Pratique, Yoga na Vida

Iluminação ou Frustração?

Pode ser que já estejamos no caminho da espiritualidade há tempos. Pode ser que já tenhamos feito muitas aulas, práticas, meditações e reflexões. Pode ser que já tenhamos feito peregrinações, cursos e retiros. Pode ser que já tenhamos vivenciado algumas inesquecíveis experiências místicas. Que nos falta para assumir a felicidade que somos?

Escrito por Pedro Kupfer · 2 mins de leitura >
Iluminação

A iluminação existe mesmo?

Pode ser que já estejamos no caminho da espiritualidade há tempos. Pode ser que já tenhamos feito muitas aulas, práticas, meditações e reflexões. Pode ser que estejamos em busca da iluminação há décadas.

Pode ser que já tenhamos feito peregrinações, cursos e retiros. Pode ser que já tenhamos vivenciado algumas inesquecíveis experiências místicas. Que nos falta para assumir a felicidade que somos?

Pode ser que já tenhamos encontrado pessoas muito especiais no nosso caminho. Pode ser que tenhamos conhecido belos exemplos de vida e que tenhamos lido páginas e mais páginas das biografias dos santos homens, que nos inspiram a viver uma vida com mais sentido, foco e significado.

E, apesar de quiçá já tenhamos ouvido tudo o que precisávamos em relação ao ensinamento sobre nós mesmos, e apesar de talvez já conhecermos todas as soluções para os problemas do sofrimento humano, é possível que alimentemos ainda a crença de que não merecemos conhecer a nós mesmos como plenitude. Em suma, de que não merecemos aquilo que almejamos.

Pode acontecer que tenhamos a tendência a separar a liberdade que o Yoga nos propõe das pequenas misérias do cotidiano, como se fossem universos diferentes.

Iluminação

Ou que alimentemos a ideia de que a plenitude é incompatível com algumas coisas pequenas do dia-a-dia, como por exemplo quando as coisas práticas não funcionam de acordo com nossos desejos ou expectativas.

Assim, nos descobrimos com lamúrias na ponta da língua, carregando o nosso coração com emoções indesejáveis, infelizes ou frustrados.

Se esse for o nosso caso, devemos lembrar que esse tipo de sentimento faz parte da riqueza e variedade dos conteúdos que integram uma emocionalidade saudável e funcional. O tema é que eles não devem durar muito, nem devem ficar tempo demais dando voltas na nossa mente.

Lembro que uma vez perguntaram ao Dalai Lama: “O senhor não sente raiva?” A resposta dele foi brilhante, e esclarece o ponto que acabamos de colocar aqui: “É claro que sinto raiva, mas ela dura somente cinco minutos!”

Se nossa frustração ou desapontamento durar mais do que isso, então precisamos reagir e imediatamente, voltar à presença no agora, voltar a ter presente o ensinamento que nos mostra que já somos o que buscamos, simplificar as coisas, aceitar o nosso ego como ele é e focarmos no reconhecimento do milagre da vida acontecendo neste preciso instante.

Não precisamos esperar para nos assumir como o Ser Pleno que somos! Que possamos manter o foco na compreensão da felicidade essencial, sobre a qual acontecem todas as experiências. Que possamos evitar comparações desabonadoras. Que possamos nos desprender de julgamentos e atitudes autodestrutivas já mesmo.

Que possamos nos reconhecer como felicidade agora, sem mais delongas. Que reconheçamos o amor ilimitado e incondicional que sempre nos alimentou e que nos sustenta a cada momento.

Que essa seja a nossa prece. Que essa seja a nossa certeza. Que possamos nos estabelecer na visão do Ilimitado, agora e sempre. Sem fantasias nem ilusões. com os pés na terra.

॥ हरिः ॐ ॥

Mais sobre o tema aqui. Há uma interessantíssima reflexão sobre o mito da iluminação escrita por Itai Ivtzan Ph.D. (em inglês), aqui.

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5 respostas para “Iluminação ou Frustração?”

  1. O ego ( eu egoísta) alimenta a raiva , o nosso ser deixa ela morrer de fome, belissimo o exemplo de Dalai Lama. O nosso planeta precisa de amor e em abundância.

  2. Gostaria de compartilhar um excerto do livro Caminho Ensolarado, de Mirra Alfassa.. (…) Antes de ser capaz de fazer o bem, a pessoa deve penetrar profundamente em si mesma e realizar uma descoberta muito importante. A de que ela não existe. Há algo que existe: é o Divino, e enquanto você não tenha feito esta descoberta, não pode avançar no caminho. (…) Nossa essência é consciência, plenitude.. “Sou ser, sou ser”. Possa o divino vivificar nossa passagem neste planeta! Gratidão pelo texto! 🙂

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