Meditação, Pratique

Meditação no manipura chakra

A prática inclui kaya sthairyam, ákásh pránáyáma, bíja mantra e a visualização dos símbolos e deidades do chakra. O manipura se vincula a agni (o elemento fogo), ao poder interior, à capacidade de realização, à raiva e à digestão

Escrito por Pedro Kupfer · 6 mins de leitura >

Tempo: 35 a 50 minutos
Nível: intermediário e avançado
Sinopse: a prática inclui kaya sthairyam, ákásh pránáyáma, bíja mantra e a visualização dos símbolos e deidades do chakra. O manipura se vincula a agni (o elemento fogo), ao poder interior, à capacidade de realização, à raiva e à digestão.

Sente numa posição de meditação com as costas eretas e as mãos em jñána mudrá. Mantenha os olhos fechados. Inspire profundamente e vocalize o mantra Om durante sete fôlegos: Om, Om, Om, Om, Om, Om, Om. Permaneça consciente do seu corpo. Construa uma imagem mental do corpo. Ou sinta o corpo. Ou as duas. Como você quiser. Permaneça consciente do corpo inteiro. Tome consciência da sua espinha dorsal, que está perfeitamente ereta, sustentando o pescoço e a cabeça.

Tome consciência da posição equilibrada dos braços e pernas. Consciência total no seu corpo inteiro. O corpo inteiro, dos pés à cabeça. Imagine-se como se estivesse crescendo a partir do chão, como se fosse uma árvore. Suas pernas são as raízes da árvore. O resto do corpo é o tronco. Vivencie isto com intensidade. Você está crescendo a partir do chão, fixando-se no chão. Você está absolutamente estável. Absolutamente imóvel.

Como se fosse uma árvore enorme e forte. Perceba-se, vivencie-se crescendo a partir do chão. Fixando-se no chão. Unindo-se com o chão. Não há diferença entre o corpo e o chão. Você está absolutamente estável. Absolutamente imóvel. Consciência intensa.

Concientize-se das partes do corpo, começando pela cabeça. Visualize a sua cabeça e mantenha consciência total nela. Faça o mesmo com o pescoço. Visualize o seu pescoço e mantenha consciência total nele. Faça o mesmo com o ombro direito. Com o ombro esquerdo. Com o braço direito. Com o braço esquerdo. Com a mão direita. Com a mão esquerda. Permaneça consciente das costas inteiras. Do peito. Do abdômen. Do glúteo direito. Do glúteo esquerdo. Mantenha-se consciente da perna direita. Da perna esquerda. Do pé direito. Do pé esquerdo. E depois, do corpo inteiro. O corpo inteiro de uma só vez. Consciência total no seu corpo inteiro. O corpo inteiro, como uma unidade.

Agora visualize o exterior do corpo. Como se você estivesse se vendo num espelho. Veja seu corpo na posição de meditação. Pela frente. Pelo lado direito. Pelo lado esquerdo. Por trás. Por cima. E depois, de todos os lados ao mesmo tempo. Consciência total no seu corpo inteiro. Seu corpo inteiro, como uma unidade. Tome consciência das sensações físicas que o seu corpo experimenta. Consciência total em todas as sensações físicas. Permita que estas sensações se transformem num foco para o seu pensamento. Consciência total.

Faça um sankalpa: tome a resolução de permanecer absolutamente estável e imóvel durante toda a prática. Repita mentalmente: ‘durante toda a prática fico absolutamente estável, absolutamente imóvel. Absolutamente estável e imóvel’. Fique atento aos sinais de desconforto do seu corpo. Consciência total em todos os sinais de desconforto: dor, coceira, formigamento, necessidade de deglutir saliva, o que for. E permaneça absolutamente firme e imóvel. Quando você se prepara para permanecer atento e evitar todo e qualquer movimento, o corpo permanece imóvel e rígido como uma estátua. E você percebe uma sensação de levitação astral.

Se houver algum movimento inconsciente, tome consciência desse movimento. Torne-o consciente. Consciência total no corpo e na estabilidade. Consciência total no corpo e na imobilidade. Seu corpo está totalmente estável e imóvel. Absolutamente firme e descontraído. Esta é a forma da sua consciência agora.

Você está preparado para manter esse estado. Sinta seu corpo ficando mais e mais rígido. Mais e mais firme. Tão rígido e firme que, depois de algum tempo, você não consegue mais se mexer. Consciência total no corpo e na rigidez. Consciência total no corpo e na firmeza. Seu corpo está absolutamente rígido e firme. Rígido e firme, porém, perfeitamente descontraído e relaxado. Absolutamente imóvel. Consciência intensa.

Ao manter a consciência centrada, você sente o seu corpo ficar cada vez mais leve, cada vez mais sutil. Tão leve e sutil que agora, a consciência do corpo se esvai. Este é o momento para transferir a atenção para o ritmo natural da sua respiração. Consciência total no ritmo natural da sua respiração, mantendo-a tão silenciosa quanto for possível. Agora coloque a consciência no limite exterior das narinas, no ponto que define se o ar está dentro ou fora delas. Dentro ou fora do seu organismo. Consciência total.

Leve a consciência para além do limite das narinas. Observe o movimento de entrada e saída do ar. Ao exalar, o ar de fora é deslocado pelo ar que sai das narinas. Ao inalar, o ar nos pulmões é comprimido pelo ar novo que entra. Consciência total no processo respiratório, mantendo a respiração tão silenciosa quanto for possível. Agora torne a respiração mais sutil. Prolongue aos poucos a duração da inspiração e da expiração. Não force nada. Respiração leve e sutil.

