Cakras e Kośas, Conheça

Kuṇḍalinī e os Chakras

O Yoga vê o homem como um reflexo do macrocosmos. A energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não está separado nem é diferente dela. O nome dessa energia é kundaliní.

Escrito por Pedro Kupfer · 3 mins de leitura >

Kuṇḍalinī, o poder da serpente

O Yoga vê o homem como um reflexo do macrocosmos. A energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não está separado nem é diferente dela. O nome dessa força é kuṇḍalinī. A consciência individual é uma das suas múltiplas dimensões.

A ciência concorda com o Yoga em que o universo é um verdadeiro oceano de energia. Eles diferem, entretanto, quanto ao significado dessa constatação. O Yoga diz que ela possui implicações pessoais profundas para você e para mim.

Se a matéria é de fato vibração, então o corpo humano, que faz parte do mundo material, também está feito de energia. Consciência e energia estão intimamente ligadas, sendo dois aspectos da mesma realidade. Kuṇḍalinī é o nome que se dá à Consciência Ilimitada feita natureza, feita criação, feita matéria.

O corpo humano não é apenas matéria inconsciente ou uma carcaça habitada por uma entidade etérica, mas uma realidade animada pela mesma Consciência Ilimitada que anima o universo inteiro. Por isso, deveríamos deixar de vê-lo como algo diferente do nosso ser “invisível”.

Pense no seu corpo como um receptáculo de energia do universo, um aglomerado de átomos conscientes, construído à imagem do macrocosmos. A consciência vibra em cada uma das suas células, o prāṇa está presente em todos seus tecidos. Quando corpo e mente se unem, a consciência do corpo sutil começa a revelar-se.

O Yoga revela: você é saccidānanda, Realidade, Consciência e Felicidade. Toda divisão do tipo corpo-mente, carne-espírito, etc., é pura especulação. A diversidade aparece dentro da Unidade, sem separar-se dela. A existência é uma continuidade que se estende desde o princípio da Consciência (Puruṣa) até o aspecto mais denso da matéria.

O microcosmos reflete o macrocosmos: o infinitamente grande é igual ao infinitamente pequeno. É sabido que o homem utiliza menos de dez por cento da capacidade do seu cérebro. O Yoga é um caminho para desenvolver os outros noventa por cento e penetrar em dimensões desconhecidas do nosso ser.

kuṇḍalinī

Kuṇḍalinī é a detentora da força, o suporte e o poder que move não apenas o indivíduo, mas também o Universo. Macrocosmicamente, ela é Śakti, Prakṛti, a manifestação do poder de Śiva, a Consciência Ilimitada. Na escala humana é a energia, o motor, a causa do movimento e da vida do indivíduo. O despertar dessa força conduz à iluminação.

O Despertar da Força

A kuṇḍalinī representa-se no homem como uma serpente adormecida, enrolada três vezes e meia em torno do Śivaliṅgam (o falo, símbolo do poder gerador masculino), obstruindo com a sua cabeça a entrada da suṣumṇā nāḍī, o canal mais importante dos que veiculam os alentos vitais, situada na base da coluna vertebral, no cakra chamado mūlādhāra.

O despertar da kuṇḍalinī produz um calor muito intenso. A sua ascensão através dos cakras, num processo sistemático e gradual, desenvolve poderes latentes. O processo consta de duas etapas: na primeira, o yogin procederá à saturação prânica do organismo através dos exercícios, a segunda é o despertar em si.

A técnica consiste em concentrar o prāṇa em īḍā e piṅgalā nāḍī, levando essa energia para o mūlādhāra cakra. O yogi faz com que o prāṇa chegue até onde reside a kuṇḍalinī, cessando esta então de circular pelas duas nāḍīs e concentrando-se na entrada da suṣumṇā, que está bloqueada pelo primeiro nó, o brahmāgranthi.

