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Vegetarianismo e Yoga

Muita gente se pergunta o porquê da dieta vegetariana que nós yogis praticamos. Às vezes fica difícil discernir os motivos pelos quais o vegetarianismo é adotado sem uma compreensão mais profunda

Escrito por Pedro Kupfer · 12 mins de leitura >

Muita gente se pergunta o porquê da dieta vegetariana que nós yogis praticamos. Às vezes fica difícil discernir os motivos pelos quais o vegetarianismo é adotado sem uma compreensão mais profunda desses motivos. O discernimento e a compreensão são valores fundamentais para exercermos nossa liberdade. O yogi consciente não se torna vegetariano cegamente, porque alguém mandou, ou porque assim se faz há milênios. O yogi consciente adota o vegetarianismo como um corolário do processo de compreensão da realidade da vida e do papel que o homem exerce no planeta.

Este texto tem o propósito de contextualizar a prática do Yoga na cultura hindu, de maneira que a pergunta sobre o porquê do vegetarianismo possa ser devidamente respondida. Ao mesmo tempo, o presente artigo pretende ser uma fonte de reflexão e recursos para aqueles que, havendo incorporado algumas das práticas yogiks em suas vidas, se sintam curiosos ou preparados para darem esse passo em relação à alimentação.

Antes de começar, uma palavra sobre o dharma

A tradição do Yoga hindu nos ensina que a realização espiritual e a verdadeira felicidade somente são possíveis se nossos pensamentos, sentimentos e ações estiverem em harmonia com a ordem universal, chamada dharma. A palavra dharma significa ‘aquilo que mantém unido’, e refere-se não somente às leis naturais, mas igualmente à Força Consciente de coesão e harmonia que gera e mantém o universo. Tudo é harmonia no universo. Um exemplo óbvio dessa harmonia universal que é expressão do dharma, é que os planetas, cada um seguindo sua própria órbita, não se chocam nunca.

Porém, o conceito de dharma admite uma outra interpretação no plano humano. Nessa segunda interpretação, podemos afirmar que o dharma é um grupo de valores, eternos e universais, através dos quais se estabelece uma convivência harmoniosa na sociedade. A palavra dharma também pode ser interpretada como ‘fazer a coisa certa’. Nesse sentido, dharma é aquilo ao qual o homem se mantém fiel ao longo da sua vida, o que pauta suas escolhas e ações. Em soma, sua missão de vida ou seu propósito humano.

O dharma e o código yogik de conduta

A compreensão plena do conceito de dharma é essencial para podermos integrar em nossa vida os aspectos mais profundos da prática do Yoga, pois este está intrinsecamente ligado ao código de conduta yogik, chamado yama e niyama.

O código de conduta yogik tem mais a ver com coerência, motivação e coordenação dos esforços do praticante, do que com repressão e controle. A coerência, a coordenação e a motivação que acabamos de mencionar são absolutamente essenciais para podermos distinguir o certo do errado a cada momento.

Esse código de conduta é o fruto de um longo processo de reflexão, discernimento e sensibilização que os yogis da antiguidade nos legaram. Esse código tem mais a ver com coerência, motivação e coordenação dos esforços do praticante, do que com repressão e controle. A coerência, a coordenação e a motivação que acabamos de mencionar são absolutamente essenciais para podermos distinguir o certo do errado a cada momento.

Vou lhe contar um exemplo que ilustra perfeitamente a diferença entre discernimento e repressão de que falei acima. Meu amigo George Porto Ferreira foi morar numa reserva ambiental em Rondônia, na Amazônia, como técnico ambiental do IBAMA. Parte importante do seu trabalho é defender a mata virgem através de ações contra as madeireiras que extraem ilegalmente árvores da selva. Um dos principais motivos do desmatamento, porém, é a criação de novas áreas de pastagem para manutenção dos rebanhos bovinos que serão usados como alimento pelo homem.