A sua respiração fica tão sutil que ao inspirar, não há compressão do ar dentro dos pulmões, e ao exalar, não há deslocamento do ar de fora. A sua respiração está absolutamente silenciosa. Aqui você experiencia o ákásh, princípio do espaço.

Coloque a atenção no manipura chakra, na altura do umbigo. Consciência total no manipura. Ao mesmo tempo, faça mentalmente o bíja mantra Ram. Repita este mantra de maneira contínua e rítmica, associando o ritmo com a respiração: Ram, Ram, Ram, Ram, Ram.

Faça japa mentalmente, criando uma textura sonora constante e uniforme. Sinta a vibração do mantra ressoando no chakra. Para revelar seu poder, o bíja mantra precisa fazer-se junto com visualizações. Se não for assim, a repetição será inútil. Consciência contínua e intensa no manipura chakra. Associe agora ao bíja mantra a imagem de um triângulo vermelho com o vértice para baixo, dentro de um lótus de dez pétalas de cor azul. O triângulo é símbolo de agni, o elemento fogo.

[Atenção: nas primeiras práticas, se você for iniciante ou tiver dificuldades para visualizar claramente, omita esta parte da meditação e passe diretamente à visualização do redemoinho de luz.]

Visualize o bíja mantra Ram na cor dourada, pulsando sobre o triângulo. Sobre o bíja aparece o carneiro, símbolo e veículo de Agni, o fogo. Sobre o manipura, do lado esquerdo, está Braddha Rudra, o Shiva ancião. Ele tem pele azul, longa barba e cabelos prateados, e senta sobre uma pele de tigre dourado, que representa a vitória do yogi sobre a sua própria mente. Com a mão esquerda ele sustenta o damaru, tambor em forma de ampulheta, com que marca o ritmo de dissolução do Universo. Com a mão direita segura um tridente.

Ao seu lado está Lakiní Shaktí. Ela tem três cabeças e quatro braços. Sua pele é escura e veste um sari amarelo. Com a mão superior esquerda segura um raio. Na outra mão esquerda, uma flecha. Com a mão inferior direita faz abhaya mudrá, o gesto de dissipar o medo. Com a outra mão direita sustenta brasas incandescentes. Consciência total na representação do manipura chakra.

Se em algum momento você perder a concentração, construa tudo de novo: respiração lenta e consciente e repetição mental do bíja mantra Ram, o triângulo vermelho invertido, yantra do elemento fogo, as dez pétalas azuis, o bíja mantra pulsando sobre o triângulo, o carneiro, Braddha Rudra, Lakiní Shaktí, com três cabeças e quatro braços.

Agora visualize que o manipura se transforma num lótus azul com o centro vermelho. Aos poucos, o lótus começa a girar. Um vórtice de energia girando vertiginosamente. Mergulhe nesse redemoinho. Observe o sentido do giro. Sinta a vibração da energia primal pulsando através de você. Consciência intensa e contínua.

Nesse momento, a imagem do lótus se esvai. Conclua a meditação. Mantenha os olhos fechados. Fique atento ao momento presente, aos seus sentimentos, ao efeito da prática, ao lugar onde você está. Então, movimente-se devagar. Abra os olhos. A prática de meditação está completa.

Om Shanti, Shanti, Shanti.


Atenção.

Estas práticas de meditação sobre os chakras são apresentadas aqui a título de registro e para fins de estudo e referência. Elas não têm a intenção (nem a capacidade) de substituir a presença do professor na sala de aulas.

Não aconselhamos que você pratique isto sozinho em casa, se não tiver experiência prévia nesse tipo de meditação.

Recomendamos calorosamente que as aprenda, assim como todas as demais técnicas de Haṭha Yoga, pessoalmente, através de um professor qualificado.

O texto acima pode usar-se como modelo de elocução. Você estuda a técnica e grava a sua própria voz, lendo pausadamente (uma frase a cada quatro segundos, aproximadamente) e respeitando os tempos que aparecem sugeridos entre parêntesis (ou reduzindo-os proporcionalmente).

Outra opção é fazer pequenos grupos de meditação com seus amigos, onde cada um pode usar os textos como orientação para dar a prática para os outros, desde que sejam respeitados os cuidados que colocamos acima.

Se você for professor de Yoga, poderá igualmente usar essa prática nas suas aulas, tomando o cuidado de escolher a técnica mais adequada para cada pessoa ou grupo.

Extraído do livro Yoga Prático.

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Uma resposta para “Meditação no manipura chakra”

  1. Vai fazer um mês que eu pratico o Yoga. Para aprimorar e obter uma amplo conhecimento a respeito dessa prática, busco informações através de artigos como os contidos neste site, para que eu possa conhecer e me atualizar diante de um tema que já vem sendo explorado há tantos anos, mas que atualmente está se tornando algo favorável à saúde e qualidade de vida das pessoas. Sabemos que existem pesquisas de psiquiatras e estudantes do meio que dizem que o Yoga é um valioso e poderoso processo de elevação do corpo, mente e alma. Sendo assim, ocorre um avanço na essência de uma pessoa. Porém, vale lembrar, e até mesmo ressaltar, que o processo e sua prática requer um equilibrio e exercícios lentos, assim a mudança será obtida a partir do momento no qual sinto algo. Então Yoga hoje é uma cultura na busca incessante da transformação de um mundo no “caos” para uma grande harmonização de todos.

    Grata,

    Elaine Prado, 21 anos, São Paulo.

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