós.

Perséfone retorna do Hades, o mundo da escuridão, depois de um longo período em reclusão, trazendo de volta as flores, que saem pelas frestas de cimento, em qualquer montinho de capim. Que colorem os canteiros quadrados e limitados por todos os lados, tirando vida e beleza dessa terra cansada de ouvir e sentir passos de gente, terra resignada com ‘guimbas’ de cigarro, papéis de bala, rasteladas dos garis, repleta de formigas que não comem mais comida de formiga.

Podemos esquecer de tudo, enquanto estamos debaixo de nossos tetos. Das nuvens que estão sobrevoando nossas cabeças, do sol cruzando o céu diariamente (o carro de Apolo), do universo ‘lá fora’, da sucessão dos equinócios e solstícios, dos ciclos da terra, da água, do fogo (esse só vemos nos nossos fogões caretas) e do ar, que já estamos até esquecendo como que é realmente (na verdade como que era). Mas a natureza teimosa – um grande exemplo de persistência para todos nós yogis – ignorando todas as perspectivas, vai invadindo tudo e todos com seu princípio de renovação.

Engraçado falar de perspectivas, já que geralmente as nossas são as piores nas metrópoles. No meio das cidades, não conseguimos ver nada além do emaranhado de “amontoados gigantes de tijolinhos” carentes de imaginação e criatividade. É difícil enxergar mais do que quinhentos metros em direção a qualquer lugar para o qual olhamos. Para todo lado, só é possível enxergar prédios e edifícios, construções cinzas, verdadeiros ‘brinquedos’ de encaixes, espécie de ‘lego’ para adultos.

Já que estamos falando de perspectivas, será que era essa a que inspirou a construção das coisas dessa forma, será que foi programado assim mesmo? Era nisso que pensavam quando ‘planejaram’ as cidades, foi essa a intenção ou foi um grande acidente de percurso?

Ignorando a nossa incapacidade de planejar, de ‘perspectivar’, a natureza que é uma arquiteta perfeita, vai coordenando e planejando vida nova, nidificando em qualquer buraquinho, enchendo de canto todos os cantos.

Moro num apartamento térreo, e não posso reclamar muito, pois gozo do privilégio de um jardim na cidade, no meio dos prédios, um pequeno ‘horto’ em meio a parcas possibilidades de sol e luz.

Os passarinhos estão fazendo ninhos onde podem, no meio dos nichos das telhas, amontoando-se na árvore que fica no prédio vizinho – e abençoadamente invade pelo ar a ‘minha’ área – enchendo as manhãs com seus sons e nas tardes competindo com a vocalização do O pelas cigarras.

Tenho uma pequena ‘fontezinha’ com aguapés, onde todo dia fico observando a algazarra dos bem-te-vis e rolinhas tomando banho, bebendo água, afiando o bico, e nessas horas, ‘adeus’ meditação, adeus contagem de ciclos de pranayama, pois perco a pouca capacidade de desidentificação que tenho e mudo o foco da atenção para o chamado da natureza. Já aconteceu de me ‘perder’ nas formiguinhas do chão, nos caracóis navegando no próprio visgo em plantas recém regadas, nos besourinhos e joaninhas que vem eventualmente fugir da fumaça no meu pequeno jardim de vasos e canteiros, quadrados e limitados. Esqueço das ‘coisas da vida’ (vyavaharah) observando a luminosidade do sol atravessando as folhas das bromélias, que servem de toldo para as avencas. Na primavera, minha meditação se transformou em estesia.

Fico ali tentando me ‘limitar’, querendo fazer samyama na natureza. Querendo encontrar uma identificação saudável, extática, buscando um samapatti, tentando me entregar e integrar, estar em conformidade com o ‘espírito’ da natureza, com a manifestação da primavera. Se o ‘homem é aquilo que pensa’ (“manu eva manushyanam“), quero então contemplar o externo e com ele me fundir, buscando através da natureza, o contato com o meu próprio interior.