Recentemente, em uma de suas raras visitas a Florianópolis, George me contou que tinha se dado conta de que não fazia nenhum sentido para ele levantar a bandeira do ambientalismo se não assumisse definitivamente uma dieta vegetariana. Em suma, meu amigo não decidiu tornar-se vegetariano porque alguém tenha proibido ele de comer carne, mas porque simplesmente percebeu a incoerência entre o discurso ambientalista e sua decisão na hora de escolher o alimento que punha no prato.

Se você come carne, você não está unicamente se prejudicando com um alimento de qualidade altamente duvidosa, ou colaborando com a matança de milhões de animais usados como alimento: você está financiando o desmatamento da Amazônia. Assim simples.

Quem por um lado, discerne o certo do errado e, por outro, for capaz de colocar em prática o esforço para anular a distância que separa a retórica da prática, é um yogi de verdade.

Não-violência, dharma e vegetarianismo

Voltemos ao código yogik de conduta. Esse código existe para facilitar a tarefa da realização espiritual. Sem ele, não há como progredir na prática. Não obstante a importância deste código para o Yoga, hoje em dia muitos praticantes sequer suspeitam da existência dele.

O esteio central do código yogikahimsa, a prática da não-violência. Você certamente já ouviu falar na não-violência, uma prática yogik tão poderosa que, apenas aplicando-a, Mahatma Gandhi e os lutadores pela independência da Índia foram capazes de libertar aquele país do jugo colonialista inglês sem disparar um único tiro. Isso por sua vez, nos mostra o infinito poder transformador do Yoga. O ahimsa, portanto, é um formidável instrumento para nos mantermos harmonizados com o dharma.

Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e uma social. A primeira tem a ver com a forma como a gente se relaciona consigo mesmo e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

A segunda dimensão da não-violência, a social, depende diretamente da primeira, assim como a unha está ligada à carne. Se os praticantes de Yoga ficarem conscientes o tempo todo da ahimsa, haverá uma transformação profunda na sociedade. Os shastras, textos tradicionais do Yoga, convidam o praticante, como corolário natural da prática da não-violência, a adotar uma dieta vegetariana.

Em sânscrito, vegetarianismo se diz shakaharah. Shakaharah significa literalmente ‘comedor de vegetais’ (shaka = vegetal). A pessoa não vegetariana é chamada mamsaharah, que significa ‘comedor de carne’ (mamsa = carne). O Manudharmashastra, um texto de mais de 2.000 anos de antiguidade, dá a seguinte explicação sobre a palavra mamsaharah, ‘comedor de carne’:

‘Os sábios declaram que o significado da palavra mamsa (carne) é [o seguinte]: ‘ele (sa) irá comer minha carne [na próxima encarnação] se eu (mam) comer a dele agora’.

Portanto ‘mamsa significa literalmente ‘eu + ele’. Isso nos leva ao tema da unidade que existe na criação e à constatação de que, qualquer coisa que fizermos contra a harmonia universal, irá irremediavelmente nos atingir no futuro.

Algumas razões para o praticante de Yoga se tornar vegetariano

O vegetarianismo tem sido adotado maciçamente pelos praticantes de Yoga desde milênios atrás, por três motivos:

1) o dharma e a ética ambiental,

2) a saúde e

3) o progresso espiritual.

Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar o contexto da experiência do George: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente.

Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população).

Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O budismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buda não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola.

De fato, o próprio Buda morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do budismo tibetano a dieta vegetariana.

Excetuando-se o budismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações.

Para o yogi consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo conseqüências kármicas muito indesejáveis.

Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las!

Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento. Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.

A lista de razões para adotarmos o vegetarianismo não se esgota aqui. Sugiro que o leitor amplie sua pesquisa lendo bons livros sobre o assunto ou pesquisando na internet. Um bom começo é visitar o website da Sociedade Vegetariana Internacional no Brasil: http://www.vegetarianismo.com.br/

A transição para o vegetarianismo

Então, como implementar uma dieta vegetariana sem criar um trauma em nossos hábitos? Existem duas opções. A primeira, radical, é simplesmente parar da noite para o dia, após haver refletido e amadurecido a idéia por tempo suficiente como para não se arrepender da decisão ao primeiro convite para o churrasco do próximo domingo.

