Contemplar é ver o que está latente e intocável no contemplado. É ver nele o que percebo e sinto que também está em mim. É aceitar como o visto está envolto e não deixar que o invólucro cegue a visão. O que contemplo vai além do que apenas meus olhos seriam capazes de enxergar. Nas palavras de São Tomás de Aquino: “onde está o amor, aí está o olhar”...
O Yoga é muito mais do que uma prática corporal, é um estilo de vida. E como um estilo de vida, abarca não apenas o âmbito individual, mas o coletivo. Um indivíduo que tenha um comprometimento com uma vida de Yoga tem influência nas pessoas ao seu redor e no ambiente em que está inserido. Vejamos então como a prática de Yoga está vinculada a uma atitude ecologicamente ética e a uma aproximação da natureza.
Muito se fala sobre a importância do Yoga para a manutenção da saúde e especialmente para a cura de doenças. Neste artigo irei um pouco além desse discurso. Não falarei dos benefícios específicos do Yoga para a cura de doenças. O desafio deste artigo é mostrar que o Yoga e suas disciplinas afins dão conta de “cuidar do indivíduo” em todos seus aspectos.
Todos possuímos desejos. Os desejos não surgem em nós misteriosamente, eles são cultivados. Primeiro surge um pensamento que é desenvolvido, alimentado e, como consequência, torna-se um desejo. Nós cultivamos desejos assim como cultivamos nossas plantas.
O que há em comum no ser humano, seja ele de qualquer parte do mundo, dentro de qualquer cultura, é a busca pela felicidade. Todos nós buscamos a felicidade. Essa é uma fórmula essencial para a compreensão da conduta humana. As nossas ações são direcionadas a esse fim.
Eu amo meu ego. Esta frase pode soar bem estranha quando a dizemos no meio do Yoga, já que alguns praticantes parecem ter um preconceito muito forte em relação a ele. A verdade é que é graças ao ego que estou aqui. Foi através dele que fiz minhas escolhas ao longo da vida. Foi através dele que criei minha identidade enquanto indivíduo e é através dele que posso ser quem sou na sociedade. Portanto, preciso compreender (e gostar!) do meu ego.
O presente texto, baseado numa série de aulas de Swāmi Dayānanda sobre a grande afirmação védica ayamātmā brahma, “este Ātma é Brahman”, da Bṛhadāraṇyakopaniṣad, versa sobre a constatação de que a felicidade não depende de estudar, praticar, fazer ações de algum tipo, acumular informação ou satisfazer desejos.
Bhagavān é um dos nomes dados à manifestação. É uma palavra sânscrita que aponta para o cosmos, o Absoluto. Ela aparece na Bhagavadgītā, que é um capítulo do Mahābhārata, o grande épico Indiano compilado pelo sábio Vedavyāsa.
A visão equivocada que a sociedade tem do Yoga é fruto da confusão entre meios e fins que acontece em alguns círculos dentro do próprio mundo do Yoga. Muitos instrutores desconsideram a visão da vida e o ensinamento sobre si mesmo, julgando serem mera teoria, e acabam se centrando nas técnicas, que passam a ser vistas como objetivos a serem atingidos.
O setor de emergências de um hospital público de Portugal não parece o melhor lugar para escrever um texto sobre rejuvenescimento. Mas é justamente nesse lugar que comecei a pensar neste artigo, hoje de manhã, enquanto tentava me curar de uma gastroenterite, produto de comer fruta mal lavada. À minha volta, uma série de velhinhas portuguesas, todas vestidas de preto, que certamente haviam sobrevivido aos seus maridos e aguardavam pacientemente comigo para ser atendidas.
O leitor atento deve ter percebido que a intenção deste colunista é trazer a atenção da nossa comunidade para os contextos culturais e filosóficos onde o Yoga acontece e aconteceu. É sabido que uma parte da nossa comunidade sempre manifestou uma tendência a se focar quase que exclusivamente nos aspectos corporais e superficiais da prática de Yoga, em detrimento da apreciação do Yoga como a visão libertadora que ele é.
O Tattvabodhaḥ de Śri Śaṅkarācārya é uma obra interessante para aqueles que desejam aprofundar seus estudos. O texto é bem simples, na forma de um diálogo entre um professor e seu discípulo que busca o entendimento sobre si próprio. O grande ganho que temos ao estudá-lo é a familiarização que passamos a ter com palavras carregadas de significados que serão posteriormente vistas em praticamente todas as Upaniṣads.
Era uma vez um músico muito bom mas muito ciumento, que ensinava seus discípulos menos do que sabia por que não queria concorrência. Ensinava apenas o básico para que os demais pudessem cantar, mas sem lhes mostrar os segredos fundamentais. Um bom dia, morreu de um ataque cardíaco fulminante e se tornou um fantasma, um Brahmarakshasa.
Às vezes, a nossa maneira de definir certos padrões da conduta humana nos faz usar a palavra inumano. Porém, a bem da verdade, todas as condutas humanas são humanas, valha a redundância. Dizemos isto, pois é um fato e acabamos qualificando como não humanas algumas atitudes que são tipicamente humanas.
Vemos com alguma freqüência entrepreneurs que, olhando para a popularidade que o Yoga está vivendo atualmente, decidem abrir seus próprios “negócios” vinculados a ele. Coloco a palavra negócio entre aspas, pois até hoje me choca essa associação do Yoga com uma empresa que objetiva apenas o lucro.
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