Meditação, Pratique

Antar Mouna — Meditação no Silêncio Interior. Estágio II

A atenção se recolhe. Os estímulos exteriores cessam. A consciência se focaliza no processo mental: o que se pensa, como se pensa, quais os conteúdos do pensamento. Podem surgir tensões, experiências passadas ou desejos reprimidos

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Silêncio Interior

O silêncio interior

Se o sucesso na meditação dependesse do silêncio exterior, seria uma tarefa impossível. Entretanto, já que não podemos conseguir um ambiente com silêncio absoluto, usamos uma técnica para criar silêncio interior. Esta prática é de imensa ajuda nesse processo.

॥ हरिः ॐ ॥

Tempo: 30 a 35 minutos
Nível: básico
Sinopse: a atenção se recolhe, os estímulos exteriores diminuem.

O silêncio interior percebe se claramente. A consciência se focaliza no processo mental: o que se pensa, como se pensa, quais os conteúdos do pensamento.

Podem surgir tensões, experiências passadas ou desejos reprimidos. Esta técnica deve fazer-se diariamente até desenvolver a capacidade de desvincular-se totalmente dos pensamentos, mantendo uma mente firme e pacificada.

Silêncio Interior

Roteiro da meditação no silêncio interior

Sente numa posição confortável, com as costas eretas. Inspire profundamente e vocalize o mantra Oṁ durante três fôlegos: Oṁ, Oṁ, Oṁ. Consciência total no seu corpo físico. No seu corpo inteiro e na posição sentada. 

Tome consciência da sua espinha dorsal, que está totalmente ereta, sustentando o pescoço e a cabeça.

Tome consciência da posição equilibrada dos braços e pernas. Consciência total no seu corpo inteiro. Seu corpo inteiro, dos pés à cabeça.

Agora visualize o exterior do corpo. Como se você estivesse se vendo num espelho. Veja seu corpo na posição de meditação.

Pela frente. Pelo lado direito. Pelo lado esquerdo. Por trás. Por cima. E depois, de todos os lados ao mesmo tempo.

Esteja consciente do corpo. Consciência total no seu corpo inteiro. Seu corpo inteiro, como uma unidade.

Tome consciência das sensações físicas que o seu corpo experimenta. Consciência total em todas as sensações físicas.

Permita que estas sensações se transformem num foco para o seu pensamento. Atenção total. Concientize-se das partes do corpo, começando pela cabeça. 

Visualize a sua cabeça e mantenha consciência total nela. Faça o mesmo com o pescoço. Com o ombro esquerdo. Com o braço direito. Com o braço esquerdo.

Com a mão direita. Com a mão esquerda. Permaneça consciente das costas inteiras. Do peito. Do abdômen. 

Do glúteo direito. Do glúteo esquerdo. Mantenha-se consciente da perna direita. Da perna esquerda. Do pé direito. Do pé esquerdo.

E depois, do corpo inteiro. Permaneça consciente do corpo inteiro, de uma só vez. O corpo inteiro, como uma unidade.

Agora faça o saṅkalpa: tome a resolução de permanecer absolutamente estável e imóvel durante toda a prática.

Repita mentalmente: “durante toda a prática fico absolutamente estável, absolutamente imóvel. Absolutamente estável e imóvel”. 

Fique atento aos sinais de desconforto do corpo. Consciência total em todos os sinais de desconforto: dor, coceira, formigamento, necessidade de deglutir saliva, o que for. E permaneça absolutamente firme e imóvel. 

Quando você se prepara para permanecer atento e evitar todo e qualquer movimento, o corpo permanece imóvel e rígido como uma estátua.

E você percebe uma sensação de levitação astral. Se houver algum movimento inconsciente, tome consciência desse movimento. 

Torne-o consciente. Consciência total no corpo e na estabilidade. Consciência total no corpo e na imobilidade.

Seu corpo está totalmente estável e imóvel. Absolutamente firme e descontraído. Esta é a forma da sua consciência agora.

Você está preparado para manter esse estado. Sinta seu corpo ficando mais e mais rígido. Mais e mais firme. Tão rígido e firme que, depois de algum tempo, você não consegue mais se mexer.