A segunda, mais adequada para muita gente, é implementar uma série de mudanças graduais nos hábitos alimentares e começar a entrar com mais regularidade na cozinha para escolher e preparar o próprio alimento. Ambas as opções exigem planejamento, pesquisa, bom senso e, principalmente, uma mudança de visão em relação ao que significa realmente alimentar-se.

É preciso ter muita coragem para combater o preconceito e os hábitos sociais arraigados. Um vegetariano recente pode ouvir comentários como estes, da parte de seus amigos ou família: ‘Então você virou vegetariano? Você está comendo só grama?’ ‘Mas essa canja tem pouquinha galinha. Você não vai comer mesmo assim?’ Se você não mantiver o foco em seu propósito, a pressão social ou a familiar podem fazer fracassar seu plano.

Pessoalmente, parei de comer carnes e ovos há mais de vinte anos. Em verdade, já havia tomado a decisão no momento em que tive meu primeiro contato com o Yoga, há mais de vinte e cinco anos. Porém, quando anunciei para a minha mãe, desde o alto dos meus treze anos de idade, que havia decidido parar de comer carnes, ela simplesmente me deu uma bofetada e disse: ‘Se você acha que vou cozinhar especialmente para você sem carne, está redondamente enganado’. O assunto morreu aí mesmo, mas eu não desisti. Hoje em dia, minha mãe adotou a dieta vegetariana e ajuda muita gente que quer parar de comer carnes.

Não fui bem sucedido naquela primeira tentativa por causa da minha situação de dependência familiar. No entanto, o tempo passou e, quando tornei-me e comecei a morar sozinho, consegui finalmente realizar esse objetivo. Devo dizer que não me custou nada parar com as carnes e os ovos, pois minha motivação em relação à prática era muito forte e, depois que você desenvolve uma certa sensibilidade através da meditação, os mantras e as práticas mais sutis do Yoga, o vegetarianismo torna-se uma necessidade.

Definição de vegetarianismo no contexto do Yoga

Por vegetarianismo, entende-se aqui a dieta alimentar que exclui quaisquer tipos de carne, seja de vaca, ovelha, porco e outros mamíferos, mas igualmente a das aves, peixes e ‘frutos do mar’. Os ovos tampouco fazem parte da dieta vegetariana do Yoga, pois se considera o ovo um tipo de carne líquida.

Mesmo se formos considerar o ovo não galado, ele não faz parte da dieta simplesmente por uma razão de higiene: ovos não galados são menstruação de galinha e, de modo geral, os yogis não se sentem muito confortáveis alimentando-se da descarga menstrual dos simpáticos bípedes. Aliás, uma pergunta que nenhum ovo-vegetariano me respondeu satisfatoriamente até hoje é a seguinte: qual é a diferença entre comer os ovos de uma galinha e os ovos de um peixe ou de uma tartaruga? Se você come omelete ou bolo com ovos, porque torce o nariz para o caviar?

Por outro lado, a dieta vegetariana tradicional recomendada nas escrituras admite o consumo de leite e seus derivados. É por isso que esta dieta é chamada lacto-vegetarianismo. Os derivados do leite usados na Índia, sejam de vaca ou búfala, são os seguintes: paneer, ou queijo fresco, coalhada, iogurte, manteiga e ghi, ou manteiga clarificada. Esses são produtos de fácil digestão para a maioria das pessoas, embora haja gente com intolerância a lactose que deve evitar todos os tipos de laticínios.

