Conheça, Vedānta

Sobre a riqueza e como lidar com ela

Os esquilos acumulam sementes para o inverno. Somente para o próximo inverno. Nunca juntam para 10 invernos. Na busca pelo conforto e a riqueza, nós deveríamos pensar e agir como esquilos. No entanto, alguns humanos juntam comida para séculos, juntam riquezas como se fossem viver eternamente

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī · 1 mins de leitura >

Dentre aqueles que compreenderam os Vedas, chamados viprendras, existem alguns que, permanecendo nesse conhecimento, agindo desde a perspectiva da consciência e aplicando os valores fundamentais, vivem neste mundo.

Todos temos olhos, mas cada um vê o mundo com um olhar diferente. Num supermercado, olhe para as pessoas. Veja como elas se posicionam. Quem fica escolhendo os shampoos? Aqueles que têm cabelo. Um careca não tem o mínimo interesse no shampoo, pois não tem nenhuma utilidade para ele. Outras pessoas buscam pentes. O careca não está interessado nos pentes, pois não tem um uso para dar para eles. Estas constatações são muito interessantes.

A atitude de aceitação das pessoas como elas são, é muito importante. Até mesmo aqueles que dizem não se importar com o futuro tem que pensar no futuro. As pessoas vivem para satisfazer suas necessidades básicas (annapanam). Eu já vi gente tornando-se sannyasin e ainda preocupando-se com o futuro. Já vi uns dandi swamis, daqueles que somente podem mendigar comida em casas de brahma?as, extremamente preocupados com o futuro e com o problema de conseguirem comida para se alimentarem.

É necessário aceitarmos com gratidão aquilo que vem para nós hoje. Não dê tanta importância aos detalhes. Não pense tanto em como deveriam ser as coisas ou como você gostaria que elas acontecessem em sua vida. Aceite tudo o que vem para você como um presente de Ishvara.

Os esquilos acumulam sementes para o inverno. Somente para o próximo inverno. Nunca juntam para 10 invernos. Na busca pelo conforto e a riqueza, nós deveríamos pensar e agir como esquilos. No entanto, alguns humanos juntam comida para séculos, juntam riquezas como se fossem viver eternamente. Isso acontece porque as pessoas não acreditam em si mesmas, nem confiam no futuro. Eles pensam que seus filhos serão incapazes de providenciar riquezas para si mesmos. Eles não confiam na capacidade dos seus próprios filhos.

Essas necessidades básicas deveriam ser consideradas objetivamente, com os pés na terra. Para manter o corpo funcionando nesta jornada (yatra sharira). Há uma trajetória que o corpo faz, e um conjunto de necessidades que ele tem ao longo da vida. Essa vida tem um objetivo que não deve ser esquecido: moksha.

As aflições do corpo deveriam afetar somente o corpo. Quando elas invadem o psiquismo, estamos dando a essas aflições uma importância que elas não têm.

Texto anotado e traduzido por Pedro Kupfer a partir de uma palestra de Swamiji proferida no Ashram de Rishikesh, em março de 2006.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī
Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.
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Swāmi Dayānanda Saraswatī em Conheça, Vedānta
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2 respostas para “Sobre a riqueza e como lidar com ela”

  1. É um texto muito bonito, mas sua utopia vai além das possibilidades dos seres humanos. Nós deveríamos nos preocupar mais com o que somos do que com o que temos e, se fosse assim, não nos preocuparíamos tanto com riquezas. Mas o fato é que somos seres influenciáveis e enquanto a cultura das sociedades for a admiração pelo poder de aquisição de bens materiais, será impossível reverter este quadro em grande escala. Claro que, se cada um se desse a chance de acessar sua própria consciência de forma sincera, talvez isso pudésse ser real, mas nossos instintos vão além de nossa consciência e poucos são os que tem força de vontade para mudar esse padrão. Uma mulher bonita sempre chamará mais atenção por sua aparência do que pelos seus gestos e a premissa instintiva para conquista desta mulher, faz com que os homens lutem por destaque para conseguir alcançar um patamar que os façam sentir-se melhores que os outros para conquistar essa mulher. Nossa cultura de comparação para adquirir destaque social, somado a exposição da mídia e admiração das massas por quem adquire este destaque, faz com que as pessoas tenham necessidade de acumular riquezas por gerações e gerações só para manter esse destaque. Enfim, não é uma questão de necessidade , mas do vício de manter o ego constantemente glorificado. Eu gostaria de acreditar numa transformação deste quadro, mas tenho pouca fé nisso… Felizmente, os esquilos não passam por essas provações.

  2. Muito obrigada!!! Precisava ler algo assim e acalmar meu coração tão carente de sabedoria. Com certeza a preocupação só nos faz sentir mais ansiosos e infelizes, vivendo o momento presente e se ocupando com as necessidades imediatas, teremos mais serenidade e menos sofrimento. Namastê!

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