Incorro no magnífico ‘delito’ de me identificar com as sensações do sol ‘diferente’ e poderoso da primavera (que em nosso hemisfério é um sol abrasador como o de verão), esquentando minha pele enquanto eu pratico uns poucos asanas. Um corpo saído da natureza, brincando de ‘fingir de natureza’. Posturas de bicho, posturas de inseto, viro pedra, viro bicho, viro árvore, volto à infância no sítio.

Viparita Karanisarvangasana – não é mais para preservar amrita, não é para entesourar a energia da vida. Deixo a ampulheta da vida correr, ou não, pouco importa. Agora é hora de sentir o que a árvore sente, de voltar a sentir como sente a natureza. A árvore, um ser invertido: seu psiquismo está nas raízes, em contato com a terra, com o planeta, com a grande ‘barca de Noé’ onde passamos nossas existências. Meus pés então viram galhos e os dedos folhas brincando com o vento.

Penso racionalmente, ‘asana não deve mexer’ e só não dou de ombros como resposta ao pensamento, para não cair no chão, perdendo o suporte. O que importa, é que é primavera novamente.

Fico pensando comigo mesmo: os alunos querendo aprender adho mukha vrkshasana, pincha mayurasana, vriscikasana ou como fazer para se equilibrar em mukta e baddha hasta shirshasana, a, b, c, d, para quê? O negócio agora é simplesmente virar árvore: carvalho, pinheiro, jatobá, figueira, ipê, paineira, flamboyant, pessegueiro, jaqueira, abacateiro, mangueira…..

O mais importante agora é florescer para depois frutificar. Renovar as coisas, os hábitos, os pensamentos, meditar, contemplar, embevecer o olhar, trocar essas imagens horríveis de nossa mente, imagens que se vê nos jornais, que se vê na tv, que se vê nas ruas.

Vamos estender a prática do pratipaksha bhavana para a vivência do cotidiano, torná-la menos literal e mais abrangente a tudo que vemos à nossa volta. Parar de olhar a sujeira das cidades, os cartazes, a imundície estética, a invasão de propagandas, de merchandising, que ataca por terra, por céu e por todos os lados, e começar a buscar seus opostos, o contrário do feio.

As flores e pássaros, as borboletas e joaninhas estão contra-atacando, enchendo o mundo de filhotes, ‘nadando contra a correnteza’ do progresso. É só olhar, é só contemplar, é só ter ‘olhos de ver’. Deméter, a deusa da terra, está exultante pelo retorno de sua filha dos reinos inferiores, colorindo então toda a terra com novos matizes, para recebê-la em festa.

Já que é a época do amor, estou flertando com as coisas da terra, do ar, da água (até as larvas de pernilongo estou tentando curtir), vivenciando sensações, experimentando de novo, observando o novo. Fiz um pacto com Kamadeva e deixei ele me crivar com suas cinco flechas cheias de inspirações sensoriais, mas estou economizando essa sensibilidade, essa excitação dos sentidos apenas para a primavera.

Estou deixando as manifestações da natureza ‘misturarem-se’ comigo, nada de pratyahara com as coisas da primavera. Estou praticando os asanas no sol da manhã, sentindo a brisa, com o olhar atento – num “drishti” itinerante – ao movimento dos insetos à minha volta. ‘Hipnotizando’ as libélulas que vem atrás da água, as formiguinhas, joaninhas e as escassas borboletas, para ver se pousam ou sobem em mim enquanto estou imóvel. Incrível como é fraca a ‘força’ do meu pensamento, houve yogis que dominaram os elementos, as forças naturais, mas eu não consigo nem ‘convencer’ uma borboleta a pousar em mim. Mas não importa, prefiro agora ser ‘controlado’ pela natureza, e não o contrário.