Na Índia não existem os queijos amarelos, curados ou gordurosos desenvolvidos na Europa e trazidos para o Brasil pelos imigrantes italianos e alemães. Na medida do possível, o yogi precisa evitar esses queijos, pois contêm um excesso de gordura saturada e são de difícil digestão, provocando um excesso de mucosidade que é extremamente prejudicial para a prática do pranayama e os exercícios de purificação, dentre outros. De resto, provindo do reino vegetal, vale absolutamente tudo.

Afora a dieta lacto-vegetariana adotada pelos yogis, existe outra opção alimentar, o veganismo, que exclui não somente as carnes mas igualmente todo alimento de origem animal, como os laticínios e o mel. O veganismo leva até as últimas conseqüências a preocupação ética em relação ao tratamento que os animais recebem das indústrias alimentar e do vestiário, eliminando sumariamente não apenas os alimentos de origem animal mas também quaisquer artigos de couro ou outros sub-produtos da mesma origem.

É bom lembrarmos que essa iniciativa nasceu igualmente na Índia, onde artigos feitos de couro como roupas, sapatos, cintos e outros acessórios, nunca foram usados por praticantes sérios de Yoga.

Vegetarianismo e Ayurveda

Uma coisa interessante na hora de escolher o alimento e o tempero que se usa para dar sabor às refeições, é se esse alimento e esse tempero estão de acordo com nosso biotipo individual. Esse biotipo individual chama-se dosha, em sânscrito.

O Ayurveda, a ciência indiana de manutenção da saúde, recomenda uma série de alimentos para cada biotipo. Nem todos os alimentos considerados bons, são bons para todos nós. Você já se perguntou porque, quando duas pessoas comem exatamente a mesma coisa, uma delas digere o alimento com facilidade e a outra não? O Ayurveda responde essa pergunta e muitas outras que possam surgir ao longo do processo de tornar-se vegetariano, indicando os alimentos mais adequados para cada tipo de constituição individual.

Se você não escolher corretamente seu alimento, não conseguirá digeri-lo bem e vai achar que a dieta vegetariana só dá gases, ou que ser vegetariano não é uma boa opção para você.

Se o amigo leitor quiser ampliar sua pesquisa a esse respeito, existem algumas dietas recomendadas para os diferentes doshas disponíveis neste mesmo website. Não obstante, para escolher com propriedade uma dieta, é preciso conhecer primeiramente seu biotipo fazendo um teste rápido que pode ser achado usando o mecanismo de pesquisa deste website.

Ser yogi = ser vegetariano?

Existem yogis atualmente que, por diferentes motivos, não aderem à dieta vegetariana. Esses praticantes podem apresentar situações peculiares de saúde, ou manter condicionamentos que lhes impedem de assumir o vegetarianismo de maneira plena, ou simplesmente não darem ao vegetarianismo a importância que ele merece na tradição. Pessoalmente, acredito que essas pessoas têm pleno direito de agirem conforme suas próprias consciências.

O aparente paradoxo que pode surgir do confronto destas afirmações com o resto deste texto resolve-se no foro íntimo de cada um. Em suma, adotarmos ou não o vegetarianismo é uma questão de ética, sensibilidade, desapego e preparo.

Um dos grandes perigos que tenho visto em relação a isso no pequeno mundo do Yoga é que algumas pessoas se acham no direito de julgarem os demais em função do que elas comem, como se ser vegetariano fosse garantia e elevação espiritual e não o ser fosse sinal do contrário.

Nunca foi correto julgar alguém em função do que a pessoa põe no prato. Adolf Hitler, por exemplo, era vegetariano. Eu não colocaria esse assassino psicopata na categoria das pessoas espiritualmente elevadas. O Dalai Lama, embora já tenha mantido durante um tempo a dieta vegetariana, come carne ocasionalmente por indicação médica. Eu não diria que ele tem uma estatura espiritual pequena.

Portanto, adotar o vegetarianismo pode ajudar, mas não é sinal de realização espiritual. Assim como não existe um teste que possa ser aplicado ao ser humano para determinar seu grau de espiritualidade, tampouco podemos considerar que a adoção de uma determinada dieta signifique alguma coisa em termos de progresso espiritual.

