Meditação, Pratique

Meditação Ajapajapa – Estágio II

Desperta a sushumná nádi, canal psíquico entre o chakra básico e o do intercílio. Inclui bhrúmadhya drishti, kechari mudrá e ujjayí pránáyáma.

· 4 mins de leitura >
ajapajapa

Este é o segundo estágio da meditação Ajapajapa, também chamada Sohaṁ.

Ela tem como objeto o som natural da respiração e inclui ainda visualizações e a prática de kecarīmudrā e ujjayī prāṇāyāma.

॥ हरिः ॐ ॥

Sente numa posição confortável, com as costas eretas. Inspire profundamente e repita o mantra Oṁ durante em três fôlegos: OṁOṁOṁ.

Espinha ereta. Cabeça na vertical. Mãos em jñānamudrā, nos joelhos. Boca e olhos fechados. Tome consciência do corpo todo. Observe-se na posição em que você está sentado.

Permaneça consciente da posição. Consciência no āsana e no efeito que ele tem no seu corpo: firmeza, quietude e estabilidade.

Faça uma rotação da consciência por cada uma das partes do corpo: cabeça, pescoço, ombros, braços, mãos, tronco, costas, tórax, abdômen, pernas e pés.

Localize e elimine deliberadamente quaisquer tensões que possa haver em alguma articulação, músculo ou parte do corpo.

Ajuste a posição de maneira que você não precise mais se mexer. As costas eretas, mas sem rigidez. Fique totalmente confortável.

Consciência total no corpo. Verifique se o corpo está realmente confortável e livre de tensões. Consciência total no corpo físico denso: músculos, ligamentos, ossos, órgãos, sangue, pele.

Visualize o seu corpo. Tome consciência das experiências físicas do seu corpo: solidez, dor ou prazer, calor ou frio, e outras coisas que possam alterar o estado de atentividade ou afetar o corpo.

Permaneça absolutamente estável: faça kayasthairyaṁ. Completa quietude do corpo. Completa estabilidade. O corpo está absolutamente imóvel, como uma rocha (1/2 minuto em silêncio).

A meditação no som da respiração começa aqui. Observe a sua respiração. Não controle a respiração. Permita-se ser respirado pelo ar.

Permaneça como observador imóvel do processo respiratório. Seja testemunha (1 minuto em silêncio).

sohaṁ

Faça kecarīmudrā, elevando a língua e pressionando-a suavemente no palato mole, perto da garganta.

Mantenha o kecarī até o final da prática (1/2 minuto em silêncio). Agora, faça ujjayī prāṇāyāma, a respiração sonora.

Respire sem esforço, mantendo a glote elevada, mas descontraída, como se o ar estivesse entrando diretamente pela garganta (1/2 minuto em silêncio). Faça este som suave o tempo todo (1/2 minuto em silêncio).

Se aparecer algum pensamento, tome consciência dele, mas continue observando o fluxo do ar.

Associe o mantra so com a inspiração, e o mantra haṁ com a exalação. Não perca nenhuma respiração.

A cada inspiração, repita mentalmente so. A cada exalação, repita mentalmente haṁ. A respiração e o mantra são uma coisa só. So ao inspirar, ham ao exalar. Perfeita sincronia (3 minutos em silêncio).

Agora, deixe de repetir o mantra e apenas escute o som que a respiração produz. Ao inspirar, ouça o so. Ao exalar, ouça o haṁ. 

Este som sempre existiu, existe agora e existirá até a exalação final. Haṁ so, haṁ so.

O mantra ressoa em cada uma das suas células. O mantra ressoa em cada um dos seus pensamentos.

Consciência contínua e intensa no mantra da respiração. Consciência total (3 minutos em silêncio).

Tome consciência da suṣumṇānāḍī, o canal energético que conecta o cakra básico com o cakra do intercílio.

Visualize-o como um tubo luminoso entre o cóccix e o intercílio, entre o mūlādhāra e o ājñacakra (1/2 minuto em silêncio).

Ao inspirar visualize esse tubo de energia preenchendo-se de luz e energia. Ao exalar, visualize que a energia volta para a base da coluna (3 minutos em silêncio).