Ando querendo encantar os pássaros com o som da flauta (bansuri) de Hariprasad Chaurasia (que sai do aparelho de som), tentando atraí-los cada vez mais para perto de meu jardim. “Ouvindo música enquanto pratica?” Na primavera pode, só um pouquinho de indisciplina, pois sua ascendência e influência duram pouco, e essa é a época de Dioniso, de Shiva, de renovação e também de paixão, época de Eros, Cupido e Kama, de viver os arquétipos de renascimento e vivacidade, os estados psíquicos de entusiasmo, e logo eu vou ‘voltar’ para meus samskaras e vasanas e lutar contra o mau-humor e estresse dos tumultos de final de ano (tomara que não).

Penso que esses ‘prazeres profanos’ não são para a turma do Yoga das ‘saunas’. Ar livre, ar fresco primaveril, brisa e vento, sol na pele – ‘o Yoga nunca deve ser praticado ao ar livre‘; ‘o corpo não deve ser exposto; ‘ a energia será minada, seu poder exausto caso ocorra esforço para secar o suor, expondo o corpo ao ar livre, o praticante vai se tornando cada vez mais fraco ao longo do tempo‘- é melhor evitar essas coisas naturais, por que fazem mal. O negócio é praticar o Yoga apenas dentro de uma ‘caixinha quente’. Já teve até gente que ‘melhorou’ a coisa colocando aquecedores. Para quê usar o calor do sol, se é possível climatizar uma sala e criar o próprio verão tropical a quarenta graus?… Depois ainda dizem que são só os ocidentais que judiam do Yoga.

Fico questionando essas coisas, ao pensar em alguns hatha-yogis primevos que praticavam asanas na natureza, inspirando-se nos seres vivos; nos sábios que compuseram as aranyakas e em suas práticas rituais e ‘insights’ nas florestas; nos vaidyas que tiveram relação com essa ‘tendência’ cultural e filosófica (aranyaka) e aprenderam a medicina autóctone, a medicina dos campos, das florestas, enriquecendo o Ayurveda que até então contava apenas com fórmulas e rituais, uma medicina subjetiva; fico imaginando os Rishis com suas meditações e visões, pelas montanhas nevadas , cavernas e campinas ensolaradas; fico pensando nos Gurukal de Kalarippayatu, que criaram a mais antiga, bela e perfeita arte marcial copiando e praticando os movimentos dos animais e da natureza, ao ar livre.Talvez estivessem todos errados, ou então estão ultrapassados, afinal, estamos agora na era da caixa, como diz Pedro Kupfer, então o negócio é se enquadrar, e se ‘enquadradar’.

Passei alguns meses me intoxicando, com alguns quilos de droga meso-americana (cacau), uma dieta torpe de engorda, descuidos que o corpo sentiu profundamente. Ainda estou me sentindo como um urso que saiu da hibernação, que acabou de sair da caverna da preguiça e do desmazelo. Estão pesando toneladas esses quilos a mais. Vinyasas? Por enquanto nem pensar, só asanas que me permitam e ajudem a gostar de praticá-los de novo. Asanas que me ajudem a acabar com o sentimento de ‘rejeição’ que adquiri pelas posturas, por tudo que sua prática equivocada tem representado no processo de deterioração no Yoga contemporâneo e na deturpação dessa tradição maravilhosa.

Mas nada melhor que a primavera para recomeçar tudo de novo, praticar os pancakarmas, ou os shat-karmas, alguns punya karmas, ter compaixão e desenvolver maravilhamento (‘camatkara’). Agora é um ótimo momento para ‘espantar’ essas noções errôneas, afinal, os asanas não têm culpa do que estamos fazendo com eles, nós é que temos.

Estou recomeçando do nada com a prática de asanas, sem nenhuma pretensão, sem apegos. Tenho a sensação que tomei uma ‘overdose’ de asanas há uns quatro anos atrás, depois que acreditei na propaganda enganosa do estilo que ensino e da facilidade que meu corpo tinha, uma porta larga e fácil para que eu ‘evoluísse’ muito rápido. Depois, como um drogado que passou um bom tempo no excesso, fiquei numa espécie de ‘crise’ me recuperando, parei completamente, me revoltei, fui ao extremo. Quis ficar apenas praticando aqueles asanas que serviam para meditar e possibilitavam respirar direito, expandir o prana, quase nada mais que isso.