Se você for trocar seus condicionamentos atuais por outros, como a tendência a julgar os demais pela dieta ou a se considerar superior pelo fato de ser vegetariano, é melhor que continue comendo carne até resolver seus problemas de fundo.

Em suma, se a prática do Yoga não estiver nos ajudando a sermos pessoas melhor resolvidas, mais felizes e legais, isso pode ser sinal de que não estamos praticando com a atitude correta, de mente equânime e coração aberto. O melhor é fazermos nossa prática sem julgar a dos demais. Para concluir, deixo o leitor com uma reflexão do shaiva yogi Tirumular, do sul da Índia:

‘Como pode praticar a verdadeira compaixão aquele que come a carne de um animal para engordar sua própria carne? Maior do que mil oferendas de ghi no fogo sagrado é não sacrificar nem consumir nenhuma criatura viva.’


Publicado originalmente na edição no 06, do Outono de 2005, do periódico trimestral Cadernos de Yoga.

32 respostas para “Vegetarianismo e Yoga”

  1. Namastê!
    Que toda vida seja copreendida como sagrada. Que lindos os vegetais! Eles tem vida também! Que toda relação com a vida seja harmônica. Podemos escolher nos esforçar para este objetivo. Samadhi é essencial.

  2. Acho que, como ensinou Buda (Sidarta Gautama), temos que achar o caminho do meio. Eu tenho comido menos carne, mas ainda não consegui parar totalmente.
    Tem que ser algo espontâneo e natural, o conhecimento ajuda muito mas não é suficiente, tem que ser algo gradual e com muito equilibrio para não nos sentirmos agredidos, mas com certeza o vegetarianismo ajuda na evolução espiritual.

  3. Alimente-se bem, sem precisar matar ninguém.

  4. Ha pouco tempo eu soube que o Dalai Lama come baby beef. Nao sei com que frequencia ele come. E dizem que foi por indicaçao medica. Nós vegetarianos sabemos que ninguem precisa de carne e que ela é indispensavel na alimentaçao, caso tenhamos uma alimentaçao rica.
    O Dalai Lama tem informaçao suficiente e compreensao da realidade suficiente para saber disso. E também tem condiçao financeira para comer bem, uma alimentaçao rica e saudavel. Entao, nao justifica ele comer carne e, pior, baby beef, por “indicaçao medica”.
    \\\’Como pode praticar a verdadeira compaixão aquele que come a carne de um animal para engordar sua própria carne? “. Para mim é incompreensivel que um Lama coma carne. Especialmente porque pregam tanto a compaixao.
    Realmente, adotar o vegetarianismo nao é sinal de realizaçao espiritual. Mas já é um grande passo para a ” compreensão da realidade da vida e do papel que o homem exerce no planeta”. Talvez o contrario fosse verdadeiro: a realizaçao espiritual leva, incondicionalmente, ao vegetarianismo.
    Entao, se o dalai lama come carne por indicaçao medica, porque tem que ser justamente o baby beef que nasce para nunca andar e para ficar confinado ate o dia de sua morte? Nao poderia ser uma outra carne. Carne de bois que sao criados soltos? É o minimo para quem é tao realizado espiritualmente. Namaste.

  5. Eu não como carne vermelha há 11 anos.Não sinto a menor necessidade.E depois que comecei a prática do Yoga a 7 meses também parei de comer carne de aves. Ainda como peixe e camarão.
    Mas acredito que em pouco tempo não terei mais necessidade disso também. Como poderia eu dizer que amo os animais, que tenho compaixão e que pratico ahimsa se continuo a concordar com a matança e os maus tratos sofridos pelos animais?
    Respeito quem come carne. Mas espero que num futuro não tão distante a humanidade evolua e opte pela não violência. Meu marido come carne. Tenho duas filhas, uma delas não come carne e a outra come carne. Elas são livres pra fazerem suas próprias escolhas, nenhum tipo de dieta lhes é imposta.
    Tambem não julgo as pessoas pelo que elas comem. A dieta vegetariana faz parte do processo de evolução do ser humano e de seu progresso na prática do Yoga. Que todos um dia consigam chegar nesse estágio e não sintam mais a necessidade de se alimentar da carne de outro animal. Temos muitos cereais, legumes e frutas, nós podemos escolher.
    Shanti.