Desperte a experiência do canal psíquico: ao inspirar, a consciência e o prána ascendem do cóccix ao intercílio, passando pelos cakras ao longo da coluna. Ao exalar, a consciência e a energia voltam para o cóccix.

Continue assim (1 minuto em silêncio). A cada inspiração, repita mentalmente so e acompanhe a passagem da energia pela coluna, chegando ao intercílio.

A cada exalação repita mentalmente haṁ, e sinta a energia descendo até a base da coluna. A respiração, o prāṇa e o mantra são uma coisa só (3 minutos em silêncio).

Agora concentre-se unicamente no som. O som da respiração é muito mais que o ‘eco’ mental que acontece quando se repete uma palavra muitas vezes.

É uma ferramenta transformadora, que se reflete no estado de espírito em que você está agora (3 minutos em silêncio).

Sinta o mantra ecoando na consciência. Observe o espaço interior onde o mantra ecoa. Observe o intervalo entre o haṁ e o so.

Observe o intervalo entre o so e o haṁ. Observe esses espaços onde aparece o vazio.

Observe como a sua respiração pode espontaneamente parar por alguns instantes. Nessas pausas, desvincule-se do seu corpo.

Desvincule-se do seu pensamento. Não lute contra ele. Apenas a consciência do mantra permanece (3 minutos em silêncio).

Deixe a respiração suave e espontânea. Preste atenção ao som interno. Não interessa que o produz: não é necessário sabê-lo.

Perceba essa vibração e a consciência movendo-se dentro dela. Deixe que a consciência venha para dentro e observe a respiração.

Veja como você percebe a inspiração e a expiração, sem controlar nada (1 minuto em silêncio).

O simples fato de estar observando a respiração já muda o seu ritmo. A consciência está totalmente concentrada no fluxo do ar.

No instante em que termina a exalação e começa a inspiração não há passado, nem futuro: apenas presente puro (1 minuto em silêncio).

Perceba a expansão da consciência ao inalar: talvez fique limitada ao corpo ou ao espaço pessoal; talvez, se estenda além do eu.

Ao exalar, na contração do pulso prânico, volte ao espaço interior do corpo ou a algum ponto concreto nele (1 minuto em silêncio).

Enquanto isso mantenha o ujjayī prāṇāyāma, o percurso da passagem psíquica por cada cakra, e o mantra do prāṇāyāma. Perceba como afloram pensamentos à consciência.

Mas conserve o foco de atenção na mente. Veja como ela é diferente da consciência. Perceba a natureza dos pensamentos que afloram à consciência: agradáveis ou não.

Conserve este principio básico para poder manter a mira na consciência, porque ela contém aspectos que lhe permitirão indagar mais.

Continue procurando dentro de si para concentrar-se sobre aspectos da sua consciência que precise conhecer.

Ao sentir a mente internalizada e tranqüila, cesse o mantra, concentre-se no ājñacakra e observe.

Faça bhrūmādhyadṛṣṭi (3 minutos em silêncio). Neste momento, externalize a mente.

Encerre esta prática e permita que aos poucos o seu pensamento flua através dos sentidos e as experiências sensoriais.

Tome consciência das experiências da mente, do corpo e do ambiente. Externalize a mente. Externalize os sentidos.

Ao poucos, mova o corpo. Quando estiver pronto, sem pressa, abra os olhos. A prática de ajapajapa finaliza aqui. Oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ.

॥ हरिः ॐ ॥


Como praticar a meditação Ajapajapa?

O texto acima pode usar-se como modelo de elocução. Você estuda a técnica e grava a sua própria voz, lendo pausadamente (uma frase a cada quatro segundos, aproximadamente).

Considere respeitar os tempos que aparecem sugeridos entre parêntesis (ou reduzindo-os proporcionalmente).

Outra opção é fazer pequenos grupos de meditação com seus amigos, onde cada um pode usar os textos como orientação para dar a prática para os outros.

Se você for professor de Yoga, poderá igualmente usar essa prática da meditação sohaṁ nas suas aulas, tomando o cuidado de escolher a técnica mais adequada para cada pessoa ou grupo.

॥ हरिः ॐ ॥

Extraído do livro Yoga Prático

Pratique os outros dois
estágios da meditação ajapajapa:
Ajapajapa, Estágio  1
Ajapajapa, Estágio 3

॥ हरिः ॐ ॥

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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