Investi naquela época na reflexão e prática do ideal de um poeta louco que disse que ‘o caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria’, depois cristalizei-me na inércia, na estase, mas descobri que Siddharta, o buddha, é que estava correto, e então optei pelo caminho do meio.

Foi tudo válido de alguma forma, mas é passado, agora estou descobrindo a delícia de praticar de novo, uns poucos asanas essenciais, praticando ainda meio que como criança, sem tanto compromisso com a perfeição, sem cobranças bobas. Estou mais maravilhado com a natureza do corpo, com suas possibilidades, sentindo com boa vontade suas manifestações, dando de ombros para a técnica, para as posturas elaboradas demais. Intensidade, nesse momento, só estou buscando a do embevecimento interior.

Não vou dizer que ‘dessa água não beberei’. Pode ser que volte a me interessar pelas posturas ‘avançadas’. Mas por enquanto não. O simples é o que eu quero agora e também a experiência do ‘novo’, os asanas que estou ‘inventando’ na minha prática, seguindo os ‘conselhos’ que ouço no diálogo do corpo com a natureza.

O yogi deve buscar ‘mergulhar’ em ênstases cada vez mais profundos, mas durante essa primavera, pelo menos um pouquinho, vou buscar e experimentar os êxtases (lit. “ficar fora”) que me conectem com a natureza. Natureza ‘de fora’, ou ‘de dentro’, no fundo não importa tanto, pois acaba sendo tudo a mesma coisa. Meu corpo, seu corpo, os corpos todos são ‘emanações’ e partes da mesma prakritti.

Estou me preparando para florescer, e como vou frutificar não sei, os frutos não devem nos pertencer, nem é válido se preocupar com eles. Vairagya e ishvara pranidhana durante a primavera. Importa agora a renovação, que está acontecendo dentro de nós, de alguma forma dentro de todos, independente dos ternos, gravatas, celulares, laptops, microondas, tv e outras geringonças sem graça que só se ‘movem’ ligadas na tomada …… O florescimento interior, a primavera interior, é isso o que estou vivenciando e querendo agora.

Meu corpo ainda está tomado por tamas, a consciência adormeceu no corpo e um corpo sem consciência é como uma morada sem luz. Mas estou num processo delicioso de recomeçar, o deleite de abrir as janelas e deixar o ar e o sol entrar para acabar com o mofo dos condicionamentos e deixar iluminar.

Nota 1: As frases contra as práticas ao ar livre contidas no texto, são do sr. Pattabhi Jois, provavelmente inspiradas numa interpretação literal e errônea de textos tradicionais que são escritos numa linguagem metafórica, simbólica e esotérica (hermética). Posso garantir que ninguém vai ter ‘anemia energética’ se fizer alguns surya namaskar no sol de primavera nas lindas manhãs que estão ocorrendo.

Não sou opositor das práticas dentro de salas, muito pelo contrário, mas também não creio na eficácia dessa rigidez ( já que Yoga também é experimentação) que obriga as pessoas à sufocar em nome do suor ‘purificador’ . Suor é água com sais minerais, objetivamente falando, a purificação se dá pela prática de tapas, e não pela reação fisiológica ao esforço e ao aquecimento do corpo, que produz o suor como um recurso natural para esfriar o corpo. A transpiração (sudorese) efetivamente age como meio de ‘abrir’ os shrotas, mas isso não tem nenhuma relação com a crendice de que as toxinas ‘vêm para fora’ através do suor, pois se fosse assim, tocar numa pessoa suada seria falta de higiene. Além do mais, nada melhor para purificar o corpo que respirar ao ar livre, que geralmente é mais puro do que o ar em interiores.