  6. O Yoga concerteza vai mudar minha vida, só não sei se sou capaz de me tornar vegetariana…

  7. Entrei para comentar este tópico só pelo comentarios de Paulo de Castro Nunes. Psicólogo – Terapeuta, que defende a “liberdade de que cada um come o que quiser”.
    Você é praticante de “Yoga e Psicólogo”, que legal.
    Encare os animais como nossos irmãos nesta pequena jornada pela terra. Você não comeria um irmão, ou comeria? Matar animais para comer é assassinato, que tipo de “Yoga” prega a violência? E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial. Que está contribuindo com sua parte. Para o nosso belo quadro social…

  8. Sinceramente, não sei onde pode existir a relação entre yoga e vegetarianismo.
    Pelo que eu li e estudei como praticante de yoga que sou há mais de 15 anos, não consigo estabelecer um link sólido entre os dois.
    O yoga é uma filosofia libertária e que preza o equilíbrio, então deveria respeitar a opção de cada praticante. Carne de animais (seja branca ou vermelha) constitui uma excelente fonte de proteínas. No Brasil os vegetarianos comem muita soja para tentar repor estas proteínas, mas estão ingerindo de fato uma vasta quantidade de agrotóxicos nada saudáveis.
    A pessoa evoluída espiritualmente é aquela que faz o bem ao seu semelhante.
    Matar ou não matar animais para comer não vai garantir a iluminação de ninguém, e o ser-humano, está na cadeia do topo alimentar. Recebeu a RAZÃO como dom divino e portanto pode matar qualquer animal, de qualquer porte. Tem vegetariano que é mesquinho, hipócrita e mentiroso. Assim como tem carnívoro que é bom de caráter, generoso e sincero.
    A gente não é o que a gente come. A gente é o que a gente SENTE.
    Se alguns yogues se sentem melhor e mais leves sem comer carne, bom pra eles.
    Mas a questão nutricional não tem nada a ver com yoga em si. OUtros se sentem fracos e deprimidos sem carne. Até o Dalai Lama tem que comer carne, por recomendação médica. Porquê será? Porquê comer carne faz bem.
    Os vegetarianos perdem tempo demais metendo o pau nos carnívoros. Isso é o que deve fazer um tremendo mal pra eles: essa energia de crítica, negativa.
    Cada um que coma o que quiser.
    Deixem o yoga fora disso!

    Paulo de Castro Nunes.
    Psicólogo – Terapeuta

  9. Diversos vídeos relacionados ao vegetarianismo, disponíveis para assistir e/ou baixar…

    Sobre o espetáculo de horrores da indústria de peles:
    http://pfilosofia.125mb.com/04_miscelanea/04_16_video

    Earthlings (Terráqueos):
    http://pfilosofia.125mb.com/04_miscelanea/04_16_video

    A Carne é Fraca:
    http://pfilosofia.125mb.com/04_miscelanea/04_16_video

    The Vegetarian World (O Mundo Vegetariano):
    http://pfilosofia.125mb.com/04_miscelanea/04_16_video

    Fraternalmente,

    Martinho Carlos Rost
    Editor do sítio Pausa para a Filosofia
    http://elusion-pedion.blogspot.com/2007/05/

  10. Os depoimentos e textos apresentados nesta sub-seção Vegetarianismo auxiliaram-me muito no auto-descobrimento dos porquês, e já não me alimento mais com carnes vermelhas. É um processo mais profundo de evolução espiritual. Fico feliz comigo mesma.

    Om Shanti Om.

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