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Pontos de vista diferentes, julgamentos diferentes

Uma vez, há quase 50 anos, vim dar uma volta no fim da tarde pela beira do rio Ganges e vi que havia alguns sadhus morando em pequenas cabanas de bambu. Isso me inspirou para também me mudar para aqui.

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Uma vez, há quase 50 anos, vim dar uma volta no fim da tarde pela beira do rio Ganges e vi que havia alguns sadhus morando em pequenas cabanas de bambu. Isso me inspirou para também me mudar para aqui.

Eu estudava no Kailaśa Āśram, aqui perto, e comecei também a dar algumas aulas de Vedānta e sânscrito na minha cabana. Levava uma vida muito simples, mas extremamente realizada e feliz.

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Tempos depois, um sadhu se instalou numa das cabanas que estavam disponíveis. Ele era astrólogo e, durante dois anos, insistiu para que eu fizesse meu mapa astral com ele.

Afinal, quando aquiesci, ele fez todos aqueles cálculos e voltou sem acreditar no que havia visto: eu poderia vir ser uma pessoa muito poderosa, pois tinha potencial para isso.

Perguntou-me: “Como é que você fica aqui, neste sofrimento, pudendo ter a possibilidade de ter um Āśram enorme, pelo que dá para ver no seu mapa? Por que você fez essa opção? Você não quer ter sucesso na vida?”

O coitado, dentro da cabeça dele, achava que eu estava infeliz aqui, meditando, estudando e aprendendo.

O julgamento de que a vida que eu tinha era ruim ou difícil é dele, pois eu sempre achei aquele período o mais satisfatório de todos os que vivi.

Temos nesta situação dois pontos de vista totalmente diferentes sobre o que seja realização pessoal.

Olhando desde o ponto de vista dele, eu era um pobre coitado. Do meu lado, eu estava totalmente realizado.

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Transcrição de uma palestra de 11 de março de 2011. Traudução de Pedro Kupfer.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

4 respostas para “Pontos de vista diferentes, julgamentos diferentes”

  1. Perceber o que nos faz felizes de verdade e não se importar com o que os outros pensam sobre isto é um exercício diário já que vivemos em uma sociedade que nos cobra modelos e padrões o tempo todo. Confesso que por muitos anos eu me rendia a maioria deles mas hoje posso dizer com uma tranquilidade de alma e coração, sou feliz como sou, onde estou, na minha missão e se ainda vez e outra meus ouvidos escutam comentários, eu tenho um sorriso de plenitude que ilumina todo o meu ser. Eu tenho muitas coisas a agradecer nesta vida mas alcançar este estágio de compreensão é o que eu chamo de presente de vida.
    Namaste!
    Adriane

  2. A felicidade esta dentro de cada um, e não naquilo que os outros acham que devemos ter.

  3. \\\’\\\’irmão sol, irmã lua, irmão universo.” Francisco de Assis. “Só Deus basta.\\\’ Santa Tereza . Yoga- Caminho para a casa do pai. Um abraço.

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