Nota 2: Se alguém visse o tamanho do meu ‘horto’ iria pensar: ‘Que imaginação fértil’. Imaginação primaveril.

Nota 3: Quando falo de florescimento, estou falando de estesia e arrebatamento como sendo também possíveis caminhos para o real florescimento, que pode ser chamado em sânscrito de adhyatma vikasa, o desenvolvimento (vikasa) de capacidades e qualidades que encaminham o praticante na senda de descoberta do Ser interior.

Nota 4: Há pouco tempo atrás, esquecemos de pagar uma conta e ficamos seis dias sem luz elétrica. O que poderia caracterizar um transtorno, acabou se transformando em quase uma semana deliciosa de namoro, rodas de muita conversa e estorinhas para as crianças`a luz de velas. Até o violão voltou à vida. Sugiro para todo mundo nessa primavera um boicote à empresa de luz regional. Já estamos programando nosso próximo descuido.

Nota 5: Ainda não abandonei totalmente o vício por chocolates. Mas dá tempo ainda.

Rodrigo ensina Yoga em Belo Horizonte e seu e-mail é [email protected]

10 respostas para “O Yoga dionisíaco da primavera”

  1. Parabéns, velho! Texto direto, sensível, humano e muito feliz! Gostei muito da parte da falta de luz, precisamos de muito pouco para sermos realmente felizes. Um grande abraço e permaneça com esse amor no coração. Daniel.

  2. Meeeeu…!!!! Obrigada por este texto gostoooso, espontâneo e reflexivo como o desabrochar da primavera. Valeu !!! … H A R I B O L !

  3. Olá pessoal,

    Obrigado pelos comentários, que bom que o texto tocou algumas pessoas. Sobre o comentário do Pedro, foi muito bom que ele tenha escrito aquelas coisas, porque sem uma ponderação, acho que o texto pode dar uma impressão “dionísiaca” demais.

    Gostaria de esclarecer que isso são relatos de experimentações, e nesse sentido, são úteis para acabar com condicionamentos de prática, e questionar a rigidez de certos sistemas, que acabam por se tornar dogmáticos.

    No entanto, minha opinião final sobre tudo isso, é que a prática deve ter liberdade para experiências, para renovação, mas deve ter disciplina, determinação, tapas e abhyasa, pois se for sempre “dionisíaca” , pode acabar por “degringolar”.

    A melhor prática é aquela sem música, com aplicação, vontade firme e de preferência, da pele para dentro, voltada para o interior.

    Como o Pedro disse, não sei o que seria de mim, se não tivesse praticado firme, o que criou um alicerce. Mas de vez em quando é bom variar e buscar novos ares.

    Um abraço.

  4. Rodrigoji,

    Poucas vezes li um texto tão feliz. Amei. Compartilho de tua alegria nesta terra abençoada e especial que é Minas Gerais.
    Estou morando em Poços de Caldas, e coincidentemente estou vivenciando esta primavera de uma maneira incomum. Ontem mesmo eu estáva aí em Belo Horizonte visitando minha filha Luana e comentei com ela o perigo de nos preocuparmos DEMAIS com os rumos do planeta e acabarmos perdendo a beleza que continua se manifestando a cada instante. Como dizem os budistas: “Samsara é nirvana, nirvana é samsara.”
    Semana passada testemunhei uma chuva espetacular aqui em Poços ( poderia dizer assustadora, mas porque?).
    No meio da tempestade o Sol surgiu e cada gota de chuva brilhava como prana, foi um espetáculo de júbilo.
    Saí na chuva, dancei, fiquei encharcada e feliz da vida.
    Depois , de brinde, veio um arco-íris (a ponte entre os homens e os deuses).
    Isso tudo também é meditação. Não nos esqueçamos que meditar é um verbo, portanto uma ação. O estado meditativo é a própria vida. Tudo é meditação, quando aceitamos e entregamos.
    Olha só, também iniciei a primavera voltando aos asanas mais básicos e simples, redescobrindo suas bençãos.