Consciência total no corpo e na firmeza. Seu corpo está absolutamente firme, porém, perfeitamente descontraído e relaxado. Absolutamente imóvel.

Ao manter a consciência centrada, você sente o seu corpo ficar cada vez mais leve, cada vez mais sutil. Tão leve e sutil, que a consciência do corpo se esvai.

A consciência do corpo se esvai. Este é o momento para levar a consciência para os sons à sua volta. 

Atenção total num som apenas. Escolha um som dos que você está percebendo. Mantenha-se totalmente concentrado nele.

Não analise o som. Não tente localizá-lo. Apenas observe. Consciência total num som somente.

Quando a sua mente perder interesse neste som, escolha outro e fixe-se nele. Desta forma, movimente-se de som para som. Consciência total e absoluta (3 minutos em silêncio).

Agora coloque a atenção no ritmo natural da sua respiração. Consciência total no ritmo natural da sua respiração, sem interferir nela.

Observe o ar entrando e saindo pelas narinas. Quando o ar entrar, esteja ciente: “estou inspirando”. Quando o ar sair, esteja ciente: “estou expirando”.

Consciência total e absoluta no ritmo natural da sua respiração. Absorção total na observação da respiração.

Coloque novamente a atenção nos sons à sua volta. Escolha um som dos que você está percebendo neste momento.

Mantenha-se totalmente concentrado neste som. Quando a mente perder interesse no som, escolha outro e fixe-se nele. Consciência total e absoluta: um som de cada vez.

Tome consciência do fluxo do pensamento. Fique ciente de cada pensamento. Seja testemunha dos seus próprios pensamentos.

Observe o seu apego aos pensamentos, e como esse apego produz ainda mais pensamentos. 

Você poderá achar conexões sutis entre fatos que antes não pareciam estar vinculados.

Mantenha a mente como testemunha imparcial desse processo. Isso é o mais importante da prática: separação, distância, objetividade.

Agora tome consciência de cidākaśa, a tela mental à frente dos seus olhos fechados. Este é o lugar onde acontecem as visões subconscientes.

Fique atento a quaisquer visões que possam surgir. Seja testemunha. Mesmo que não surja nenhuma visão, continue contemplando a sua tela mental.

Depois, volte a atenção para o fluxo do pensamento. Se não surgir nenhum pensamento, visualize uma estrada reta até o horizonte.

No final dessa longa estrada, algumas sombras se movimentam. Pense no que você está pensando. Sinta o que está sentindo.

Perceba o espaço que existe entre você, o observador,  e o que você observa, a mente. 

Torne a observar o cidākaśa, o espaço vazio frente aos seus olhos fechados. Cidākaśa é a expressão de todos os aspectos da consciência.

Observe e seja testemunha das visões que aparecerem (3 minutos em silêncio). Mantenha a atenção no fluxo dos pensamentos.

Contemple seus pensamentos. Pense no que você pensa. Sinta o que você sente.

Sempre ciente da distância eixstente entre você, o observador, e os conteúdos do penamento.

Você não é o que a mente pensa. Você é a calma que observa a mente. Os pensamentos mudam. O observador permanece.

Você é o observador invariável. Você é o silêncio interior. Você é a paz, testemunha do pensar. (3 minutos em silêncio).

Detenha-se no cidākaśa, o espaço interior da cabeça. Observe as visões que possam surgir, sem se apegar a elas. Coloque a consciência no fluxo dos pensamentos.

Observe cada pensamento, sem apego. Pense no que você pensa. Sinta o que você sente.

Comece agora a exteriorizar a consciência. Fique atento ao momento presente, aos seus sentimentos. Tome consciência do efeito do sádhana, do lugar onde você está.

Abra os olhos, alongue-se, espreguice e encerre esta prática de silêncio interior, antar mouna. Oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ.

॥ हरिः ॐ ॥

Pratique também o primeiro e o terceiro estágios da
meditação no silêncio interior, antar mouna, aqui e aqui.

॥ हरिः ॐ ॥

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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