Os granthis: três obstáculos

Durante a sua ascensão, kuṇḍalinī encontrará três obstáculos: os granthis, nós ao longo da suṣumṇā nāḍī, localizados no mūlādhāra cakra (brahmagranthi), anāhata cakra (viṣṇugranthi) e ājña cakra (rudragranthi). A imagem do triângulo invertido (yoṇī) com um lingam no seu interior indica a presença de um granthi em cada um desses cakras.

O sādhaka (praticante) precisará de muita perseverança na sua prática para neutralizar cuidadosamente esses obstáculos sem produzir um arrombamento energético, pois eles estão ao longo do caminho para prevenir despertamentos indesejados.

Se formos pensar na correspondência entre a localização desses nós e as tendências latentes em cada centro, poderíamos identificar esses obstáculos com as disposições afetivas inerentes a cada um deles: os laços da pulsação sexual (primeiro granthi, no mūlādhāra chakra), do amor e da autoestima (segundo granthi, no anāhata) e do orgulho intelectual e a soberba (terceiro granthi, no ājña).

O Desenvolver da Força

Transpostos estes obstáculos, acontece o despertar e desenvolvem-se os fenômenos subseqüentes: ascensão pela suṣumṇā nāḍī, penetração e ativação dos centros de força e samādhi, que acontece quando a serpente chega no cakra coronário, chamado sahasrāra, no alto da cabeça.

A Haṭhayoga Pradīpikā, III:67-6 descreve esse processo nos seguintes termos:

“Um clarão intensamente abrasador brota no corpo. Kuṇḍalinī, adormecida, aquecida por esse abrasamento, desperta. Tal como uma serpente tocada por uma vara, ela levanta-se sibilando; como se entrasse em sua toca, introduz-se na brahmanāḍī (suṣumṇā).”

Os Cakras

Os cakras são os centros de captação, armazenamento e distribuição de energia no corpo. Literalmente, cakra significa roda, disco ou círculo. Também recebem o nome de padmas ou lótus.

Eles são: mūlādhāra, svādhiṣṭhāna, maṇipura, anāhata, viśuddha, ājña, soma e sahasrāra. Abaixo você pode acessar os roteiros das meditações sobre os oito cakras principais.

Continue a leitura com este artigo, que descreve
sucintamente cada um dos oito centros de força.]

kuṇḍalinī

॥ हरिः ॐ ॥


Eis as meditações sobre os oito cakras principais:

8. Meditação no Sahasrāra Cakra

7. Meditação no Soma Cakra

6. Meditação no Ājña Cakra

5. Meditação no Viśuddha Cakra

4. Meditação no Anāhata Cakra

3. Meditação no Maṇipura Cakra

2. Meditação no Svādhiṣṭhāna Cakra

1. Meditação no Mūlādhāra Cakra

॥ हरिः ॐ ॥

Extraído do livro Yoga Prático.
Ilustração de Pieter Weltevrede.

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4 respostas para “Kuṇḍalinī e os Chakras”

  1. olha ainda não entendi, pode me explicar em outras formas ou figuras pode fazer esta gentileza.

    outra pergunta , me foi dito que os chacras do homem gira num sentido e o da mulher gira em outro sentido , isto confere ?

  2. Tem alguma imagem qto ao exercicio do polegar, indicador e tal?

    Obrigado, este site contribui enormemente para a difusão da compreensão.maior do Yoga.

  3. Quando você diz: “Se o chakra estiver girando em sentido horário (ou seja, se estiver girando no mesmo sentido que os ponteiros do relógio, quando você olha de frente para ele), ..” – Você quer dizer que, no exemplo da mão, eu olho por detrás da mão, ou seja vejo das costas do corpo para frente? somente assim o ex. da mão dá o sentido correto. shanti

    =======

    Sim, Denise, é isso mesmo. Namaste! Pedro.

  4. Gostei muito desse texto, Pedro, pois consegui tirar algumas dúvidas sobre os movimentos giratórios dos chakras e da movimentação da energia.

    Muito obrigada,

    Neuza.

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