    Um maha-abraço procê e felicidades.

  5. Ola Rodrigo! Me veio bem a calhar teu texto e o comentario do Professor Pedro! Como uma bela junção! Afinal de contas, o Yoga não é uma Igreja. Por mais que em nosso caminhar talvez passemos por ela e em algumas nos fixemos, a consciencia de que Yoga é algo libertador, é algo que devemos aos poucos buscar compreender, neste sistema, Sagrado e Profano não são necessariamente opostos. Descondicionar a mente de padrões repressivos e tortuosos, que estão em nós e não em sistemas ou metodos de prática hatha yógica, abrir o caminho, com este divino instrumento que é o Yoga, para a mais pura expressão da alma, da Força do coração,,se engrandecendo e iluminando, saindo da caixinha de medos preconceitos e etcs, para a beleza da nossa Mãe Terra,,afinal é nessa barca que flutuamos pelo colo do Universo! Namaste e valeu!

  6. Caro amigo,
    Namastê! Muito obrigado pela bela reflexão. Este tipo de prática “dionisíaca” é bem conhecida pelos surfstas. Acabo de retornar do mar, depois da meditação matinal e uns ásanas no pranchão, olhando para os golfinhos e gaivotas, nossos vizinhos não-humanos, mas não por isso menos queridos ou respeitados.

    Distraídos e imaturos têm em todo lugar. A questão está em viver a própria vida, usufruíndo o privilégio de usar dhármica e construtivamente a própria liberdade.

    Não creio que seu investimento na prática pesada de ásana tenha sido em vão. Talvez, sem ela, você não estaria onde se encontra agora. Já pensou nisso? Nada sobra, nenhuma experiência é desprezível. Todas as coisas que desfrutamos ou sofremos podem tornar-se lições para nós, nesse processo de auto-aperfeiçoamenteo que é a vida de Yoga. Valeu! Harih Om!

  7. Rodrigo, que texto inspirador.
    Vontade de sair correndo pra fazer Yoga na grama com as crianças e mandar uma banana pra todo o modismo, esse monte de professor neurótico que a gente encontra por ai.
    Que sejamos sempre livres, fortes e autênticos.
    HARI OM TAT SAT
    Obrigada pela reflexão.

  8. Caramba Rodrigo,
    Vou te dizer uma coisa, fiquei decepcionado com esse texto. Adquiri grande admiração por você por causa daquele petardo que foi o artigo sobre Ashtanga, e daquele debate com aquelas respostas brilhantes, mas agora, vou dizer que seu texto perdeu a força.

    Que conversa é essa sobre joaninhas, cadê o Yoga? Fiquei esperando que quando você enviasse outro texto, que seria com aquela força, e você envia esse texto falando de borboletas. Não entendo mais nada, acho que me enganei quando imaginei um herói.

    Não desperdice sua inspiração, o Ashtanga ainda tem muita sujeira para lavar.

    Quase não acreditei que era a mesma pessoa, só confirmei ao ver seu e-mail no final do artigo.

  9. Que coisa linda!

    Como pode se tornar lindo o Yoga com um pouco de sensibilidade e de percepção aguçada.

    Não tinha pensado ainda em Yoga dessa forma, porque nós ficamos tão preocupados em fazer tudo corretamente, que acabamos ficando rígidos e secos.

    Esse texto é uma nova inspiração para a primavera e o final de ano, já acordei diferente hoje, e já fui praticar no sol, viva a liberdade dos conceitos rígidos. Obrigada Rodrigo, por tanta beleza em suas palavras.

  10. Hari Om, Rodrigo!!! Seu texto tornou esta primavera muito mais bonita!!! Parabens e obrigada pela inspiração. Bom demais saber que há pessoas tão sensíveis e que não há nada de errado em trocar asanas por poesia e praticar “primaverasanas”…

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